Um massacre.

Assim começou a partida. E terminou com uma derrota por 4-2.

Não que no plano teórico a ideia geral de juntar linhas para procurar uma intercepção no sector médio e lançar uma transição veloz na capacidade extraordinária de Bernardo, Jota e Ronaldo definirem na frente fosse um erro.

 

Aliás o excelente golo da selecção portuguesa – Repare em como Ronaldo corta a bola numa área e a finaliza na outra, segundos depois – prova-o.

Na prática, o encaixe tático deixou espaços no corredor lateral para em superioridade ou igualdade numérica, Kimmich e Gosens desequilibrassem o jogo.

 

O pressing luso encostou Ronaldo a Hummels, e Bernardo e Jota com os centrais, deixando laterais para baterem com lalterais.

 

Alemanha. Carlos Manuel ou Sérgio Conceição (ou Dito)?

 

O problema

O problema é que perante três na frente – Havertz, Gnabry e Muller, a restante linha defensiva era mobilizada – Raphael saía em Kimmich, e Dias, Pepe e Semedo não tinham superioridade perante o trio ofensivo alemão… enquanto no lado oposto…

Gosens surgia invariavelmente sem ninguém.

E se há jogadores com capacidade para variar o jogo e encontrar homem livre, esses estiveram do lado germânico.

 

Um (des)encaixe tático que fez a selecção lusa correr e nunca chegar atempadamente aos lances.

O 4x1x4x1 em Organização sem bola, fez sempre parecer que Portugal jogava com homens a menos, tal foi a incapacidade para:

  • a) suster investidas adversárias até ao último terço – quantos ataques parámos em zona média / alta?
  • b) No nosso terço defensivo controlar as entradas para zona de finalização – quantos ataques fomos forçados a defender na nossa grande área?

 

Também na saída para a frente no nosso ataque posicional Portugal demonstrou incapacidade para poder ser efectivo.

Em primeira instância a selecção de Fernando Santos procurou jogar, utilizou o seu guarda redes, que foi ligando com lateral livre, mas invariavelmente foi incapaz de manter paciência no seu processo a todo o instante e perdeu mais posses do que as necessárias a poder instalar-se no meio campo ofensivo.

E sem ataque posicional, cingimo-nos aos ataques rápidos – onde para lá do brilhantismo do golo, ainda Portugal somou mais saídas potencialmente perigosas.

Curto para quem sem bola nunca foi capaz de encaixar a preceito no oponente.

 

Para o segundo período a troca de Renato por um Bernardo formidável no lance do golo mas extenuado por andar atras de Gosens, procurava fechar o espaço livre no corredor.

Contudo, o desencaixe não era individual, mas tático e não tardou a que a Alemanha aumentasse a vantagem na … jogada habitual que chamava a linha defensiva a um corredor e entrava pelo outro.

 

 

Incapazes de pressionar alto sem ser batidos, incapazes de defender a chegada até ao último terço e em inferioridade aí

  • (4 defesas contra 5 – Kimmich e Gosens por fora, Havertz, Muller e Gnabry por dentro)

cada ataque germânico levou perigo e o sofrimento e incapacidade lusa foi acentuando-se.

Só duas opções poderiam condicionar avalanche alemã e nenhuma relacionada com troca por troca técnica.

  • a) Uma linha de cinco atrás se não condicionamos na frente – Seja jogando com três centrais, ou assumindo Semedo como Central, obrigando ala (Bernardo na 1a parte) a jogar como lateral no momento defensivo;
  • b) Pressing na frente capaz de recuperar posse – e não ficar a jogar em inferioridade no terço defensivo

 

 

Com o jogo ganho depois de mais um (participação em golo) de Gosens, e a vencer por 4 a 1, a Alemanha iniciou preparação da fase seguinte, tirou Gosens e Havertz e deixou Portugal respirar, quando todos temíamos que o pior ainda poderia estar para chegar.

Até ao final e perante uma turma em gestão de esforço, Portugal reduziu de bola parada, viu Renato acertar no poste, mas nunca em momento algum pareceu tranquilo ou capaz de se preparar para incomodar num jogo verdadeiramente lastimável do ponto de vista tático.