Seja sob a forma de uma cremosa sobremesa ou de um daqueles queijos rijos, que infestam a sala de jantar, as Nitto ATP Finals assumem sempre esse lugar pós-refeição, entre o café e o digestivo.

E se em muitos casos esse momento não consegue superar o prato principal, no ténis o melhor é não o dar como garantido.

Até porque estamos perante os oito melhores comilões do ano, dispostos na mesma mesa, provavelmente esfomeados.

Na verdade, são os oito melhores disponíveis — Roger Federer, a lenda, preferiu resguardar-se para se atirar a outros títulos em 2021, sobretudo depois de ver Rafael Nadal a igualar o seu recorde de 20 títulos de Grand Slam recentemente.

Domingo, dia 15 14h00
Dominic Thiem x Stefanos Tsitsipas

 

No lugar do herói suíço estará outro grande tenista, que tem melhorado a cada temporada e que mereço estar aqui sentado com os melhores.

Falamos de El Peke, Diego Schwartzman, argentino que embora possa não chegar com os pés ao chão, é um atleta de enorme talento, sempre difícil de superar e que se qualificou à frente do italiano Matteo Berrettini.

Domingo dia 15, 20h00
Rafa Nadal x Andrey Rublev

 

Na quinta-feira foi cumprido o sorteio e eis o que podemos esperar.

No Grupo Tóquio 1970 (primeira sede das ATP Finals, há 50 anos) estão Novak Djokovic (#1), Daniil Medvedev (#4) Sacha Zverev (#5) e Diego Schwartzman (#8).

Já no Grupo Londres 2020 estão Rafael Nadal (#2), Dominic Thiem (#3), Stefanos Tsitsipas (#6) e Andrey Rublev (#7) .

Caso para dizer está aqui um belo imbróglio, não é verdade?

Segunda-feira dia 16, 14h00
Djokovic x Schwartzman

 

É por isso que as ATP Finals são das competições mais equilibradas e interessantes do calendário, porque ainda que existam favoritos à partida — por alguma razão existem os rankings e uns estão acima dos outros — qualquer resultado pode acontecer.

Basta pensar que a última vez que o primeiro pré-designado à conquista final do torneio confirmou o favoritismo nas ATP Finals foi em 2016, à boleia de Andy Murray (naquele ano louco em que vence Wimbledon e os Jogos Olímpicos.

Segunda-feira dia 16, 20h00
Medvedev x Zverev

 

Daí para cá só coisas inesperadas aconteceram: Grigor Dimitrov venceu em 2017, Zverev em 2018 e Tsitsipas em 2019.

Portanto, por esta perspectiva, as hipóteses de El Peke ou Rublev estão bem vivas, mas também serão aqueles que jogarão com menos pressão, uma vez que são aquelas que mais depressa descartamos da conquista do troféu.

 

Por outro lado, Zverev e Tsitsipas, como anteriores vencedores e jogadores de tremendo talento são sempre candidatos. Acresce o factor de já terem provado que conseguem vencer os melhores — sobretudo a dois sets.

Nadal quer ganhar um torneio que nunca ganhou (as duas melhores prestações são duas finais perdidas, uma para Federer e outra para Djokovic).

E o sérvio número um mundial — que parecia já ter terminado a época depois daquela derrota com Lorenzo Sonego e da garantia desse primeiro posto do ranking ATP — quer vencer a competição pela sexta vez de forma a igual Federer.

E, em relação ao suíço, quer ainda superar o recorde de 310 semanas como líder do ranking mundial, algo que poderá concretizar-se no dia 8 de março de 2021 se Djokovic vencer o torneio sem derrotas na fase de grupos.

Quando a Daniil Medvedev já todos sabemos do que é capaz quando está motivado e a bater bolas de forma solta e descomprometida.

 

Como podem ver: não faltam motivos de interesse para a 50ª edição das ATP Finals que pelo último ano habitam a O2 Arena, em Londres.

Para os próximos quatro anos mudam-se para Turim, onde também se jogara em hard court, no estádio coberto de Pala Alpitour.

Para já, na despedida a Londres há dois jogos diariamente a partir de domingo, um às 14h e outro às 20h.

No domingo começamos com um Dominic Thiem x Stefanos Tsitsipas e com um Rafa Nadal x Andrey Rublev. Nada mau para abrir o apetite. E no segundo dia logo um Djokovic x Schwartzman e a repetição da final do Masters 1000 de Paris: Medvedev x Zverev. Cuidado.