O título pode não ser o melhor, até pelos tempos importantes que vivemos, mas a expressão não é do autor do texto, mas sim de Luiz Felipe Scolari.

Aos 15 anos, Lincoln Henrique Oliveira Dos Santos impressionou o antigo campeão do mundo – e seleccionador de Portugal e chefe da melhor expressão de futebol, “pimbolim é matraquilho” – num treino de reservas do Grêmio de Porto Alegre.

 

Tanto, que Scolari o apelidou de “diamante negro”, ajudando-o a fechar um contrato profissional entre 2014 e 2015 – porque tinha de ter 16 anos para o conseguir.

Começou por fazer onze jogos e depois foi aumentando: no segundo ano, calçou 29 vezes, tendo até marcado um golo na Taça dos Libertadores e no terceiro chegou apenas às 21 partidas. E chegou mesmo a marcar um golo de calcanhar no Gauchão em 2017, que fez a imprensa brasileira compará-lo indirectamente a Ibrahimovic.

Há excessos de linguagem que podem causar represálias, diga-se. Bom, o melhor é mesmo ver:

 

 

Com um embalo destes, e com o selo de promessa brasileira numa equipa que viu nascer Ronaldinho Gaúcho, tudo indicava que o médio podia sonhar bem alto. Só que não.

Deslumbramentos, falta de empenho, interesse de outros clubes brasileiros (Santos) levaram-no a ir perdendo o gás – mas não o potencial – que lhe tinha sido reconhecido. A troca de treinadores fez com que Lincoln fosse parar, por empréstimo, à Turquia, em 2018, sempre com o sonho de vir jogar para Portugal – por lá realizou 20 partidas e marcou três golos.

Ainda voltou ao Brasil, no Grêmio (três jogos) e depois no América-MG (três jogos) mas sem grande sucesso.

Há uma frase curiosa de Renato Gaúcho, que substituiu Scolari no Tricolor, que define bem a carreira desta promessa:

“Quando cheguei aqui, no ano passado, o Lincoln tinha inúmeros defeitos. Ele continua com alguns, faz parte da idade. Disse que precisava jogar. Foram queimadas etapas. Não adianta pegar um jogador da base com 16, 17, 18 anos, trazer para o profissional e não colocar para jogar”, disse, citado pelo jornal Globo. Ou seja, o diamante estava em bruto e não foi muito bem lapidado.

Agora, já com os pés nos Açores, e com a participação em 27 jogos – e um Santa Clara à procura de lugares cimeiros na tabela de classificação da Liga NOS, voltam a surgir notícias de voos mais altos.

Tudo começou nas escolinhas do Grêmio no bairro de Cristal, com apenas oito anos. Perdeu o pai aos dez anos, uma figura que lhe meteu todos os sonhos do mundo na cabeça, a dizer-lhe que poderia ser dos melhores jogadores de futebol.

Tendo seis irmãos, três deles rapazes, começou a jogar futsal, fazendo depois uma perninhas na equipa do pai. “Um dia disse-me que tinha nascido para ser vencedor”, afirmou Lincoln num artigo da Globo. Ou seja, não foi só Scolari que lhe meteu pressão nos ombros. Essa ambição quase imposta já era de família.

Esquerdino, confessa que tem características de um 10 clássico (chegou a ter tatuado na cabeça “L10” por isso é normal que se veja assim), que gosta de ter a bola no pé (quem não gosta?) e de jogar atrás da linha da bola.

Terça-feira 16 Junho 19h00
Portugal – Primeira Liga
Santa Clara vs Portimonense
2,30 – 3,05 – 3,20

 

Para já vai coleccionando – sem queimar etapas – minutos no campeonato português, tendo até já participado, como titular, na seleção do Brasil no campeonato sul-americano de sub-17.

Na última grande surpresa da liga NOS, o Santa Clara derrotou o Braga. Lincoln estava lá, como titular, tendo cruzado para o golo da vitória.

Agora, se tudo correr bem, e se ninguém se lembrar de o apelidar de rubi – Rui Veloso está calado, por favor – o brasileiro pode ter a segunda oportunidade que tantos vaticinaram.