Quem tem Marcelo Bielsa, arrisca-se a ganhar. Isso sabemos.

Quem é que, aquando da sua chegada ao histórico Leeds United, no Verão de 2018, não pensou imediatamente que a promoção à Premier League estava resolvida? Pois, seguramente muito pouca gente.

O historial de El Loco é mais do que motivo para tal. A verdade é que estamos agora a chegar ao fim da segunda temporada em que Bielsa figura na liderança dos Whites e essa é uma missão ainda por cumprir.

O ano passado, ainda que tenha sido terceiro classificado no Championship, o Leeds viria a sucumbir no playoff de acesso à Premier League, diante de um destemido Derby County, que, por sua vez, viria a ser eliminado pelo Aston Villa.

 

O jogo mais caro de Inglaterra (e do mundo) é na 2.ª divisão

 

Mas neste caso, três não parece ser a conta que Deus fez, neste caso a coisa parece ir lá à segunda.

Para a temporada agora em vigor, o técnico argentino manteve quase integralmente a estrutura da sua equipa e deve ter dito no balneário que não havia margem de erro.

Rara é a jornada em que encontramos o Leeds fora dos dois primeiros lugares, aqueles que dão acesso directo à Premier League. E, mais recentemente — há quatro jornadas, desde a jornada número 39 —, é líder.

Hoje defronta o actual último classificado, Barnsley, no Elland Road, e em caso de vitória fica a um ponto da subida. Que pode acontecer já no sábado, ainda no sofá, antes de se deslocarem ao terreno do carrasco de 2019, Derby County, se o segundo, West Brom, ou o terceiro, Brentford, perderem pontos nos seus jogos.

Os primeiros jogam fora contra o Huddersfield e os segundos vão ao Britannia Stadium defrontar o Stoke City. Caso para dizer que só uma hecatombe retira o sonho da Premier League a Marcelo Bielsa — e, claro, ao seu Leeds que lá não está há 16 anos.

Ele que, ainda na temporada passa, em Janeiro de 2019, foi alvo de inúmeras críticas por ter exposto a sua estratégia de espionagem de todos os clubes da Championship, isto é, levou observadores da sua confiança aos treinos de todos os seus adversários antes de os defrontar, fazendo um Power-Point bem catita e invejável que disponibilizou aos jornalistas.

Defendeu-se dizendo que nada do que fez é ilegal. E talvez por uma espécie de karma anti-ético, não conseguiu subir ao principal escalão de futebol inglês.

Toda a época, Bielsa criou no Leeds uma variância entre um 4-1-4-1 (mais evidente no momento defensivo) e um 4-3-3 (que se verificava mais fortemente quando o Leeds tinha a bola).

Luke Ayling, o duro e energético lateral-direito inglês, é um dos destaques desta equipa — é consistente, difícil de ultrapassar e capaz de ir à linha de fundo tirar cruzamentos.

Na defesa, o capitão e centralão escocês, Liam Cooper, é outro membro essencial deste onze, que ficará seguramente no plantel.

 

Kalvin Phillips, o trinco jamaico-britânico é, talvez, o jogador mais importante da organização defensiva de Bielsa, um seis que segura todo o movimento pendular entre sectores, que é imperial na recuperação de bolas e que ainda serve como primeiro organizador. Em ficando no Leeds, são boas notícias para os brancos.

A estes juntam-se ainda o experientíssimo (35 anos) médio espanhol Pablo Hernández (8 golos e 7 assistências), o médio polaco Mateusz Klich, o extremo-esquerdo que pertence aos quadros do Manchester City, Jack Harrison, o português Hélder Costa (por empréstimo do Wolves), e, claro, o melhor marcador do Leeds, o talentoso ponta-de-lança inglês, Patrick Bamford, que cresceu nas escolas do Chelsea.

É um plantel que precisa de reforços, sem dúvida, sobretudo atrás, e de um ou outro foguete mais jovem para compor a coisa. Mas que tem todo o potencial para lutar por lugares honrosos na Premier League. Assim a consiga atingir. Viva El Loco. Viva El Leeds.