Todos os anos a história se repete.

É por isso que todos os cardiologistas sérios já desaconselharam o visionamento do Championship, sobretudo no que às últimas jornadas e consequente playoff diz respeito.

É uma loucura, como aquelas festas que não podem servir todos os contentamentos, em que uns saem de ego renovado e fortalecidos e outros saem desiludidos, sem avisar, pela porta da garagem.

Para os cardíacos playoffs apuram-se, como sempre, as equipas que acabarem entre o terceiro e o sexto lugar da competição: Brentford, Fulham, Cardiff, Swansea.

Com uma primeira eliminatória a duas mãos e uma final disputada num só jogo, obtém-se a terceira equipa que estará na próxima edição da Premier League e que se vai juntar a Leeds United e a West Brom.

 

Ontem, na primeira eliminatória, que coloca Swansea e Brentford frente a frente, os galeses sacaram uma importante vitória por 1-0.

Jogando em caso e aproveitando os gritos encantatórios das gaivotas e o movimento provocado pela partida dos barcos em busca de peixe, a equipa de Steve Cooper alimenta o sonho de voltar aos grandes palcos ingleses.

 

A primeira parte foi bastante dividida, com ambas as equipas a começaram o jogo de forma cautelosa — não fosse isto a eliminar — e a tentar chegar, gradualmente, à baliza contrária.

Nesse ponto, nos primeiros 45 minutos, o Brentford foi aquela que criou mais perigo, em virtude das arrancadas de Mbeumo, da genialidade de Benhrama e da intensidade do excelente médio inglês Joshua da Silva.

 

Mas, diga-se, nunca foi avassalador.

Teve, de facto, dois ou três lances que podiam ter feito abanar o marcador, mas o Swansea — mais um pedaço de sorte — esteve quase sempre coeso. Depois do descanso, o vento ficou ainda mais a favor dos Seagulls, que aparecem determinados, movidos por um combustível duo composto por Ryan Brewster e Andre Ayew, também apoiados por Callum Gallagher.

E, ainda assim, a coisa podia ter acabado pior para a equipas de Thomas Frank. Aos 64 minutos, o ganês Ayew falha um pontapé de grande penalidade e dois minutos depois, com uma entrada violentíssima e despropositada, Rico Henry é expulso directamente. O golo — de Ayew, retribuindo o erro anterior — chegou apenas aos 82, mas podia ter acontecido antes por várias vezes e até depois.

 

Vejamos qual a reacção que o Brentford terá na segunda-mão a ser jogada quarta-feira.

Hoje, é a vez de Fulham e Cardiff se enfrentarem.

Um primeiro dado essencial é que estas são as duas equipas que desceram o ano transacto da Premier League, sabem o que é estar em trânsito de mãos dadas.

 

Outro dado importante, e uma vez que a primeira mão se disputa (tal como o jogo de ontem) em solo galês, é que o Cardiff é uma máquina temível quando joga no seu terreno. Em 23 jogos disputados no seu estádio, só perdeu por três vezes e nunca foi com as equipas da frente — nem sequer com nenhuma das que marca presença neste playoff.

Conhecida como uma equipa de dinâmicas equilibradas e de tentativa de exploração das bolas parados, dos seus jogadores mais altos e de contra-ataques para as suas setas de alta cilindrada, o Cardiff será certamente um osso duro de roer para o Fulham. E para qualquer outro clube, uma vez que a eliminar, não vai ser tarefa fácil.

 

Por sua vez, os londrinos liderados por Scott Parker têm que confirmar o estatuto de favorito ­— que os fez andar sempre em torno e nos próprios lugares directos de promoção — e despachar os homens da capital do País de Gales.

Ivan Cavaleiro está lesionado e falha o jogo. Tem sido — e bem — substituído pelo congolês Neeskens Kebano, que tem sido uma das grandes figuras da equipa nos últimos dois jogos disputados. Ainda que, obviamente, Mitrovic continue a ser a grande figura. Se bem que figuras, em jogos tão imprevisíveis quanto estes, nem sempre significam vitórias. Esperemos para ver.