Após a desqualificação prematura de Novak Djokovic, todos os olhos — com as suas temíveis expectativas — se voltaram para Dominic Thiem, o segundo pré-designado do torneio.

E mais evidente se tornou que era esta a sua oportunidade quando, nas meias-finais, superou Daniil Medvedev em três sets.

Desta forma, assentava arraiais na quarta final de Grand Slam e tinha pela frente o potente jovem alemão Sascha Zverev. Ninguém acreditava noutra coisa que não na vitória do poderoso austríaco.

Mas a realidade queria provar ser mais áspera que as suposições e quando Zverev ganhou os dois primeiros sets de forma completamente dominadora e diante de um Thiem irreconhecível

  • sem profundidade de bola;
  • a insistir em erros directos ora desviados, ora na tela;
  • sem conseguir incomodar com o primeiro serviço (quando entrava);
  • sem cerrar o punho

aqueles que antes não acreditavam noutra coisa que não na vitória do número 3 mundial passaram a não acreditar noutra coisa que não na vitória do alemão.

Se o sentimento é de montanha-russa ou de labirinto é uma digna aproximação daquilo que foi esta final do US Open.

 

 

Mas à quarta foi de vez, à quarta final de Grand Slam obtida por Thiem foi hora de levantar o troféu — superando Ivan Lendl e Andy Murray que foram os únicos tenistas a perder as suas primeiras quatro finais de major.

2-6, 4-6, 6-4, 6-3 e 7-6 foi o resultado final de um jogo de loucos.

Parece ter sido quase no final do segundo set, depois de ter estado com desvantagem de dois breaks, que Thiem parece ter decidido ganhar.

Viria a perder esse set na mesma, mas apenas por um break de diferença e com muito mais confiança a bater na bola.

Aliás, começou, como sempre o faz, a espancar a amarela e a falhar bem menos.

Zverev piorou no serviço, começou a duvidar, mas foi sempre um adversário dificilíssimo, a não entregar qualquer ponto, um jogador de excelência que certamente ganhará muitos slams ao longo da sua carreira.

O quinto set é capaz de ter provocado uns ataques cardíacos na Áustria e na Alemanha.

Começou com um break para cada lado.

Os jogadores, apesar de ainda se fartarem de fazer winners, estavam já visivelmente debilitados fisicamente e ambos concluiriam o jogo com cãibras intensas.

Zverev serviu para vencer o torneio a 5-3, mas Thiem não permitiu que fechasse. O mesmo aconteceu com o austríaco, que podia ter fechado o jogo ao 7-5.

Mas só no tie-break a coisa se resolveu, depois de uma reviravolta histórica e de uma batalha de fundo do court épica.

 

 

 

Osaka, outra vez

Na noite anterior, a história não foi muito diferente.

Naomi Osaka esteve muito perto de perder o seu terceiro título de major.

A japonesa encontrou uma Azarenka a jogar ao mais alto nível, como de resto já havia acontecido durante todo o torneio e até antes, em Cincinnati — onde a bielorussa venceu depois de Osaka nem ter entrado em court para a final.

 

 

Azarenka, que parece renascida para o ténis, depois de ter sido mãe e de ter estado afastada durante bastante tempo, venceu o primeiro set e estava a meter tudo o que era bolas, tudo entrava.

A meio do segundo set, a japonesa elevou o nível de jogo, tornou-se mais agressiva e, no fundo, disse quem mandava em court.

Viria a vencer 1-6, 6-3 e 6-3 e já só está a 20 títulos de Grand Slams de distância da lenda viva Serena Williams.

 

Masters de Roma

Apesar de todas as polémicas existentes neste US Open, a coisa lá se concluiu e os circuitos — masculino e feminino — já estão a rodar na Europa, mais precisamente em Roma, onde se disputa o Masters 1000 da capital italiana.

O que também significa o regresso à terra batida e de Rafa Nadal, Monfils, Fognini, Wawrinka, entre outros.

Será que o espanhol — recordista de vitórias no torneio, com 9 troféus levantados — volta a sorrir em Itália?

Uma última nota para salientar as duas vitórias de João Sousa na qualificação do torneio. O último entrave para o acesso ao quadro principal é Tennys Sandgren, que não é propriamente especialista em terra batida. Vejamos se o português consegue ser feliz.

Sugestão de aposta:

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