Fernando Torres decidiu está decidido. 18 anos depois de ter começado, o avançado espanhol decidiu terminar a carreira.

Sempre com cara de puto e uma irreverência dentro de campo fê-lo ganhar a alcunha de El Niño. Começou no Atlético de Madrid onde prometeu muito – e continuou no Liverpool onde  apontou as suas melhores épocas, principalmente a primeira, que lhe valeu o terceiro lugar no prémio de melhor jogador do mundo para a FIFA, apenas superado por Messi e Ronaldo.

Deixou também marca na seleção. Há aquele momento decisivo contra a Alemanha que abriu de uma vez as portas aos grandes títulos da Espanha.

Venceu dois Europeus e um Mundial com a Roja.

Nos clubes o CV também está rechead: uma Liga Europa pelo Atlético e Chelsea e uma Liga dos Campeões com os Blues.

Títulos no currículo não lhe faltaram, mas a fasquia foi colocada tão alta no início que a ideia geral com que ficamos foi que poderia ter dado mais ao futebol.

 

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Hola a todos ,estoy haciendo este video porque tengo algo muy importante que anunciaros . Después de 18 años apasionantes ,ha llegado el momento de poner punto y final a mi carrera . El próximo domingo día 23 a las 10:00 de la mañana ,hora local en Japón ,tendré una rueda de prensa en Tokio donde daré a conocer todos los detalles y contestaré a vuestras preguntas. .Nos vemos allí. Hi everybody, I’m making this video because I have something very important to announce. After 18 exciting years, the time has come to put an end to my football career. Next Sunday, the 23rd at 10:00 a.m., local time in Japan, I will have a press conference in Tokyo where I will explain all the details and answer your questions. See you there.

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Depois de se despedir na época passada do Atlético Madrid, clube onde regressou em 2014 depois de ter saído para o Liverpool em 2007, Fernando Torres rumou ao Japão para representar as cores do Sagan Tosu.

A ida para um campeonato de menor visibilidade já adivinhava este desfecho para breve e foi o que se sucedeu na passada sexta-feira.

Através das redes sociais, El Niño anunciou que se ia retirar depois de 18 anos ligados ao futebol profissional.

Aproveitou também para informar que daria uma conferência de imprensa em Tóquio, onde estaria disponível para conversar com os jornalistas e responder às suas perguntas.

E foi o que aconteceu.

Durante cerca de uma hora, Torres falou sobre o seu percurso no futebol e recordou todos os clubes por onde passou, dando destaque à sua passagem pelo Atlético de Madrid.

«Cada passo que dei na carreira foi bom e voltaria a dá-lo. Não mudaria nada do passado. No Liverpool vivi momentos inesquecíveis, mas os três anos mais importantes da minha carreira aconteceram na minha segunda passagem pelo Atlético. Foram os mais emotivos» Fernando Torres

 

Atlético de Madrid 2000 – 2007

Foi no Atlético de Madrid que Torres se começou a destacar. Aos 17 anos, fez a sua estreia profissional contra o Leganés a 27 de Maio de 2001 e o seu primeiro golo apenas viria na semana seguinte, contra o Albacete.

Foi o primeiro de muitos golos ao serviço dos colchoneros.

No total foram 91 na sua primeira passagem pelo Atlético, com destaque para as épocas de 2003-05 e 2004-05 onde atingiu a marca dos 20 golos.

Aos 19 anos foi ainda nomeado capitão do Atlético , o mais novo na história do clube, numa altura em ainda estava no clube Diego Simeone.

Cedo se tornou o jogador fetiche do Atlético, ganhou popularidade e o interesse de clubes estrangeiros começou a aparecer.

 

Liverpool 2007 – 2011

A primeira experiência no estrangeiro para Fernando Torres foi em Inglaterra, no Liverpool.

Bateu o recorde de transferências pago pelos reds à altura, uns estimados 38 milhões de euros no valor total da transferência, que incluiu também a ida de Luis Garcia para o Atlético.

Nesse primeiro ano foi fantástico.

Terminou a temporada com um total de 33 golos marcados, 24 deles na Premier League, que fizeram do espanhol o melhor marcador estrangeiro na sua época de estreia na competição.

Graças a essa época foi ainda o terceiro classificado da Ballon d’Or e o terceiro melhor jogador do ano para a FIFA.

As restantes épocas foram todas uma miragem da primeira e muito por culpa das lesões que infelizmente marcaram o seu percurso pelo clube inglês.

Terminou a aventura no Liverpool com 81 golos em 142 partidas.

 

 

 

Chelsea 2010 – 2015

A seu pedido, transferiu-se para o Chelsea de Carlo Ancelotti por 58 milhões de euros, a maior do Chelsea até esse período, mas os golos nos blues nunca chegaram a aparecer com frequência.

Após todas as lesões que o atormentaram, o faro do golo parece ter desaparecido.

Acabou os seus anos no Chelsea com um registo de 45 golos em 142 partidas, números muito inferiores àqueles que tinha conseguido no Liverpool.

Embora a sua passagem pelo Chelsea não tenha sido tão bem sucedida em termos de golos, El Niño conseguiu aquilo que até aí não tinha conquistado – os títulos.

E o próprio o reconhece.

“[Chelsea] gave me what I always longed for, the titles.” – Fernando Torres, sobre a importância do Chelsea na sua carreira

Venceu a sua primeira e única Liga dos Campeões, também a primeira da história do clube e foi importantíssimo na passagem à final, com um golo nos últimos instantes contra o Barcelona.

 

 

No ano seguinte venceu também a Liga Europa pelos blues.

 

Regresso ao Atletico 2016 – 2018

Depois do Chelsea, teve ainda emprestado ao AC Milan, mas os 10 jogos ao serviço do clube italiano apenas resultaram num único golo.

Em 2014 regressa ao Atlético, inicialmente na condição de emprestado, e o ânimo pelo futebol pareceu voltar, apesar de nunca mais ter mostrado tudo o que fez no passado.

Chega à final da Liga dos Campeões, em 2016, perdida frente ao Real Madrid e em 2018 despede-se do Atlético com 38 golos em 160 e uma Liga Europa.

Os tempos áureos de El Niño foram curtos e há muito tinham ficado para trás e com o avançar da idade já se esperava uma partida para um campeonato de menor expressão, despedindo-se assim do clube de Madrid para rumar ao clube japonês, o Sagan Tosu.

 

La Roja

O seu período na seleção foi talvez aquele que mais alegrias trouxe a Fernando Torres.

Até 2014, último ano em que jogou pela seleção espanhola, Torres deixou a marca de 38 golos em 110 jogos, que começaram a contar desde a sua estreia em 2003.

No final de contas, El Niño esteve presente nos melhores momentos da história da sua seleção, nomeadamente através do seu papel fundamental em 2008, com um golo marcado frente à Alemanha e também em 2010, no primeiro Mundial da história de Espanha.

Europeu 2008, 2012

Mundial 2010

 

 

Após uma carreira de altos e baixos que ainda assim lhe valeu todos os títulos que poderia sonhar, não só pelos clubes por onde passou como também pela seleção, o futuro de Torres fora dos relvados parece já estar mais ou menos planeado.

«Se eu regressar ao Atlético é para um cargo que permita fazer o Atlético maior do que ele já é, para que consiga coisas que ainda não conseguiu na sua história, mas para isso é necessário tempo, formação e a oportunidade de ter esse cargo de responsabilidade» Fernando Torres