Nadal e Federer, essas duas lendas, voltaram a encontrar-se no pó de tijolo de Paris. Nessa morada, o seu último embate havia sido na final de 2011, com vitória, pois claro, para o espanhol, que assim chega à sua 12ª final em Roland Garros e fica, sentado no trono, à espera do vencedor do jogo entre Djokovic e Thiem.

Sábdo 8 junho 14h00
Final Roland Garros
Ashleigh Barty vs Marketa Vondrousova
1.57 – 2.20

Foi a sexta vitória de Rafa Nadal perante Deus, Roger Federer, em Roland Garros, num total geral de carreira de 39 encontros entre ambos. 6-3, 6-4 e 6-2 foram os parciais deste jogo massivo do espanhol, o rei da terra batida, que começou o jogo com 3-0 imediato, que fez temer um desequilíbrio, que mais tarde se viria a confirmar. No entanto, convenhamos que houve momentos tensos, isto é, Nadal teve que correr.

 

 

Perante condições de jogo perfeitamente terríveis, um vento desmedido que impediu um jogo limpo, ao nível que estes dois astros já nos habituaram, Rafa impôs-se num primeiro set, embora se tenha visto um Roger Federer a tentar, a encurtar pontos, a insistir na esquerda do espanhol e nas subidas à rede.

Estes dois factores foram essenciais, porque a esquerda de Nadal foi responsável por algum do desequilíbrio feito sobretudo no segundo set, onde o suíço até começou melhor, com um break logo no segundo jogo. E às idas à rede, foram, em grande parte, favoráveis a Nadal, o que é pouco comum, tendo a conta a qualidade do volley e do toque de bola de Federer, que pareceu sempre impotente perante o jogo de pés estrondoso de Rafa.

 

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E o segundo set foi de facto, sintomático. Ao nono jogo, Federer vencia 40-0, parecia que ia obrigar Nadal a servir para evitar perder o set, e de repente permite cinco pontos seguidos ao campeão, que de seguida fechou o segundo set. E bom, o terceiro set foi a queda de Deus, vê-lo na cruz, já sem força para tirar os pregos.

É triste, até porque dá sempre a ideia que Federer fica intimidade a jogar com Nadal nesta superfície, parece que se acha pior jogador, que confia menos nas suas pancadas, quando até aqui tinha jogado um ténis de alto nível, sobretudo para quem não vinha a Paris há três anos.

Por outro lado, não podemos ignorar o vento. E as condições absurdas de jogo, que fizeram com que quem estava a favor do vento estivesse sempre em vantagem, isto é, quem ataca, quem é ofensivo, como Federer, corre sempre mais riscos de falhar, do que quem tem um jogo mais baseado no contra-ataque, como Nadal.

Mas, mais uma vez, tirar mérito a Nadal é que não. Mais uma vez mostra o porquê de ter 11 títulos em Roland Garros, a sua garra, a forma como chega sempre a mais uma bola, como está a bater a esquerda como nunca, como até já tem confiança para subir à rede.

 

 

Adeus, Deus. E esperemos que Federer, quase a fazer 38 anos, possa voltar a este nível competitivo em Paris e possa tentar chegar ao seu segundo título da carreira em Roland Garros. Era bonito. Se não, é agradecer a sua genialidade, e desejar-lhe o melhor para o seu torneio preferido: Wimbledon.

Já Nadal… Não deve ter propriamente preferência pelo jogador que vai defrontar na final. Quer dizer, já derrotou Thiem na final de 2018, e em três sets. Mas Thiem vai seguramente fazer a vida negra ao número um mundial, algo que pode bem passar por um jogo a 4 ou 5 sets e que levará o sérvio mais cansado para a final. Esperemos. E se for possível, deuses da meteorologia, melhorem lá um bocadinho isto. Queremos ver o melhor ténis do mundo.