Isto está estranho. Muito estranho.

Há anos que a frase “11 contra 11 e no final ganha a Alemanha” ecoa nas paredes de competições mundiais.

E há anos que Joachim Löw, que deu o caneco mundial à seleção em 2014, é o selecionador nacional.

 

Isto é o quê? A França contra o resto da Europa?

 

Olhar fechado, de poucas palavras e de mãos onde não deve (consulte as fotografias, vão valer a pena), o técnico que anda por lá desde 2006 está de saída para dar lugar ao compatriota Hansi Flick.

É certo que regressaram Mats Hummels e Thomas Muller – e que a Alemanhã é uma das onze anfitriãs do evento – mas, esta terça-feira, vai defrontar a favorita à vitória: França de Didier Deschamps.

 

Que jogo vamos ter?

Bom, vamo-nos manter na mannschaft.

Nos últimos dez anos, ficaram em terceiro lugar no mundial de 2010, chegaram ás meias no Euro 2012, venceram o Mundial de 2014, chegou ás meias do Euro’16 e não passaram da fase de grupos do Mundial de 2018.

E sim, referimos os veteranos, mas neste plantel há muita matéria prima nova e fresca: nomes como Neuhaus, Musiala ou Havertz têm crédito suficiente para fazerm estragos.

 

Schick, um chapéu à Poborský de 45 metros

 

Mas os 24 convocados alemães têm outro dado à sua volta que é capaz de dar jeito: em caso de vitória no europeu, podem ganhar 400 mil euros.

O que é isso para jogadores que militam nos maiores clubes do mundo? Peanurs, como diria JJ. mas é um incentivo.

 

Schumacher-Battiston. O momento mais infame do futebol

 

O que é certo que desde 2018 que a Alemanha fez uma pequena revolução no seu futebol, com maior investimento na formação, nomeadamente nas equipas de primeiro escalão.

Mas pode não chegar. Benzema está de volta (não era chamado desde 2015), Kanté encanta toda a gente e Mbappé é Mbappé e nada mais importa.

E Griezmann, campeão espanhol, pois claro. Só aquele ataque vale 92 golos nesta última temporada.

Nossa senhora.

 

Quem passa nos grupos?

 

Os Les Bleus, que sabem o que é ganhar esta competição (1984 e 2000), qualificaram-se em primeiro lugar no grupo H com um treinador que anda por lá desde 2012.

Tem ainda uma jovem sensação: Marcus Thuram, de 23 anos, que joga no B. Monchengladbach.

Como muita gente diz, os gauleses podem fazer uma equipa A, B, C, D, o que seja.

E mesmo que dois dos avançados (Mbappé e Giroud) tenham registado um mútuo desagrado em público, nem isso deve beliscar a sua performance.

«Não consigo ver nenhum ponto fraco»

Disse José Mourinho, novo técnico do AS Roma, ainda há uns dias. Está tudo dito.

E vindo de quem vem, o eterno nome para selecionador nacional, e senhor de grandes indemnizações, talvez seja mesmo para levar a sério. Portanto, a não ser que algo de muito mau aconteça, França é mesmo a favorita.

 

Hora H, de Hungria

 

Portanto, espera-se o jogo grande desta primeira leva na fase de grupos. Já tivemos golos, sustos, grandes ausências e muito futebol.

O Euro parece amaldiçoado mas ainda só vai no início.

Resta saber se este França-Alemanha vai ajudar Portugal.

Mas, para isso, é preciso derrotar os húngaros. Um grupo F com uma consoante demasiado literal. É o que é.