No Egipto, nem o deserto consegue esconder as maravilhas que a selecção nacional de andebol tem erguido.

No jogo inaugural do Campeonato do Mundo, quinta-feira, superou uma experimentadíssima e muito consistente Islândia (25-23) com uma autoridade de gente grande, com aquela confiança calma que não exaspera nem berra, aquela que sabe que se aquilo que foi estudado for aplicado o professor não terá outra hipótese que não dar boa nota ao teste.

 

Os exercícios de aula continuaram no sábado, diante da mais frágil equipa de Marrocos, que na primeira jornada havia sido derrotada pela também africana Argélia (24-23), isto depois de ter saído para o intervalo a vencer 8-15.

Diga-se que também diante de Portugal, os marroquinos começaram lindamente, aproveitando também a ousada opção táctica de Paulo Jorge Pereira que começou o jogo a atacar 7 para 6, o que fez a baliza de Humberto Gomes (jogou no lugar de Alfredo Quintana) estar vazia muitas vezes — a chuva de golos a partir do meio-campo defensivo marroquino foi evidente.

 

Chegaram mesmo a estar a vencer por 5 em duas ocasiões. Mas os Heróis do Mar aceleraram para chegar ao intervalo com um empate a 12.

Na segunda parte, Portugal não teve piedade dos seus adversários e venceu 8-21, para um resultado final de 20-33, com Pedro Portela em grande destaque com 9 golos.

Nessa segunda jornada, a Islândia venceu a Argélia 39-24 e um resultado parecido — e, portanto, confortável, com possibilidade de gestão de tempo de jogo — é aquilo que se espera hoje no embate entre portugueses e argelinos a partir das 17h00, com transmissão em directo na RTP2.

Já qualificada para a segunda fase, resta à turma de Paulo Jorge Pereira somar mais três pontos para levar 6 para a Main Round, onde se deve apresentar como primeiro do grupo e grande candidato aos quartos-de-final.

 

É verdade que terá a seu lado uma França a jogar ao seu melhor nível depois de algumas desilusões recentes (já está apurada e hoje defronta uma das equipas mais surpreendente deste Mundial e que só cá está por afastamento do EUA por vários casos de Covid19), mais uma Noruega sempre complicada e com, provavelmente, o melhor jogador da actualidade: Sander Sagosen.

A equipa nórdica defronta hoje a Áustria, no Grupo E, e quer assegurar o segundo lugar na passagem à próxima fase, esperando a derrota dos helvéticos perante a França. Uma palavra de atenção aos franceses — quando estão com este andamento…

 

Também já qualificadas para a Main Round estão Egipto e Suécia — que hoje devem protagonizar o mais espectacular e equilibrado duelo, até para decidir quem segue na primeira posição do grupo G —, Dinamarca, Argentina, Alemanha, Hungria e Catar.

Onde tudo está por decidir é no grupo H onde Bielorrússia e RHF (Federação de Andebol Russa) têm três pontos, Eslovénia tem dois e a Coreia do Sul tem zero.

 

A RHF tem pela frente a modesta Coreia, portanto o apuramento está em teoria assegurado para as três equipas, mas há pontos em disputa para a próxima fase num quentinho Eslovénia x Bielorrússia hoje às 17h.

Há muito andebol com vista para as pirâmides. Seguimos atentos, faraós.