“Não compete em condições desde janeiro. É duro e difícil. Esperemos que recupere o seu nível”.

Na conferência de imprensa de apresentação dos 24 convocados da seleção espanhola, Luís Enrique quis perder uns minutos a justificar porque é que não convocou Sergio Ramos.

Lá tiveram uma conversa privada – que fica, leia-se, privada – e a decisão acabou por ser tomada.

 

Em resposta, o defesa central resolveu responder no Instagram.

«Dói-me não ter podido ajudar mais a minha equipa e não defender Espanha, mas, neste caso, é melhor descansar»

E no Twitter.

 

 

Ora, vamos a números.

Sergio Ramos tem 35 anos e desde o Mundial de 2006 que nunca falhou uma convocatória.

Foram 9 competições, entre Europeus, Mundiais e taças das Confederações

Ora ao lado de Piqué ora ao lado de Marchena.

Começou a usar a braçadeira de capitão a partir de 2016.

Levou o caneco do Mundial em 2010 e dois Europeus: 2008 e 2012.

Só que, este ano, Ramos fez apenas 15 partidas na liga espanhola. E desde março que só fez um jogo e foi na Liga dos Campeões.

 

 

Quanto a internacionalizações?

Nada mais, nada menos, do que 180 partidas com 23 golos marcados.

Agora resta-lhe ter esperanças de ir jogar por Espanha aos Jogos Olímpicos de Tóquio, que decorrem lá mais para a frente no verão.

Mas o Jornal As já veio dizer que o veterano espanhol não faz parte das opções. A ver Ramos, a ver.

 

Cacetadas, cartões e penáltis

A verdade é que mesmo sendo conhecido por ser caceteiro mor (e acumulador de cartões vermelhos na La Liga) – e por falhar penáltis escandalosos – Sergio Ramos guarda um lugar especial na la Roja.

 

 

Tornou-se o mais jovem internacional sénior por Espanha em 55 anos, após ter calçado as chuteiras quatro dias antes de fazer 19 anos.

Esse anivesário celebrou-o a jogar a titular no jogo de apuramento do Mundial de 2006 diante da Sérvia e Montenegro (quando ainda era assim denominada).

 

El capitán

Assim que Iker Casillas foi substituído por David de Gea, Ramos passou a capitaniar os seus colegas, tendo ultrapassado o antigo guarda-redes do Real Madrid e do FC Porto em números de internacionalizações.

E, a partir de 2019, tornou-se no jogador europeu com mais internacionalizações, ultrapassando o italiano Gianluigi Buffon.

 

 

Agora que vai ter um tempo para descansar, sempre pode dedicar o seu tempo na sua coudelaria na Andaluzia, a tratar dos cavalos. Ou a fazer mais uma tatuagem. Ah. Ah. Ah.

Ficam a faltar mais duas curiosidades: este ano, la Roja deixa de ter jogadores no plantel que venceram o euro 2008, sendo que Ramos era o último.

E o centralão merengue podia tornar-se o primeiro europeu a ganhar três Euros.

Pode ficar é um recorde por alcançar – o ser o mais internacional do mundo, título detido pelo egípcio Ahmed Hassan com 184 partidas nos pés.