Não há nenhuma boa razão para haver um clássico à terceira jornada. Acabamos de sair de uma greve dos camionistas, está tudo ainda de férias, com a cabeça na próxima bola de berlim, ninguém está com grande disposição para se focar simplesmente num dos maiores jogos do campeonato. E a razão é simples: é que não se decide coisa nenhuma.

Geralmente o número três costuma ser bom para muita coisa. É o número que desempata se tivermos num grupo de amigos, indecisos para onde ir. É o número que fecha a tabela classificativa – ou o pódio -, ou ainda, por outras palavras, o número que o Sporting tem sempre de almejar, embora pense, por breves momentos, que pode aspirar ir mais longe. E é o número a que Cristo se agarrou para ressuscitar.

Ok, eu sei que há muito leitor que não é religioso, mas, convenhamos, que relembrar esta ressurreição até dá jeito. E porquê? Ora porque se o FC Porto ganhar, os adeptos azuis e brancos não vão decapitar o Sérgio Conceição (como eu já li aí algures), e o clube ganha uma nova vida para aí até, sei lá, dezembro.

Mas voltemos ao porque é que não deve haver clássico tão cedo. É que a bazófia com que uma das equipas vai sair do estádio da Luz, se ganhar, dura menos do que a bateria de um Iphone viciada. Depois, se o Benfica ganhar, fica a seis dos dragões, o que já é uma distância considerável mas ainda não dá para lançar os foguetes.

Depois, num clássico há sempre polémicas. Mas para haver polémicas é preciso que as pessoas as vejam. E ainda está tudo de férias. Ninguém vai ver programas de bitaitismo compulsivo de noite, enquanto prefere estar a dar aqueles passeios sem fim nas feiras de artesanato do Algarve, porque a filha não se cala e só quer que lhe façam um tereré. Ou o filho. Ou ambos.

Por último, o facto do jogo ser em Lisboa também não ajuda. A cidade vai estar deserta. Quem é que está na capital portuguesa nesta altura, alguém me sabe dizer? A não ser todas as pessoas que não tiram férias, mas essas também não têm tempo de ir ao estádio, porque, enfim, estão a trabalhar dia e noite.

Espero, sinceramente, que seja um grande jogo. Mas se não for, também não tem mal, porque ninguém se vai lembrar.