Nunca é fácil quando se tem um nome peculiar. Ou, por outro lado, um nome que recorda outra pessoa bem mais famosa do que nós. Por exemplo, quem vos escreve chama-se José Carlos. É isso, já está a cantar a música dos Gato Fedorento, não já? Pronto, pode parar, está tudo bem.

No caso de Fernando Cardozo, o avançado paraguaio de 19 anos que se transferiu, por empréstimo do Olimpia (com opção de compra), para o Boavista, a cruz que carrega ainda é mais pesada do que a de quem vos escreve – até porque vêm os dois do mesmo país.

“Tenham cuidado, ele é perigoso, ele é o Oscar Tacuara Cardozo”, lembra-se deste cântico, em nome de um famoso paraguaio, ali para os lados do estádio da Luz? É um legado pesado, bem sabemos, mas o Cardozo axadrezado chegou com 18 anos a Portugal há quase um ano e só agora é que começa a dar nas boas vistas.

Basta olhar para o primeiro jogo como titular: diante do Vitória de Setúbal (3-1), fazendo duas assistência para golo e considerado o melhor jogador do jogo. Antes disso, só tinha calçado 41’ minutos – agora já conta com três presenças consecutivas. Logo ele que foi considerado – e aqui já começa a ser uma repetição, mas positiva – uma das 60 promessas a seguir pelo Guardian em 2018.

O mais engraçado é que o jornal inglês o colocava como médio “multifuncional” que poderia jogar ora na esquerda ora na direita, sendo que nesse ando, com a camisola do Olimpia – um dos grandes clubes do país – chegou a jogar 23 partidas e a marcar três golos no principal escalão.

Criado pelos avós maternos, aos 12 anos saltou para Asunción, onde a mãe trabalhava, e, apesar de gostar muito de viver no campo, começou a dar os primeiros toques em clubes grandes do Paraguai e que eram rivais, com apenas treze anos.

 

 

“Às segundas, terças e quartas treinava no Parque Azulgrana com o Club Cerro, Às quintas e sextas com o Olimpia, e aos domingos jogava no Club América. E ia tentando provar em qual deles era melhor”, confessou Fernando, citado pelo Diario Última Hora.

Só que uma lesão – são sempre lesões não é? – fez com que acabasse por optar pelo Olimpia. Chega o ano de 2017 e é aí que enverga a camisola, fazendo apenas três jogos. Salta para as reservas, lá consegue depois, um ano depois, fazer 31 jogos no escalão principal. Só em que em 2019 volta a não convencer e acaba em solo lusitano.

Terça-feira, 23 Junho 21h15
Portugal – Primeira Liga
Porto vs Boavista
1,25 – 5,35 – 11,00

Nesse artigo confessa ainda outras coisas que podem ajudar jovens como ele a deixar a casa dos pais, para que consigam deixar de ser meninos da mamã: vive sozinho no Porto, treina no hotel onde vive, só sai para ir ao supermercado, farmácia e ao banco.

Tudo isto acompanhado pela polícia. Como a entrevista foi feita em pleno mês de abril – e em pleno mês de pandemia – é normal que ande com a trela curta.

Além disso, onde há sempre uma mãe, nem sempre há um pai e é por isso que Cardozo não costuma falar muito do pai, sendo que o Tio Ignacio, irmão da sua mãe, se transformou na figura paternal, acompanhando a sua carreira futebolística.

Resta saber se Cardozo fica no Boavista a tempo de ganhar um cântico, ou se volta para o seu país, a tempo de pisar o relvado da Taça de Libertadores.

O melhor é mesmo ouvir o que é que o Tio Ignacio tem para dizer. Para já vai defrontar hoje o FC Porto e precisa de fazer boa figura – ou continuar a agarrar a titularidade. Pelo menos terá de fazer melhor do que o último paraguaio que veio do Olimpia para Portugal: o avançado Walter González (uma temporada no Arouca, 58 jogos, 13 golos) que agora está no Everton. Não vai ser fácil.