A memória é uma coisa tramada — mas felizmente a tecnologia tem-nos tornado quer mais preguiçosos, quer menos mentirosos.

Quando alguém diz: “Eu tenho a certeza de que…” Há sempre outro alguém que quer confirmar. Este é o aviso inicial que antecede esta pergunta: Alguém se recorda de uma Premier League tão equilibrada, nos últimos anos, à jornada 11?

Pois, o melhor é verificar.

Brighton 2,45 vs Southampton 2,80
Segunda-feira 7 Dezembro 20h00

 

Em 2019/20, por esta altura, o Liverpool levava já 6 pontos de avanço sobre o City e 8 sobre Leicester e Chelsea — e não menos curioso será que à 12ª Jornada recebeu e venceu o City por 3-1, disparando para 9 de avanço para a equipa de Guardiola.

E pronto, em 2018/19 a coisa até estava relativamente equilibrada: City liderava com 29 pontos, mais dois que Chelsea e Liverpool e mais cinco que o Tottenham.

 

Em 2017/18, o City liderava com mais 8 pontos que United e Tottenham e mais 9 que o Chelsea. Como podem ver, há já algum tempo que não existia uma liderança bipartida à 11ª ronda da Premier League.

Além disso, Chelsea está a dois pontos da mesma e Leicester a três. United (a cinco) e City (a seis) já estão um bocado mais afastados, mas ainda à distância de duas vitórias, portanto perfeitamente recuperável, sobretudo se pensarmos que os rivais de Manchester têm menos um jogo que os restantes adversários de cima da tabela.

 

Com os mesmos jogos — porque só hoje joga diante do Brighton no embate que encerra a jornada — está o Southampton. E de que maneira. Está e com estilo.

A equipa de Ralph Hasenhüttl está a fazer uma campanha de enorme nível, e não fosse a terrível segunda parte realizada na ronda transacta com o Manchester United — onde a ganhar 2-0 ao intervalo permitiram a reviravolta — estariam hoje ainda melhor classificados.

 

Contudo, uma vitória hoje sobre o complicado Brighton (equipa muito bem orientada por Graham Potter, que apesar do 16º resultado tem apresentado um futebol intenso, organizado, tem complicado a vida a alguns grandes) dá ao Southampton o quinto lugar isolado da primeira liga (ainda que provisório, em virtude dos jogos em atraso de City e United).

E isso, estimados leitores, não é obra do acaso. É grande obra, na verdade. Uma equipa que o austríaco tem vindo a trabalhar desde que chegou ao clube (2018/19) e que está agora no seu ponto rebuçado.

 

A defesa é organizada e consistente (Bendnarek e Vestergaard no eixo, Walker-Peters e Bertrand nas alas), o meio-campo com a rotação de Ward-Prowse e o posicionamento e corpanzil de Oriol Romeu, Armstrong, Djenepo e Walcott como homens rápidos soltos na frente e Che Adams (e já agora Danny Ings que tem estado afastado por lesão) a tentar introduzir a bola no fundo da baliza.

É uma equipa e peras. E por isso o jogo de hoje não deve ser perdido.

Recuperando o resto da jornada, a verdade é que os principais favoritos cumpriram a sua função.

 

O City, o United e o Chelsea venceram os seus jogos no sábado, sem grande dificuldade, talvez mais caótico tenha sido o encontro dos red devils na deslocação a Londres para defrontar o West Ham, mas assim que Bruno Fernandes saltou do banco, a coisa ficou mais fácil.

O Chelsea apesar de ter começado a perder diante do Leeds também conseguiu fazer vencer a lei do mais forte. E ontem, ontem foi caso sério. Ontem foram os líderes a dizer que quem manda são eles.

 

O Tottenham despachou o Arsenal com uma frieza impressionante.

A equipa de José Mourinho parece estar cada vez mais confiante, cada vez mais coesa e está cada vez mais difícil alguém marcar-lhe um golo (o último golo sofrido foi na Jornada 7, durante a recepção ao Brighton).

O Arsenal de ontem quis ir para cima do Tottenham e ora isso é precisamente aquilo que a equipa londrina mais deseja: venham, venham, que a gente já vos apanha em falso. E com Son e Kane tudo fica mais fácil.

 

Quanto ao Liverpool dominou completamente uns Wolves que apesar de estarem ainda a relacionar-se com a ideia de não terem Raúl Jiménez, não podem apresentar-se a um nível tão deficitário.

Bem sabemos o quão o Liverpool é letal, mas a equipa de Nuno Espírito Santo tem de conseguir ser mais dinâmica durante as próximas rondas, em que o avançado mexicano vai estar afastado dos relvados. Será a oportunidade ideal para Fábio Silva?

A Premier League soma e segue. E para a semana com um dérbi de Manchester para saborear.