Gostava de fazer uma primeira nota: como o leitor já deve ter reparado, quem vos escreve tem um especial gosto em títulos com trocadilhos. Não o faz por mal, mas para que a leitura seja mais divertida.

Neste caso foi feita uma analogia com o nome do jovem guarda-redes italiano e a expressão “não há duas sem três”. Ora, a verdade é que não existe grande correlação nos dois, mas não deixa de ser extremamente divertido fazer esta associação.

Mas, como vai perceber com a leitura deste texto, também o talento de Gigi não faz sentido no futebol italiano. E, no entanto, a sua carreira vai continuar imparável. Vamos lá começar, então.

Parece estranho, mas o guarda-redes italiano do AC Milan, Gigi Donnarumma, já vai para a sua quinta temporada ao serviço do clube italiano. Quer dizer, este facto não é estranho. O que não encaixa é ter apenas 21 anos.

Terça-feira 7 julho 20h45
Itália – Série A
Milan vs Juventus
3,25 – 3,25 – 2,15

 

Até porque se estreou nos rossoneri com 16 anos e 242 dias de vida em outubro de 2015: a partir daí, nunca mais parou. Ou seja, nunca fez menos de 30 jogos na baliza.

Sabe quem o meteu a jogar na equipa A pela primeira vez? Tente adivinhar, ganha um álcool gel. Não? Sinisa Mihajlovic.

 

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Sim, esse mesmo, que esteve para treinar o Sporting, mas acabou a ser indemnizado pelo Sporting. O croata chegou mesmo a dizer que Gigi era “o futuro do futebol italiano”, segundo a BBC.

Até agora, é mesmo o presente. Logo nos primeiros tempos, chegou a defender um penálti de Toni Kroos (Real Madrid), num daqueles torneios de verão que não contam para nada, só mesmo para os clubes fazerem dinheiro – e para jovens como Gigi brilharem.

 

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E hoje, com o grande embate contra a Juventus, é provável que o gigante de 1,96 metros faça mais uma bela exibição. E não nos parece que o suposto novo treinador do AC Milan, Ralf Rangnick (que era director desportivo do grupo Red Bull), vá deixar que Gigi fuja de San Siro.

Até porque seria quase um crime não prestar atenção a este italiano que se tornou no guarda-redes mais novo a estrear-se no principal escalão do futebol italiano.

Antes dele, só Gianluca Pacciarotti, que jogava pelo Pescsara, e se estreou com 16 anos e 192 dias de vida.

 

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Nasceu em Castellammare di Stabia – pode pesquisar na internet, não é propriamente Veneza ou a Costa Amalfitana, mas vai deixar saudades de Itália – ao pé de Nápoles, casa do antigo atacante Fabio Quagliarella. Foi sempre um jogador mais alto do que os outros, tendo começado a jogar em ligas locais com apenas 11 anos.

O Bleacher Report conta até, num extenso artigo, que a mãe de Gigi, Marinella, tinha que trazer um certificado de nascimento do filho para provar que ele não era mais velho do que parecia.

 

Amar, odiar, calcanhar

 

O Inter de Milão tentou apanhá-lo, mas o coração de Gigi estava no Milan. “Escolhi o Milan porque o meu irmão jogou lá e sempre fui fã do clube”, disse, citado pelo Bleach Report. Pois é, e o primeiro contrato assinado com o AC foi negociado pelo super-agente Mino Raiola, que tem na sua “carteira” jogadores como Paul Pogba ou Zlatan Ibrahimovic.

É óbvio que já se discute há muito a possibilidade de Donnarumma ser o grande herdeiro do legado deixado por Buffon, que esta semana tornou-se no jogador com mais jogos na Série A. E é óbvio que o ídolo de Gigi é Buffon.

 

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“O meu sonho é tornar-me uma presença regular na seleção italiana e seguir-lhe os passos. Toda a gente gostava de ter uma carreira como a dele”, afirmou o jovem italiano à BBC. Por enquanto vai com 16 internacionalizações. Só lhe faltam 138 jogos e um Mundial. Coisa pouca, portanto.

 

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O que não é tão óbvio é perceber que não é habitual a formação italiana conseguir formar jogadores com a estatura de Gigi. E que seja cobiçado por grandes clubes, como pelo Arsenal ou o Chelsea. E que possa vir a ganhar uma Bola de Ouro – como disse o ex treinador dos rossoneri, Vincenzo Montella.

Mas o que não é mesmo, de todo, em circunstância alguma, óbvio, é Donnarumma ter nascido no ano em que Britney Spears lançou o primeiro single. Isso é que não é mesmo.