Paris parece estar a arder.

Naomi Osaka abdicou do torneio depois de uma polémica que se seguiu a uma não-comparência da japonesa numa conferência de imprensa.

Segundo aquilo que corre nos corredores do circuito WTA e nos bastidores de Roland Garros, corroborado por declarações da irmã da tenista, Osaka terá ouvido de um familiar, nas vésperas do torneio francês, que é má jogadora em terra batida.

Ora isso relaciona-se com o facto de ser confrontada com esse facto em cada conferência de imprensa durante a temporada em que se joga no saibro.

Tendo em conta o seu estado mental frágil, decidiu não comparecer.

A ameaça logo se levantou, como quem diz que mais uma destas e ficas de castigo.

Activista de várias causas, sempre com um discurso político, a número 2 mundial virou a mesa e foi para casa, num evidente sinal de protesto que pretende fazer a modalidade repensar a protecção dos tenistas em relação à imprensa e sobretudo o seu estado mental, nem sempre afinado como as suas pancadas.

 

 

Apoios de todo o lado

Os apoios de outros desportistas seguiram-se imediatamente, via Djokovic, via Coco Gauff, via Stephen Curry dos Golden State Warriors, Serena e Vénus Williams, entre tantos outros.

É um momento triste, até porque Osaka alertou que ia passar algum tempo fora de court, e ter uma das melhores tenistas da actualidade ausente nunca é boa coisa.

 

Paris arde, arde, arde

E Paris continua a arder por outros motivos.

Aquele primeiro set de Djokovic sobre Tennys Sandgren na sessão nocturna de ontem é um deles.

A profundidade absurda, a qualidade impressionante em cada pancada, se o sérvio jogar sempre àquele nível… Rafa que se cuide.

 

 

Susto de Nadal

Quanto a Nadal ainda teve de defender um set point diante de Popyrin, mas um susto por dia não sabe o bem que lhe fazia.

Ainda no quadro masculino, assinalar a escandalosa derrota de Andrey Rublev diante de Jan-Lennard Struff.

 

 

Atenção, quando utilizamos adjectivos como “escandalosa” não queremos ofender o alemão, que é um excelente jogador e que tem praticado bom ténis na temporada de terra batida, mas um jogador com o talento e a forma em que se tem apresentado Rublev não pode ceder na primeira ronda de um torneio de Grand Slam.

Embora: não possamos mentir, os sinais estavam lá.

Depois da final de Monte Carlo — onde perdeu para Tsitsipas — o russo perdeu:

  • nos quartos-de-final de Barcelona diante de Jannik Sinner
  • nos oitavos-de-final de Madrid com John Isner (surreal derrota, isto não é relva)
  • e quartos-de-final de Roma diante de Lorenzo Sonego

Melhores dias virão, Rublev.

Uma palavra ainda para mais uma derrota prematura de Auger-Aliassime, desta vez diante de Andreas Seppi — o trabalho com Toni Nadal está a dar frutos… Podres.

 

Party Barty

No quadro feminino, Ash Barty soma e segue, ainda que tenha cedido um set diante de Bernarda Pera — segue-se Magda Linette na próxima ronda.

Iga Świątek está a jogar a um nível tremendo, e tem agora encontro marcado para amanhã diante da sueca Rebecca Peterson.

 

 

Será surpreendente se a polaca não revalidar o título de Roland Garros.

Serena Williams também segue em prova e tem encontro marcado para o dia de hoje com a romena Mihaela Buzărnescu.

Ontem também foi dia de Coco Gauff, a sobredotada norte-americana, vencer Krunic num jogo muitíssimo equilibrado: 7-6, 6-4.

Amanhã terá do outro lado do court a chinesa Wang, pelo que o nível de dificuldade vai subir.

Em Roland Garros, o solo é lava. Ou seja: meias grossas e ténis adequados.