O regresso da Liga dos Campeões é sempre um momento de animação, entretenimento que ocupa o meio da semana, relembrar que o futebol não é só de sexta a domingo.

É como se fosse um aniversário. Daqueles a que gostamos de ir, jantar num sítio mais chique do que três-mini-pratos-e-bebida-à-descrição.

Assim decorreu ontem o primeiro dia de fase-de-grupos, com resultados curiosos.

O atribulado Manchester United foi a Paris vencer o PSG, com dedo (dos pés, ou chuteira, se preferirem) portuguesa.

Apresentando uma equipa algo estranha, com uma linha de três centrais preenchida por Tuanzebe, Lindelöf e Luke Shaw (algo que deixa mais do que expostas as deficiências que Ole Gunnar Solskjær possui no plantel e que nunca parece conseguir resolver) e o recém-chegado Alex Telles a fazer o corredor esquerdo, enquanto que Wan-Bissaka fez o corredor direito.

Quarta-feira 21 outubro 20:00
Liga dos Campeões
Manchester City vs FC Porto
1,23 – 6,50 – 8,25

 

O estranho deu jeito e convenceu: Bruno Fernandes e Rashford resolveram o jogo para os red devils, com um autogolo de Martial pelo meio.

No mesmo grupo, o Leipzig despachou o Başakşehir, com bis de um dos melhores laterais-esquerdo da Europa da actualidade: Angeliño.

 

O regresso da fase de grupos da Liga dos Campeões

 

No grupo E, o Chelsea empatou a zero na recepção ao Sevilha e o Rennes não foi além do 1-1, no seu terreno, diante do Krasnodar.

No grupo G, Barcelona e Juventus ganharam os seus jogos sem grandes problemas, pelo que a grande luta do grupo será pelo primeiro e pelo terceiro lugar — o que dará acesso à Liga Europa ao Dínamo Kiev ou ao Ferencvárosi.

 

Os jovens que vão brilhar na Champions (com Trincão e Daka à cabeça)

 

A grande surpresa da jornada terá acontecido no grupo F, onde o Dortmund foi dominado pela Lazio no Olímpico, com Ciro Immobile (que sabe o que é jogar pelos alemães) como figura de proa.

No mesmo grupo, o Club Brugge foi a São Petersburgo vencer um Zenit desfigurado e sem nervo: 1-2.

 

Porto em Manchester

Mas vamos ao que mais nos interessa: a participação portuguesa na prova.

O FC Porto, depois de um ano fora deste espaço que tão bem sabe ocupar, está de regresso e logo diante de um jogo de elevado grau de dificuldade: no Etihad, diante do Manchester City de Pep Guardiola.

Se é verdade que este é um Porto algo frágil, que sucumbiu com o Marítimo em casa e não foi além do empate em Alvalade, não menos verdade é que este também não é o melhor City.

É 11º classificado na Premier League, com 2 vitórias, um empate e uma derrota, tem um jogo a menos que a maior parte das equipas, portanto o lugar que ocupa na tabela não é propriamente verdadeiro, mas para quem tem seguido os jogos do City sabe do que falamos.

O empate com o Leeds é um belo exemplo disso, de um jogo pobre, pouco criativo. E dizer isso de uma equipa de Guardiola é porque alguma coisa não está bem.

E o que dizer da derrota em casa por 2-5 com o Leicester? Pois.

 

Dito isto, sabemos que a tarefa do FC Porto é hercúlea.

Nunca na sua história o clube venceu em Inglaterra, e não marcou qualquer golo nas últimas sete visitas a terras de sua majestade, tendo acumulado 15 golos sofridos.

Da última vez que as duas equipas se defrontaram foi nos 16-avos da Liga Europa 2011/2012 e o City, à época comandado por Mancini, superou o Porto com um contundente 4-0 em Manchester (golos de Aguero, Silva, David Pizarro e Džeko) e com um 1-2 na invicta. É claro que à época não estava uma armada benfiquista do outro lado.

O facto de Rúben Dias, João Cancelo e Bernardo Silva vestirem azul-claro nos dias que correm é logicamente uma motivação extra para os dragões, que podem encarar isto como uma espécie de clássico deslocado.

Tanto melhor será se os três — como parece provável que aconteça — joguem como titulares. Cautela.