Roland Garros já esteve mais longe, mas também já esteve mais perto.

É como uma projecção luminosa incandescente, uma espécie de referência que indica o Norte.

O tiro de partida do quadro principal dá-se a 30 de Maio e até lá, a terra batida continua a sujar meias e as raquetes continuam a sacudi-la dos ténis.

 

O Mutua Madrid Open — ATP Masters 1000 de Madrid volta à capital espanhola depois de um ano de interregno devido à Covid-19. É pelo menos isso, certo?

É certo que o adiamento do segundo major da temporada cancelou alguns torneios e irritou os especialistas em relva, mas quanto a isso pouco agora podemos fazer, portanto é celebrar enquanto os courts estão de laranja.

 

 

Numa semana em que Albert Ramos Viñolas venceu o Millennium Estoril Open e que Nikoloz Basilashvili levantou o troféu do ATP 250 de Munique — que saudades tínhamos de ver o georgiano jogar a este nível, numa temporada muito positiva que já lhe tinha dado um título no ATP 250 de Doha — Novak Djokovic desistiu de Madrid, talvez com medo de perder cedo demais novamente.

Depois de perder com Daniel Evans precocemente em Monte Carlo e com Aslan Karatsev nas meias-finais de Belgrado, no Novak Tennis Centre, o sérvio e líder do ranking mundial decidiu rumar às alturas e foi escalar uma montanha no seu país natal para recuperar energias e respirar oxigénio em altitude.

 

 

Esperemos que a queda não seja pronunciada.

 

Madrid depois de Barcelona?

Em Madrid, Nadal quer repetir o título da semana passada em Barcelona — que final surreal diante de Stefanos Tsitsipas, talvez o melhor encontro da temporada — e conquistar o sexto título da competição.

A primeira vez que a venceu foi diante de Ivan Ljubičić, actual treinador de Roger Federer, e desde então venceu em 2010, 2013, 2014 e a última vitória em 2017, já lá vão uns aninhos, ou seja, a sede é muita.

 

 

Em 2019, na última edição do Mutua Madrid Open, foi Tsitsipas quem retirou El Toro da final que viria a ser ganha por Novak Djokovic.

O grego que é obviamente um dos grandes candidatos, mas desta vez há mais companhia, nomeadamente Daniil Medvedev cuja forma é incerta depois de ter estado infectado com Covid-19.

 

Thiem de volta

O mesmo se pode dizer de Dominic Thiem, que tem tido um ano terrível devido a uma lesão no joelho e que começa aqui a preparação para Roland Garros, onde costuma sentir-se em casa.

O austríaco, tal como Zverev, Rublev, Diego Schwartzman, Medvedev, Nadal, Tsitsipas e Berrettini estão isentos da primeira ronda devido à condição de cabeças-de-série.

 

Nadal à espera

Nadal espera pelo vencedor do jogo entre Mannarino e Alcaraz, que pode fazer com que o prodígio espanhol de 17 anos defronte a sua grande inspiração na segunda-ronda.

Quanto aos outsiders, temos vários, o que só fortalece o elevadíssimo nível deste torneio.

Jannik Sinner joga amanhã diante de Guido Pella, Auger-Aliassime vai protagonizar um duelo muito interessante com o norueguês Casper Rudd, Hurcakz joga diante de Millman e Bautista-Agut diante de Marco Cecchinato.

Razões de interesse, seguramente, não faltam. Como diria o ilustre: Hala Madrid.