Esta semana fui buscar o violino porque senti falta de um pouco de música nos programas de debate desportivo. Afinal estavamos em plena Páscoa, e eu quero é felicidade, mesmo no futebol. Arranjei umas amêndoas, uma Bíbila, e avé Maria que estava na hora da dose cavalar de bitaitismo em dia de Ressureição.

Segui a recomendação do Rudolfo Reis, portista do Play Off da Sic Notícias, que me surgiu no pequeno ecrã, bastante inflamado, a refilar com Ricardo Rocha. Fiquei estupefacto: não porque estavam os dois a discutir, mas sim, porque afinal, neste Titanic que é o mundo do debate desportivo, afinal, não havia instrumento musical nenhum para ditar o fim do mundo.

Mas bem, peço desculpa por estar a ser tão abstracto. Vou tentar ser mais concreto. “Hoje vim de fralda”, anuncia Vasco Mendonça (Benfica), assim que mudo para o “Dia Seguinte”. Estão dadas as boas vindas, mais concreto que isto não há. A concorrência ao Baby TV está forte neste campo. Com Pedro Marques Lopes (FC Porto) de regresso, o tom do programa deixou de ser tão empreendedor (João Koehler), para passar a ser bem mais filosófico. “Isto foi uma palhaçada anunciada”, rematou, qual Frederich Nietzsche do norte.

Como isto estava a ser demasiado intelectual para um tipo que só queria mesmo relaxar no domingo de Páscoa, mudei para o Trio de Ataque da RTP1. E se fiquei relaxado. Foi preciso quase uma hora de programa para haver clímax entre João Gobern (Benfica), Nuno Gonçalves (Sporting) e António Oliveira (FC Porto).

Só aconteceu na altura em que Nuno falou de um jogo que tinha, o “Eu Sei Tudo”, da Majora, onde revelou que tinha destruído uma caixa só para descobrir como é que a personagem do jogo sabia tudo. Um desabafo. Uma história comovente. Um programa diferente, feito de liberdade, de crença e de amor ao futebol. É para isso também que se fez o 25 de Abril – ah, esperem, isso é só na próxima semana.

Bom, sabendo eu que nada sei, voltei ao “Dia Seguinte”. Tive, entretanto, de fazer fast-forward porque o Duarte Gomes resolveu fazer um monólogo sobre a sua mais recente peça “Sonho de uma Nomeação de Árbitros”, e eu só gosto de teatro durante a semana.

Mas voltei ao ambiente intelectual, assim que Vasco Mendonça falou de “saco de gatos”, antes, claro, de Rodrigo Roquette ter confessado que é viciado no jogo. Ok, talvez um exagero da minha parte. O homem só disse que ia apostar no Benfica-Marítimo. O quê? Um saco de gatos? Dinheiro? Noção? Nunca saberemos porque não o chegou a fazer. Fica a dúvida. Chamem a polícia ou o VAR. Tanto faz.

E eu como não sou cá de rodriguinhos, quis acabar este meu hábito de provar o folar desportivo semanal, descascando uma última vez o ovo do Play Off. Tirei a casca, não procurei mais os violinos, mas encontrei Deus – já que Jesus, por este lado, nem vê-lo. Como? Simples, chama-se Rui Santos, meus senhores.

O eterno comentador de futebol tem um momento – que talvez dure há demasiado tempo – intitulado “Se Eu Mandasse”, onde se debruça, com uma coroa fictícia na cabeça, sobre o que faria se fosse ele rei, e dono omnipresente do futebol português. Pena só durar um minuto. Talvez o Rui encontre forma de aumentar o cronómetro. Olha, ou então mata-se ao sétimo dia e ressuscita no Play Off, e aí todos se ajoelhariam perante o novo Deus do Futebol. Mas, por favor, metam violinos dessa vez está bem?