Os torneios de ténis têm por hábito começar à segunda-feira, aquela coisa meio primordial de arranque de semana, atiremo-nos a ela, se vier com ténis do bom melhor, por aí.

Mas depois há estes casos, em que a bolinha amarela nos irrompe pela casa adentro naquilo que seria uma pacífico e preguiçoso domingo de sofá. Bom, não é que tenha tido muita actividade física, mas os nervos, a tensão, não são comparáveis ao estado de relaxamento provocado por um qualquer filme protagonizado por Bruce Willis ou Bradley Cooper.

 

Eram 14h, ainda o almoço ia a meio, e já Dominic Thiem e Stefanos Tsitsipas nos agitavam o estômago e nos preparavam para uma tarde sempre naquela posição não-vale-adormecer.

O encontro em questão era uma reedição da final de 2019, que sagrou o grego como vencedor das ATP Finals.

 

 

O austríaco só havia jogado dois torneios depois da vitória no US Open: Roland Garros (onde sucumbiu perante Diego Schwartzman nos quartos-de-final) e o mais recente ATP 500 de Viena (onde fui eliminado por Andrey Rublev, também nos quartos-de-final), talvez por isso existisse uma espécie de dúvida do que seria capaz este magnífico jogador.

Aí está a resposta.

Esteve quase a perder o primeiro set no tie-break — Tsitsipas falhou uma direita de court quase aberto — e no segundo foi dominado (ou esteve a recuperar forças) para voltar a superiorizar-se no terceiro e último parcial: 7-6, 4-6, 6-3.

 

Nitto ATP Finals: vai mais uma surpresa na despedida de Londres?  

 

Ficou claro que Thiem é um dos mais fortes candidatos a levantar a taça no final — e o estranho é que tenha sido necessário este jogo para isso ficar evidente.

Depois talvez tenhamos adormecido — tentem ver um filme com o Chris Hemsworth até ao fim e depois contem, ok? —, mas o dia ainda não tinha dado tudo.

 

Às 20h uma bela alternativa ao telejornal. Rafa Nadal, a lenda espanhola que nunca conseguiu vencer este torneio mostrou estar aqui para mais do que cumprir calendário.

E logo com feito inédito: foi a primeira vez que venceu em dois sets e sem ter de se deparar com nenhum break point.

Os parciais (6-3, 6-4) evidenciam algum domínio, mas talvez menos do que aquele que decorreu em court. O espanhol foi sempre superior, sem dar sequer ao russo uma sensação de possibilidade.

 

 

E sim, a confiança, a forma certeira e até algo fria, com que o número dois mundial se apresentou neste primeiro jogo não deixa de ser uma surpresa.

Quanto a Rublev, enfim, apesar de ser dos melhores tenistas de 2020 — sem dúvidas — precisa de passar mais tempo a jogar diante dos tubarões, nos melhores aquários do mundo, isto é, ganhar torneios ATP 250 e 500 nem sempre nos prepara para os momentos mais duros e decisivos. E ou ressuscita de forma surreal ou dificilmente deixará uma marca distintiva nestas finais.

O bom disto sabe o que é, estimado leitor? É que hoje a festa continua.

O primeiro jogo (14h) coloca frente a frente o maior favorito à vitória final e aquele de quem menos se espera.

Novak Djokovic 1,07 vs Diego Schwartzman 6,00

 

Falamos de Novak Djokovic e de Diego “El Peke” Schwartzman. Sabemos como o argentino pode ser um jogador complexo de superar, mas em piso rápido indoor, a dois sets — outra coisa seria terra batida, evidentemente — seria muito surpreendente ver Djokovic perder este encontro.

Mas à noitinha, pela hora de jantar (20h), teremos um jogo certamente mais equilibrado.

Aliás: é a final do ATP Masters 1000 de Paris. E que foi bem boa.

Se for do mesmo calibre temos serão do belo garantido.

É, aliás, uma bela bola de cristal, uma forma de antecipar aquilo que este torneio pode vir a ser, sobretudo quem acompanha, teoricamente, Novak Djokovic até às meias-finais.

Daniil Medvedev vs Alexander Zverev

Medvedev diante de Zverev costuma ser debate prolongado e interessante. Continuemos atentos a Londres.