Em 1992 ativistas ameríndios encetaram uma campanha para forçar o United States Patent and Trademark Office (o organismo que decide sobre as patentes e marcas registadas nos EUA) a cancelar o uso de “redskin” (pele vermelha) como marca dos Washington Redskins.

Nada feito: em 2017 o Supremo Tribunal decidiu que o epíteto potencialmente preconceituoso contava com a proteção da primeira emenda constitucional, que garante a liberdade de expressão.

Antes, em 2014, 50 senadores tinham enviado uma carta à NFL a pedir a intervenção da liga. Em todo o país, universidades e escolas começaram a abandonar mascotes e nomes de equipas com ligações aos indígenas.

O atual dono Dan Snyder, tinha prometido nunca alterar a sua denominação, chegando a dizer que preferiria vender a equipa a mudar-lhe o nome.

 

 

Mas o boicote dos principais patrocinadores dos Washington Redskins a seguir à morte de George Floyd este ano fizeram Snyder mudar de opinião.

Uma carta assinada por 87 investidores e acionistas foi enviada à FedEx, Nike, Pepsi e Bank of America a pedir-lhes que parassem de fazer negócios com a equipa a não ser que o nome fosse alterado.

No dia 2 de julho a FedEx, que paga 8 milhões de dólares por ano para dar o seu nome ao estádio da equipa em Landover, Maryland, informou-os que se não mudassem de nome retiraria a marca no final da próxima temporada.

No dia seguinte, 3 de julho, saiu o anúncio sobre a mudança do nome da equipa, inciando-se uma “revisão completa do nome da equipa”, depois de semanas de discussões com a NFL.

A Nike parou de vender produtos com a marca dos Washington e os grupos de venda online Walmart, Target e Amazo anunciaram que suspenderiam a venda dos seus produtos nos sites.

 

Fundador segregacionista

Em 1995, os Washington Bullets da NBA foram rebaptizados para Wizards depois do dono da equipa dizer que se sentia desconfortável com a violência do nome.

Os Redskins mudaram-se para Washington DC em 1937 e foram fundados pelo empresário George Preston Marshall, que acreditava na segregação racial.

Foram tamnbém a última equipa a jogarem com atletas negros, só o fazendo depois de o governo ameaçar revogar o aluguer do estádio em 1962.

No mês passado uma estátua de Marshall foi removida do terreno do estádio depois de ter sido vandalizada. O nome de Marshall também vai retirado do Ring of Fame, um nível do estádio que destaca as contribuições feitas por pessoas ligadas à história do clube.

 

Mais equipas a mudarem o nome

A decisão de abandonar o nome ao fim de quase 90 anos demorou 10 dias.

Agora é hora e começar a pensar em nomes, até para serem inscritos na prova do próximo ano. Como possíveis alternativas estão nomes como Washington Senators, Washington Warriors ou Washington Red Tails.

Mas não serão só os Redskins a mudar o seu nome.

Outros clubes como os Atlanta Braves, Chicago Blackhawks, Kansas City Chiefs ou Cleveland Indians, com referências a estereótipos nativo-americanos, vão ter de repensar o nome.