Não há grandes dúvidas de que a Itália é a grande favorita a vencer o Euro.

Mas também havia poucas dúvidas de que França estaria na final. E não está.

Por isso, esta terça-feira, entre Itália e Espanha “está tudo em aberto”. Sim, está.

 

 

Itália-Espanha

São seleções que já se venceram uma a outra.

Os italianos nunca ganharam um europeu neste século – mas sabem perfeitamente o que é ganhar Mundiais.

Já os espanhóis andam um pouco à deriva, ainda que tenham levado este título quer em 2008 quer em 2012.

Só que isto é tudo muito bonito, é, mas o que interessa é o futuro. E no dia seguinte, estes dois países têm muito talento para mostrar. Vamos ver.

 

A velha Itália voltou e ganhou (graças à coxa de Spinazzola)

 

 

Bella Barella

Vamos começar pela bota da Europa. Um nome: Nicolò Barella.

O médio custou milhões de euros ao Inter de Milão (mais de 40 milhões de euros), campeão na época passada. 24 anos. Maior parte da carreira fê-la no Cagilari, mas foi nos atuais campeões italianos que começou a ganhar maior destaque.

Já leva 27 internacionalizações e seis golos.

 

 

Fez logo os dois primeiros jogos na fase de grupos – que a Itália dizimou – mas no terceiro ficou no banco e não saiu.

Logo voltou para o sofrível encontro com a Áustria nos oitavos-de-final e chegou mesmo a marcar diante da Bélgica na fase seguinte.

Esta equipa, além de jogar bem, marcar golos, ter músculo e esperança, também tem cabeça. E percebe-se o que quer.

 

 

Como se costuma dizer, é no meio campo que está a virtude do jogo (se não é assim, é quase).

Pois bem, Barella é também responsável por isto. Recupera bolas, marca, passa, não desiste. Tem tudo. Que o diga o lendário do Inter Nicola Berti, que disse que o jovem italiano pode já é dos melhores médios da Europa.

 

 

Chiesa, filho

Passemos para Federico Chiesa.

Diz a imprensa que a squadra azzurra, assim que passou para os quartos-de-final, furou uma série de recordes.

Mas aquele que interessa ao jovem extremo/avançado da Juventus é outro: marcou tal como o pai numa fase final de um europeu.

 

 

Em 1996, no Euro de França, Enrico Chiesa marcou o golo que derrotou a República Checa. Desta vez, o filho marcou à Áustria.

Tal pai, tal filho, o que nunca tinha acontecido.

Federico é como Barella: andou quase sempre pelo mesmo clube (neste caso na Fiorentina) mas agora anda ao lado de Cristiano Ronaldo.

Agora quer marcar novo golo, mas para defender a honra de Leonardo Spinazzola, que se lesionou com gravidade e vai estar fora do encontro em Wembley diante dos espanhóis.

 

ESPANHA

De olho em Olmo

Passemos para nuestros hermanos. Comecemos à frente: Dani Olmo, 23 anos.

Anda pelo Rb Leipzig e tem sido jogador para lançar a partir do banco neste europeu.

Começou no Barcelona mas depois, com apenas 16 anos, foi até à Croácia, para o Dínamo Zagreb, onde andou até 2019/2020 para depois rumar à Alemanha.

 

Oyarzabal não é Mbappé (e apurou a Espanha para os quartos)

 

É um campeão de sub-21 de 2019 de uma geração de ouro que agora quer voltar às velhas glórias.

Em duas épocas, fez 12 golos.

Em miúdo tinha como ídolo Diego Forlán.

Agora, faz parte de uma seleção jovem, muito criticada, mas que está a um passo da final.

Falta-lhe o golo decisivo. A ver se é capaz.

 

Pedrito de España

Terminamos com Pedri González, 18 aninhos, médio de requinte que foi crescendo no Las Palmas mas, claro, já está no Barcelona.

Parece que não tem feito grande coisa: não marcou golos, não fez assistências e “ajudou” a que Unai Simón fizesse dos auto-golos mais tontos do torneio. Só que na La Roja é dos que tem mais muntos.

 

Unai, Jota, CR e Müller: estes são os maiores falhanços do Euro

 

Ou seja, é peça fundamental para Luís Enrique.

Correu quase mais seis quilómetros do que todos os seus parceiros de equipa.

Já é comparado a Xavi e a Iniesta e, daqui a pouco tempo, vai estar nos Jogos Olímpicos de Tóquio, tendo atingido a marca de 50 jogos pelo Barcelona. Portanto, deve estar de rastos.

A diferença é que este jovem não foi formado na La Masia, famosa academia catalã.

 

Luca, o adepto mais famoso do Euro

 

Nasceu em Tegueste, nas ilhas Canárias e, com apenas 16 anos, fez a sua estreia na equipa sénior de Espanha em agosto de 2019.

Portanto, um maestro em construção. Será que a música dele funciona contra os italianos?Gigantes europeus defrontam-se numa das meias-finais do Euro’20. Mas, como sempre, os dois países não precisam de se preocupar muito, já que o futuro dos jogadores parece risonho. Por José Paiva Capucho