Arranca mais uma edição do Estoril Open, a única oportunidade de ver os melhores tenistas do mundo ao vivo, em Portugal. E este ano a coisa está melhor do que nunca. Parece um festival de cinema organizado pelo Paulo Branco.

É o melhor quadro de sempre do Estoril Open. É verdade que por já cá passaram grandes nomes do ténis mundial (Roger Federer, Juan Martin Del Potro, entre outros), mas nunca houve um quadro tão competitivo, com gente tão bem cotada e alguma dela bem jovem, que fará parte da foto de família do futuro do ténis.

Sábado e domingo joga-se a qualificação para um torneio que dá isenção da primeira ronda aos primeiros quatro cabeça de séries e que decorrerá no Clube de Ténis do Estoril.

Afigura-se, portanto, particularmente difícil a tarefa de João Sousa, que terá, por certo, como objectivo máximo da temporada a revalidação do título que conquistou o ano passado frente a Frances Tiafoe (e o francês está de volta para pedir desforra).

E depois, convém dizer, o Estoril Open é um irmão mais antigo do ex Lisbon & Estoril Film Festival, que entretanto virou Lisbon & Sintra Film Festival, enfim, o festival de cinema de Lisboa organizado por Paulo Branco, isto é, começam sempre por serem anunciados os maiores e melhores realizadores do mundo do cinema independente e depois vem um ou dois e algumas vezes por videoconferência.

O Estoril Open também tem esse historial trapaceiro, mas, felizmente, até à altura da redacção deste texto, só Kevin Anderson, desistiu. E só, falando do sexto melhor jogador do mundo, tem muito que se lhe diga.

Mas pronto, continuemos, que há mais filmes para ver. Como o de Stefanos Tsitsipas, que chega a Portugal cheio de tempo de preparação, depois de ter sido eliminado nos oitavos-de-final do ATP 500 de Barcelona por Jan-Lennard Struff, o que significará um tombo de dois lugares no ranking, para o 10º lugar da hierarquia. E isto depois de já ter perdido cedo em Monte Carlo, na terceira ronda, para Daniil Medvedev, uma derrota menos grave, claro.

Mas Sousa tem mais com que se coçar. Basta pensar que estarão na areia do Estoril os dois finalistas de Monte Carlo: Dusan Lajovic (que jogou no Mónaco o melhor ténis da sua vida, provavelmente, e que está agora no 24º posto do ranking ATP) e Fabio Fognini (que eliminou Rafa Nadal na sua casa de férias que é Monte Carlo) e que jogou a um nível altíssimo, mesmo com um problema no braço esquerdo (ou seria tudo bluff?).

 

 

O renovado – e versão aparentemente séria e profissional de 2019 – Gael Monfils também é garantia de acrobacia e espectáculo, ele que este ano já venceu em Roterdão e no Dubai só perdeu nas meias-finais, para Tsitsipas. Pablo Carreño Busta, campeão de 2017 e derrotado por Sousa apenas nas meias-finais do ano passado, está também de regresso, ou seja, cuidado.

O mesmo receio é para ter de gente como Alex de Minaur, Frances Tiafoe, Jaume Munar e até o último wildcard atribuído para o belga David Goffin é coisa para meter respeito. O pequeno belga não está em forma, mas sabemos as suas qualidades e consistência.

 

 

No campo das possibilidades menos óbvias, das eventuais surpresas, dos realizadores emergentes, se assim quisermos, cuidado para o bom ténis da armada norte-americana composta por Taylor Fritz, Mackenzie Macdonald e Reilly Opelka.

O cazaque Kukushkin é sempre um osso duro de roer, este já com mais experiência, tal como o argentino Leonardo Mayer. E nunca esquecer o novo Naruto ou Songoku, o novo miúdo japonês a querer aproximar-se dos feitos de Nishikori, Yoshihito Nishioka (#64). O segundo português do quadro, Pedro Sousa (#105)…vejamos o que lhe reserva o sorteio. Prevê-se uma bela semana cheia de bons filmes.