Este Open da Austrália teve os seus momentos. Reviravoltas próprias da terra dos cangurus, que só assim parecem possíveis.

Pensemos na pseudo-lesão de Novak Djokovic, que quase nos fez cair na tentação de acreditar que Taylor Fritz seguiria para os oitavos-de-final.

  • as minas no caminho de Daniil Medvedev diante de Krajinovic
  • a reviravolta de Thiem diante de Kyrgios
  • ou até o mortal encarpado do russo Aslan Karatsev diante de Félix Auger-Aliassime (não, Félix, ainda não foi desta), que aos 27 anos, na sua primeira participação num torneio de Grand Slam conseguiu o feito surreal de se sentar à mesa dos quartos-de-final

O seu maior problema é, talvez, ter de enfrentar um Grigor Dimitrov que desfez Dominic Thiem, com um 6-4, 6-4, 6-0, certamente inesperado pela grande maioria dos seres humanos existentes neste planeta.

 

 

Além de Karatsev, há mais dois russos nesta fase do Open da Austrália: os amigos Rublev e Medvedev vão enfrentar-se novamente nos quartos-de-final de um major.

O ano passado, no US Open, Medvedev venceu por 3-0, ainda que com sets equilibrados. Será que Rublev se consegue livrar dessa nuvem que parece teimar em dizer-lhe que o melhor tenista russo da actualidade não é ele?

Espera-se um grande encontro.

 

Tal como os dois confrontos dos quartos-de-final masculinos, que são uma espécie de final antecipada em qualquer um dos casos.

Djokovic, já recuperado — mas com jeitinho interpretativo para usar a suposta lesão neste jogo — enfrenta um temível Sasha Zverev, que chega aos quartos-de-final com apenas um set perdido, diante de Marcos Giron e logo na primeira ronda.

 

Desde aí, nem ai nem ui, irrepreensível a prestação do alemão, que nunca venceu o sérvio em torneios do Grand Slam — as únicas duas vezes que superou o número 1 mundial foi em 2018, nas Nitto ATP Finals e na final do ATP Masters 1000 de Roma, em 2017, portanto, já lá vão uns anos deste que conseguir atirar Nole ao chão.

O quarto jogo desta fase não é menos interessante.

 

Rafa Nadal vai encontrar Stefanos Tsitsipas que tem a vantagem de não ter precisado de entrar em court em virtude da lesão de Matteo Berrettini — e logo num momento em que o italiano estava a jogar a um nível impressionante.

Já El Toro não teve problemas para despachar Fabio Fognini em três sets tranquilos.

Este encontro vai ser a repetição das meias-finais do Open da Austrália 2019, que Rafa transformou em passeio: 6-2, 6-4, 6-0.

Vejamos se esta é a oportunidade ideal para o grego conseguir deitar Nadal ao chão. A verdade é que a superfície o favorece, e vencer Nadal neste contexto tem sempre outra importância. Um dia a Grécia vai ter de estar pronta.

 

Do lado feminino, Ash Barty vai ter um difícil encontro com a checa (muito em forma) Karolina Muchova — já eliminou Karolina Pliskova e Elise Mertens neste torneio. Há ainda um encontro norte-americano entre Jennifer Brady e Jessica Pegula, em virtude de vitórias sobre Donna Vekic e (de forma totalmente inesperada) sobre Svitolina, respectivamente.

 

 

Naomi Osaka, clara favorita à vitória final pela forma incrível como o seu ténis se tem manifestado em court, joga diante de Su-Wei Hsieh, a veterana de 35 anos tem sido a grande sensação deste torneio.

Para aqui chegar venceu nada mais nada menos que Pironkova, Andreescu, Errani, Vondrousova. Razões para Osaka ter medo. Sobra ainda um jogo seguramente mais intenso dos quartos-de-final: Simona Halep diante de Serena Williams.

 

 

Duas jogadoras que passaram por jogos de alto nível de dificuldade para estar aqui. Serena venceu Sabalenka em três sets e Halep virou o jogo diante da muito talentosa jovem polaca Iga Swiatek.

Já era obrigatório, mas a partir desta fase, minha gente, é não dormir durante uma semana. Ou por outra: dormir durante o dia, ver ténis durante a noite.