O ponto de partida para o jogo não era aquele que se tem visto nos últimos tempos. Com este jogo, o United está há dez jogos sem perder para todas as competições, algo que não tem sido muito frequente desde o orfanato que Old Trafford virou desde a saída de Sir Alex Ferguson.

Já o City, apesar de vir de cinco vitórias consecutivas para todas as competições, a sua última derrota havia sido diante de um Tottenham que todos sabemos estar num momento terrível. E todos vimos as dificuldades que a equipa de Guardiola teve em Madrid, diante de um Real que também já conheceu melhores dias.

Convém ainda dizer que a Liga dos Campeões e a Taça de Inglaterra são duas frentes prioritárias para um City que tem o segundo lugar do campeonato relativamente seguro: mesmo com esta derrota no dia de ontem, tem 7 pontos de vantagem sobre o Leicester.

Domingo 16h30
Premier League
Tottenham vs Man United
2,95 – 3,20 – 2,30

Apesar de tudo isto, tradição é para manter e nos primeiros 15 minutos o City foi igual a si próprio, com desejo de bola, enquanto que o United – também fiel aos seus princípios – aguardava de forma coesa, intensa e agressiva. Outro dado importante é que De Bruyne, a alma da equipa, não foi utilizado por estar ainda a recuperar de lesão. E embora este seja, provavelmente, o plantel mais profundo do mundo, uma coisa é ter De Bruyne, outra coisa é não ter.

Seria assim para qualquer equipa. Gradualmente, o United vai mostrando umas pequenas ampolas do seu melhor veneno: o contra-ataque. É assim que aos 26’, Martial decide ser egoísta e rematar, quando tinha Bruno Fernandes sozinho à entrada da área. Mas Bruno é amigo. Aos 30’, numa bola parada criada em laboratório, pica a bola por cima da barreira, onde entra Martial, que remata sem deixar cair no chão para o fundo das redes. Ederson ficou mal na fotografia.

O arranque da segunda parte parecia um retomar da ordem mundial estabelecida. O City a querer dominar, ao ponto de Aguero ter feito mesmo o golo, que viria a ser anulado pelo VAR – já agora, dizer que não se entende o critério para que este lance tenha sido analisado e o de Martial não. Pouco depois, Ederson, numa má recepção, quase permite um erro daqueles monumentos, à boca da baliza, que seria o segundo de Martial. Mas lá conseguiu despachar.

O City lá tentou reagir, apertar, ser o City que costuma ser, mas não foi lá das pernas. As tentativas eram sempre pouco convictas, parece aquele aluno que vai fazer desenhos para a aula, que não leu o texto que a professora mandou ler a semana passada, mas depois, irrita-se com a discussão e começa a opinar como se tivesse feito o trabalho de casa. Dá para safar, durante uns minutos, claro. Não dá para aprofundar muito.

Daniel James – grande jogo do miúdo galês – é outro que se serve do egoísmo para não servir Bruno Fernandes, num contra-ataque onde o português estava sozinho à entrada da área, novamente. No final, Ederson, conclui aquele que foi um jogo genial, se o objectivo era abrir portas aos golos adversários. Faz um passe com a mão directinho para os pés de McTominay, que remata de primeira, do meio da rua, para uma baliza descoberta.

Os adeptos voltam a achar que os Red Devils estão bem e recomendam-se. Diríamos antes: vão acreditando, que só vos faz é bem. E estar a apenas três pontos do Chelsea – o que significa a três pontos do apuramento para a Liga dos Campeões – bem que os permite sonhar.