Lacónico, a contar os dias para os Jogos Olímpicos de Tóquio, deixo-vos aquele que é o meu onze do Euro 2020 (este é o da UEFA).

Como sempre neste tipo de análise, sou eu quem decide a táctica da minha equipa, portanto vamos assumir um 4-3-3 só para contrariar a mania dos três centrais que está tanto na moda.

 

Itália campeã, Euroexit da Inglaterra: Football it’s coming Rome

 

E para incluir um meio-campo de sonho.

Olha espreitem.

 

Gianluigi Donnarumma

Podia ser só isto, o nome do guarda-redes italiano a bold. Foi o melhor jogador do torneio e foi o primeiro guarda-redes de sempre a conseguir tal feito. Os voos são incontáveis, esteve perfeito em quase todos os jogos e nem o nariz meio saliente impediu o brilhantismo de Donnarumma. É claro que nada disto é novo, o internacional italiano há muito que é um dos melhores do mundo, o problema é que ninguém vê os jogos do Milan. Acaba de assinar pelo PSG… Podia ter melhor gosto.

 

Luke Shaw

Eu que sou adepto do Manchester United só posso estar eternamente agradecido a Alex Telles. Desde que o lateral ex-FC Porto chegou a Old Trafford, Luke Shaw parece ter passado de um camião que não pode circular no centro histórico de Lisboa para um híbrido que percorre a marginal com estilo. O peso a mais ainda lá está, mas um dia o futebol tem de deixar de ser gordofóbico, não é verdade? Um golo, três assistências e um dos melhores jogadores da Inglaterra em todo o torneio.

 

Leonardo Bonucci

Há jogadores que são eternos. Bonucci, com o golo que ontem fez, tornou-se o mais velho a marcar em finais de campeonatos da europa. E há épocas a fio que tem sido um dos melhores centrais a jogar no velho continente — pese embora a terrível temporada da Juventus. O seu rosto sisudo talvez no fizesse mudar de passeio e dentro de campo, infelizmente, isso não é possível. Diz que vai de férias com Chiellini, ou seja, bares de hotel preparem-se.

 

Aymeric Laporte

Pep, se estás a ler isto, por favor considera dar o braço a torcer. Nada contra o John Stones, é um central cheio de talento, que fez uma bela temporada ao serviço do City, mas Laporte é um jogador de outro nível. Na defesa de Espanha foi sempre aquele que apresentou mais eficácia e classe e por isso tem de ser titular do campeão inglês, aliás, seria titular em quase todas as equipas do mundo. O basco, ex-internacional francês, é uma contratação incrível para La Roja. Deve ter dedo de Jorge Mendes.

 

Joakim Maehle

Esta malta que faz os onzes das grandes competições é muito aldrabona. “Então, mas o Maehle jogou sempre a lateral-esquerdo, como é que agora aparece ali?” Respeitinho, que o mister sou eu, ok? Além disso: o Maehle é destro, portanto pode perfeitamente fazer uma perninha à direita. O dinamarquês da Atalanta foi, de longe, um dos melhores jogadores deste Euro 2020, marcou dois golos, fez uma assistência — e que trivelada nos quartos-de-final contra a República Checa; Quaresma babou em casa — e tem apenas 24 anos. Mandei-lhe um Maehle a dizer que o céu é o limite.

 

Kalvin Phillips

Kalvin Phillips é um daqueles jogadores que todos os treinadores querem ter. E eu não fujo à regra. Tacticamente é genial. Fisicamente é genial. E ainda acrescenta passe, toque de bola, inteligência nos diversos momentos de jogo, um cabelo incrível que faz inveja a qualquer homem bonito, e é treinado pelo Bielsa, no Leeds. Vamos ver é por quanto mais tempo…

 

Jorginho

Não é de agora a qualidade de jogo deste ítalo-brasileiro. Mas o mundo é cruel como tudo e neste momento é capaz de ser um dos 6 mais desejados do planeta, como se não fosse já um jogador de tremenda qualidade que teve o mero azar de se cruzar com Frank Lampard, cujo juízo recente não é de fiar. Tem um passe só ao alcance dos magos e é amigo de Sarri, com quem tem planos de abrir um turismo rural nos arredores de Nápoles — pelo menos deviam pensar sobre essa hipótese.

 

Pedri

25 de Novembro de 2002. Já Ronaldo Fenómeno tinha deixado cair o incrível penteado do Campeonato do Mundo de 2002 e ainda Pedri não era nascido. Aos 18 anos, este rapaz é, de longe, um dos médios com mais classe do mundo. Fez uma época tremenda no Barcelona de Ronald Koeman — e olhem que não foi fácil brilhar pela Catalunha este ano… — e chegou ao Euro 2020 onde jogou praticamente todos os minutos da competição e deve ter falhado meio passe. Desculpem não confirmar os dados, mas a falta de rigor, neste caso, serve o texto. Tem 18 anos e já começam a faltar adjectivos para um jogador tão perfeito. Reservem uma Bola de Ouro ao rapaz.

 

Federico Chiesa

 

A Itália ao som de Chiesa (filho)

 

Se pensarmos na tremenda importância que Chiesa viria a ter na fase final da competição, com um golo nos oitavos-de-final e outro nas meias-finais, ninguém diria que começou o Euro 2020 como suplente às custas do pequenito Berardi, quem apesar de tudo tem um belo pé esquerdo e um nome que pode ser confundido com um certo bandido madeirense. Federico tem a irreverência do pai, mas parece ser uma versão 2.0 de Enrico Chiesa e Nagelsmann, novo treinador do Bayern, já disse que o adorava ter. É aproveitar, que aquilo em Turim já deu o que tinha a dar.

 

Raheem Sterling

 

Como parar a máquina de guerra da Inglaterra?

 

É curioso, não foi, seguramente, uma das épocas mais felizes de Raheem Sterling ao serviço do Manchester City e logo numa época em grande para os comandados de Pep Guardiola. Claro que jogou bastante, mas ele que raramente ia ao banco, em várias ocasiões da temporada e em jogos a doer, acabou sentado. Chegou aqui e com a confiança que Gareth Southgate lhe ofereceu foi titular em todos os jogos e foi, de longe, o jogador mais desequilibrador da selecção inglesa, com slaloms vertiginosos e cola nas chuteiras. A gente perdoa a fita do penálti que deu a vitória diante da Dinamarca, mas é a última vez Raheem, é a última vez.

 

Patrik Schick

 

Schick, um chapéu à Poborský de 45 metros

 

Mais um jogador que vem renascer ao Euro 2020. A grande figura da bonita campanha da República Checa nunca convenceu os responsáveis da Roma — Mourinho pode chorar à vontade — que o viria a emprestar ao Leipzig na temporada 2019/20 e o clube alemão também não quis ficar com ele. Na época transacta, no Bayer Leverkusen fez 13 golos, mas foi muitas vezes suplente de Lucas Alario, isto é, torna-se difícil dizer quem dos dois é o 9 principal da equipa. Mas aqui ele é rei e senhor, marcou, provavelmente, o melhor golo do torneio, a 51 metros da baliza da Escócia. Merece nova vida, porque talento é coisa que não lhe falta. Ao ponto de fazer Fred Astaire e Ginger Rogers voltarem a dançar “Cheek to Cheek”.