Portugal em modo sem o super-herói.

O nosso Cristiano está fora (viu um cartão amarelo quando despiu a camisola a festejar o golo da vitória sobre a Irlanda aos 96 minutos).

Merecido? O próprio pediu desculpa por ter sido um ato irreflectido, num momento muito emocional.

«Essa é a parte que não gosto nada, ele ficar de fora . Mas compreendo. Emoção muito forte, dois golos, Portugal a virar resultado, mas acho que ele já está arrependido. O resto ficamos todos satisfeitos. Não há nenhum português que não fique. Mas ia acontecer sempre. Já estava empatado. Se não fosse hoje, podia ser noutro dia» fernando santos

CR marcou dois golos – o primeiro tornou-o o melhor marcador nas seleções com 110 golos (ultrapassando Ali Daei que tinha 109). O segundo deu a vitória.

 

Ronaldo, o animal de área que derrotou a Irlanda (e bateu o recorde mundial)

 

Como se faz sem CR?

Fica agora por perceber se Fernando Santos vai trocar a estrutura, agora que a nossa selecção subirá ao relvado sem poder contar com a eficácia do “salvador”.

Sem Ronaldo na área, Portugal tem de criar mais!

Tal parece absolutamente evidente, afinal a nível de eficácia no concretizar das oportunidades em golo poderemos sentir as dificuldades de quem não tem quem transforma qualquer bola em golo.

 

Estaremos confinados a um jogo pior e de difícil resolução no resultado?

Não necessariamente.

Há demasiado talento na armada lusa, e jogadores como André Silva, Bruno Fernandes ou Diogo Jota sempre somaram números apreciáveis de golos.

Na deslocação ao Azerbaijão, poderá Fernando Santos encontrar o momento ideal para fazer retornar o 4x4x2, partindo de um sistema que junte dois avançados com capacidade de pressão, capazes de retirar rapidamente a posse ao adversário, dar a bola a Portugal, e a partir daí monopolizar o jogo.

 

Espanha volta ao drama de 1993 (durante o baile de Isak)

 

O 4x4x2 de Giovanni De Biasi

A tactica do selecionador italiano dá a Portugal a oportunidade de colocar largura total pelos seus dois defesas laterais – Nuno Mendes e Cancelo – obrigando a basculação tardia para controlar todo o espaço, enquanto guardará entre linhas o talento de Bernardo Silva, Bruno Fernandes.

E ainda a possibilidade de ter Diogo Jota, peça importantíssima no ataque à profundidade, ao lado de André Silva, também ele um avançado de movimentos completos, enquanto um duplo pivot de frente para a linha média adversária deverá ser o suficiente para controlar momentos no pós perda.

 

Impor mais presença ofensiva

A ausência de Ronaldo nunca poderá ser saudada, mas dará a Fernando Santos a oportunidade – muito também pelo adversário em questão – de impor mais presença ofensiva sobre a última linha adversária.

E libertar os nossos criativos para um jogo em que mais do que procurar a temível referência, se jogue sem amarras de uma decisão final, mas sempre em função do que o contexto e a situação de jogo mais exigir no momento de se escolher o melhor caminho a dar à bola em zona de definição.

 

Perderá indubitavelmente na fase mais importante do jogo – a da finalização – poderá acrescentar mais capacidade de pressão, resgatar mais bola para a equipa lusa, e ter condições para um jogo mais criativo nas decisões entrelinhas.

No final do dia, importará não perder a oportunidade de somar os três pontos perante um adversário que em terras portuguesas apenas perdeu por uma bola a zero.