Como é que se continua? Olha-se por cima do ombro, diz-se “até para o ano”, dorme-se horas em excesso culpando o fuso horário.

A ressaca de um Grand Slam perdido, sobretudo na Austrália, deve ser mais ou menos isto.

Depois fazer as malas e seguir para Roterdão — ou para Doha, no caso do circuito feminino. É claro que há sempre quem opte por não fazer as malas, apontar a outras viagens.

 

Ao Qatar Total Open 2021 (prova WTA 500) falta-lhe algumas viajantes.

Não deixa de ser um torneio de qualidade, mas que perde brilho com a presença de apenas 4 tenistas do top10, que assim asseguram os quatro primeiros lugares no que aos cabeça-de-série diz respeito:

  • Svitolina
  • Pliskova
  • Sabalenka
  • e Kvitova

Ao mesmo tempo, não são as únicas potenciais vencedores:

  • a recém-finalista do Open da Austrália Jennifer Brady
  • Kiki Bertens
  • Muguruza
  • Azarenka
  • Bencic
  • e Sakkari

são garantia de ténis de alta qualidade e de um torneio disputado.

Tudo certo.

Mas não deixa de existir aquele sabor a ganhem-enquanto-podem, porque quando Naomi Osaka voltar vejamos se alguém vence a japonesa — a isto podemos juntar, claro, Ash Barty, Simona Halep, Sofia Kenin e Bianca Andreescu.

Relativamente a Serena Williams é melhor deixar a poeira assentar e perceber o que se segue para a veterana norte-americana.

 

 

Roterdão

No circuito ATP jogam-se vários torneios esta semana, com especial destaque para a 48ª edição do ABN AMRO World Tennis Tournament, que se disputa em Roterdão e que tem a particularidade de ser o primeiro torneio da categoria ATP 500 que se disputa em 2021.

  • Daniil Medvedev
  • Sasha Zverev
  • Stefanos Tsitsipas
  • Auger-Aliassime
  • Wawrinka
  • Andrey Rublev

são, seguramente, os nomes maiores de um torneio que ainda assim tem um leque de underdogs muito interessante, como Hurcakz, Kachanov, Andy Murray, Bautista-Agut, David Goffin, Alexander Bublik, Jan-Lennard Struff, Alex De Minaur, entre tantos outros.

Notória é a ausência do campeão de 2019 e 2020, o francês Monfils, que derrotou Wawrinka e Auger-Aliassime respectivamente.

Mas o grande foco da competição cai, inevitavelmente, em Daniil Medvedev, que chega a Roterdão já com a sua série de 19 vitórias interrompida pelo número 1 mundial Novak Djokovic, que na final do Open da Austrália deu uma lição de classe e experiência ao revolucionário jogador russo — uma metáfora possível é quando nos atira um balde de água gelada sem que o tivéssemos visto chegar.

 

 

Medvedev procura, ainda assim, o primeiro título individual do ano (ainda que tenha sido grande contributo para a ATP Cup, conquistada pela Rússia) e mais do que isso, procura algo que ninguém julgaria possível há poucos anos: ser o primeiro jogador fora do Big Four (Federer, Nadal, Djokovic e Murray) a ocupar o segundo lugar do ranking mundial.

Algo que ninguém faz desde Julho de 2005, cortesia de Leyton Hewitt.

Para isso, basta-lhe chegar à final, uma vez que Rafa Nadal não vai estar presente devido à lesão nas costas que já se evidenciava em Melbourne. Razões de interesse não faltam.

Hoje quatro jogos para abrir o apetite: