O mundo acordou esta terça-feira sobressaltado quando olhou para a classificação do campeonato português e viu lá um clube que há pouco tempo estava à beira de ruir, depois do ataque a Alcochete.

O Sporting, depois do deslize com estrondo do Benfica contra o Boavista (3-0, sem dó nem piedade), está em primeiro lugar.

São seis jornadas, é verdade, mas este acontecimento não se dava desde a primeira época de Jorge Jesus em Alvalade.

E se muitos elogios se têm feito à gestão de Rúben Amorim do seu plantel mais jovem, o melhor é olhar para um médio franzino de Vidago, de seu nome Pedro Gonçalves. Ou, se quiser, “Pote”. Ou vá, “Potinho”, como lhe chamava o avô.

Mas deixemos as alcunhas de parte – até porque são um pouco maliciosas – e olhemos para a nova estrela do Sporting, com apenas 22 anos, que muitos já dizem ser o substituto de Bruno Fernandes.

A brincar, a brincar, Pedro Gonçalves igualou o médio do Manchester United (e outros tantos antigos jogadores leoninos como jardel ou Liedson) ao marcar em três jogos consecutivos nas primeiras cinco partidas da liga.

Aliás, na verdade, o novo médio do Sporting fez mais um tento que o antigo leão nos primeiros três jogos.

Olhemos então para o seu passado.

Começou a jogar na sua terra, quando a mãe era roupeira no clube, e despertou logo o interesse do Desportivo das Chaves. Não ficou lá muito tempo, porque o Sporting de Braga o foi buscar.

No entanto, em 2015, quando ainda nem sequer tinha atingido a idade adulta, o Valência “raptou-o” para Espanha, quando Nuno Espírito Santo era treinador principal. Só que Pote não chegou à equipa principal, ficando só a fazer a formação no clube espanhol.

Dois aninhos sem chegar aos grandes. Duro. Fez as malas e rumou a Inglaterra para o Wolverhampton, também de Nuno Espírito Santo.

 

Duas épocas, entre os sub-21 e os sub-23, chegou a jogar na Taça de Inglaterra. Três meses a viver ao lado de Rúben Neves, a quem foi dedicando uns golos – actividade, entretanto interrompida, por “ciúmes” da namorada.

Só que Portugal chamou, neste casoa equipa modelo de Jorge Mendes, Famalicão, que acabou a época passada em sexto lugar, a morder os calcanhares de um lugar de acesso à LIga Europa.

40 jogos, sete golos, marcando ao Benfica na Taça de Portugal e ao FC Porto na segunda ronda do campeonato. O suficiente para os responsáveis de Alvalade o contratarem.

 

Dizem os antigos companheiros de equipa como Fábio Martins, que Pote é chato por falar muito em campo.

Até pode ser, mas a verdade é que resulta.

Até porque o seu antecessor, Bruno Fernandes, também ficou conhecido por deixar cabelos brancos ao árbitro, à equipa técnica e aos adversários.

Pedro Gonçalves já tem o golo, o carinho dos adeptos, a preponderância na equipa e o mau feitio. O que faltará para fazer esquecer o médio dos red devils?