O centralão brasileiro Lucas Veríssimo, de 25 anos, aterrou no início desta semana em Portugal. Pode não ter dado conta, mas aconteceu.

Custou 6,5 milhões de euros aos cofres do clube da Luz – só Weigl custou mais (20 milhões de euros, pelo menos, recentemente.

Ajudou o Santos, emblema do coração onde cresceu, a limpar a sua débil situação financeira e agora quer ver se ajuda o Benfica a sair do péssimo campeonato que está a fazer.

Sérgio Conceição disse, em tempos, que o brasileiro não tinha lugar no plantel do FC Porto. Ok. Comentário brusco. Até porque estamos a olhar para um jogador que teve de fazer muito para chegar onde está hoje.

 

E tem graça chegar neste momento: o que o Benfica precisa mais, no imediato, é de marcar golos para sair do quarto lugar da liga NOS.

É que de golos sofridos até dá conta do recado: tem menos 2 que o SC Braga e menos 3 que o FC Porto, que estão à sua frente.

 

Mas o espírito guerreiro de Lucas pode dar uma ajuda a Jorge Jesus e à sua trupe encarnada.

No início de 2020, quando estava a atingir os 150 jogos com a camisola dos Santos, Lucas deu uma entrevista ao “GloboEsporte”. Falou da infância difícil.

Mas não daquelas onde não há dinheiro para comprar brinquedos, não. É daquelas em que a alimentação era francamente má. E não era em casa, era na academia em Lins.

«Comiámos aquele arroz velho, em que se encontram até larvas mortas»

Por isso é que chegou tão magro ao Santos, clube que o padrinho, Reinaldo, resolveu meter-lhe no corpo, comprando todo o equipamento.

Desde 2013 que nunca mais conheceu outro estádio ou emblema de uma liga grande.

Antes já tinha feito um excelente campeonato Paulista sub-17, marcando… 7 golos. Sim. Sete.

 

Chegou até a esconder uma fratura no pé em 2016 para continuar a jogar – um ano depois afirmava-se como titular, com poucos jogos pela equipa B. Agora tudo vai ser diferente.

A mãe apanhava laranjas, ganhando cerca de 10 euros por mês, e mal sabia que o filho andava a ser mal alimentado.

Mais uns testes depois, lá conseguiu despertar o interesse do clube que agora o vendeu ao Benfica.

O padrinho nunca o viu jogar. Anos antes de tudo isto, também chegou a morar com os pais em Jundiaí, dentro de um clube (Juventus), onde Lucas deu uns pontapés mas no futsal – era atacante.

 

O sonho do futebol podia ter mesmo ficado por concretizar, depois de ter ficado sem dinheiro. “Deu certo”, afinal.

É visto por alguns órgãos de comunicação social como um – se não o – dos melhores centrais do Brasil.

 

Claro que tem graça perceber que falamos do mesmo jogador que cometeu dois penáltis precisamente contra o Benfica num jogo particular em Vila Belmiro.

Este mês, despediu-se da pior forma: perdeu a Taça de Libertadores para o Palmeiras de Abel Ferreira. Pode ser que se vingue em Portugal.

Fica aqui o vídeo de despedida, em jeito de música hip-hop. Veremos o que consegue fazer. Deslumbrado não poderá estar, depois da tareia que levou desde que começou a sua carreira profissional no futebol.