O panorama já esteve mais animado lá para a Catalunha. Ontem, diante de um Atlético de Madrid a roçar a banalidade, sobretudo em momento de posse, o Barcelona disse, provavelmente, adeus ao 27º título de campeão espanhol.

Se o Real Madrid vencer nesta quinta-feira o Getafe, no Santiago Bernabéu, fica com 4 pontos de vantagem faltando 5 jogos para o fim do campeonato — com um calendário que, pese embora a deslocação a Bilbau ou a recepção ao Villarreal, parece ser amigo.

 

Benzema e um calcanhar daqueles (que pode valer o título)

 

É lógico que se olharmos para o resto do campeonato, percebemos que o normal seria o Real perder pontos diante do Getafe, pelo menos se nos basearmos na constante alternância de liderança entre os dois colossos espanhóis, mas numa altura tão decisiva, é difícil crer que o Real volte a vacilar.

Mas regressemos a Camp Nou.

O Barça que ontem se adiantou no marcador às custas de um autogolo de Diego Costa e quase viu o enfant terrible hispano-brasileiro aumentar a sua ajuda com um lance de grande penalidade falhado (vá lá que o VAR mandou repetir e Saúl converteu para o 1-1) é um Barça que dá alento e mantém vivo a presente edição da La Liga.

 

Mas — até a fazer lembrar alguém que joga num país um bocadinho ao lado — é sempre sol de pouca dura. Foram uns breves vinte ou trinta minutos, sobretudo graças à genialidade de um menino que acaba de chegar e dizer: “isto é tudo meu”. Se não disse, foi por pura timidez.

Riqui Puig, este médio-centro de 20 anos foi dos poucos iluminados do conjunto catalão que ontem Quique Sétien apresentou.

 

A forma como sempre quis ter bola, ser o principal barómetro do jogo ofensivo do Barcelona, e o brilhantismo com que o fez são raros. Sobretudo quando a batata está quente, quando Suárez rebenta aos 60 minutos sem chegar a ser substituído, quando Griezmann entra aos 90 minutos, quando parece haver problemas no balneário e quando já nem Messi chega.

Depois do segundo golo do Atlético, também ele por penálti, num lance aparentemente inofensivo que lhes pode bem ter custado o campeonato, esperar-se-ia uma reacção. E, mais uma vez, se a houve foi do miúdo Puig.

 

Ele que vinha atrás buscar, que procurava tabelas, que sempre olhava para ver onde estava Messi. Mas que parecia querer empurrar uma cómoda de uma tonelada por um prédio altíssimo, sem elevador e sem ajuda, nem um vizinho. Assim nunca mais se finalizam as mudanças.

Apesar de já ser campeão espanhol, por virtude da sua participação em três jogos da La Liga 2018/19 (quando já tudo estava resolvido), só agora Puig começa a estabelecer-se realmente na primeira equipa do plantel de Sétien.

Quinta-feira 2 julho 21h00
Espanha – La Liga
Real Madrid vs Getafe
1,35 – 4,65 – 8,25

 

Porém, há um dado que devia fazê-lo estar mais vezes dentro das quatro linhas: quando Puig participa no jogo, o Barça não perde. A primeira vez que saltou do banco foi a 19 de Janeiro, na vitória diante do Granada, que corresponde precisamente ao primeiro jogo de 1,35 – 4,65 – 8,25Sétien no comando da equipa.

 

 

Mais à frente, na já vitória recente ao Athletic por 1-0, foi o primeiro a sair do banco por troca com Arthur e acrescentou dinâmica ao meio-campo, sobretudo quando acompanhado por Rakitic, que viria a fazer o golo da vitória. E contra o Celta e agora contra o Atlético de Madrid foi claramente das unidades mais dos Blaugrana.

É, sem dúvida, um jovem com um toque de bola, uma intensidade de jogo, uma extrema facilidade no passe, uma bela visão de jogo. Tem apenas 1,69m, mas o que é que isso importa numa equipa para o Barcelona?

E mesmo que queira fazer carreira noutro sítio, o que não tem de altura, tem de grandeza nos pés. Começou no UFB Jabac Terrassa, um clube de formação catalão que também já tinha dado Busquets ao Barcelona, e aos 14 anos rumou a La Masia.

 

 

Passou a alguns a desenvolver as suas qualidades — e por certo a ver vídeos de inúmeros craques que já passaram por aquelas instalações — e foi membro essencial na vitória da Youth League 2016/17.

Ao lado de estrelas como Abel Ruíz (actualmente no Braga), Carlos Pérez (Roma), Juan Miranda (que esteve emprestado ao Schalke e que tem sido, recentemente, apontado ao FC Porto; um lateral-esquerdo de excelente qualidade), Alex Collado e Jandro Orellana, ainda ao serviço do Barça, Puig foi um dos motores de um meio-campo que destruiu o Chelsea na final (0-3), que tinha na sua equipa jogadores como Callum Hudson-Odoi, Reece James, Daishawn Redan, Tariq Lamptey, Marcin Bulka, entre outros.

Em tempos tão conturbados, o melhor é manter Puig por perto, o jovem que ainda traz alegria a Barcelona. Até porque certamente se lembrarão do que aconteceu ao último grande catalão cujo apelido começava com estas quatro letras: P U I G… Não seria boa notícia.