Há pouca gente que possa resolver a situação dramática da Venezuela. Mas existe uma pessoa que pode muito bem virar o tabuleiro deste conflito: essa pessoa não é, definitivamente, José Peseiro.

A Venezuela já não está tão na moda como antigamente. Primeiro foi o amor entre José Sócrates e Hugo Chávez, e depois o amor entre Maduro, o pernil, Augusto Santos Silva, Donald Trump, Guiadó e o diabo a sete. Agora, como já nos cansámos de não conseguir (ou de não querer) resolver a miséria que por lá passa, Portugal decidiu enviar um treinador português.

O mais curioso é que esta foi uma escolha do “governo” [inserir riso longo e pedante] de Nicolas Maduro, e não da Federação da seleção venezuelana. Ou seja, por alguma razão Maduro acha que Peseiro é o homem certo para meter um conjunto de homens que vive num país virado ao contrário, sem medicamentos, comida, dinheiro e pouco petróleo, a jogar bom futebol. Ok que ele passou pelo Sporting mas, mesmo assim, não é o mesmo.

Talvez seja porque Peseiro é um homem do ribatejo, habituado a touradas. Ainda por cima agora que o IVA deste “espectáculo” [inserir riso ainda mais longo e pedante] subiu em Portugal, não há lá melhor hora para emigrar outra vez. Até porque na Venezuela não se paga para ver touradas. Basta sair à rua e estamos logo numa.

O mais interessante é que o também ex-treinador do FC Porto e do Braga já falou à comunicação social. Disse que “a Venezuela vive o seu melhor momento” e que “pretende inserir venezuelanos na sua equipa técnica”.

Primeiro, o que é que é “viver o seu melhor momento?” Peseiro tem lido as notícias? Ou vai-se a ver e ainda faz parte do Comité Central do PCP? E como é que ele quer integrar venezuelanos? A malta lá está constantemente na rua a protestar, se forem contratados, acabam despedidos por faltarem ao trabalho.

Peseiro devia era estar atento às novas tecnologias, até porque agora no futebol já nem é preciso seres humanos, vai-se buscar o computador Magalhães ao cofre do primo-cunhado-tio-avô da amiga da neta da mãe do Sócrates e a coisa resolve-se.

A verdade é que José é um homem experiente. O homem esteve na Grécia, na Arábia Saudita, no norte, em Madrid. Currículo não lhe falta, só mesmo títulos. Mas talvez nunca tenha estado no país certo para treinar. E talvez esse país se chame Venezuela. Até porque a seleção chama-se “vinotino” e, como sabemos, José Peseiro é um homem do ribatejo. A produção do petróleo pode não aumentar, já a do vinho…