Tal com outros talentos senegaleses como Sadio Mané, Diafra Sakho, Ismaïla Sarr, foi no Académie Génération Foot, clube de Dakar, que Papiss Demba Cissé agitou as redes pela primeira vez.

Foi aí que se formou, antes de rumar ao AS Douanes, clube que também habita a capital do Senegal e onde, na primeira temporada, marcou 23 golos em 26 jogos.

Daí, como muitas vezes acontece no percurso dos jogadores africanos, seguiu-se França. Mas no Metz — de onde foi vendido por uns curtos 1,5 milhões de euros — as oportunidades escassearam. O actual melhor marcador da Süper Lig rodou entre a equipa B e outros clubes de divisões secundárias, num tempo meio moribundo, porventura de adaptação, que não deixou grandes memórias.

Mas antes de sair dos Grenats, Cissé consegue fazer época e meia de bom valor, com 16 golos em 2008/2009 e outros dez até Janeiro de 2009, altura em que viria a ser adquirido pelo Friburgo.

Na Alemanha, brilhou talvez como nunca.

Fez seis golos na segunda metade da época, o que não sendo uma marca estrondosa, não deixa de ser de assinalar, para alguém que tinha acabado de chegar a um campeonato com a rotação da Bundesliga.

No ano seguinte, Papiss saltou para as bocas do mundo. Marcou 22 golos na liga, sendo apenas superado por Mario Gómez — que na altura era rei e senhor do Bayern Munique —, mas conquistando, contudo, o troféu de avançado mais eficaz da competição (na proporção de oportunidades de golo convertidas).

Ninguém se esquecerá dessa temporada ao serviço do Friburgo, onde ficaria provado que as características de Cissé eram bastante raras para um ponta-de-lança.

A velocidade era estonteante, o remate fácil, a forma como se posicionava de forma fria e letal, a capacidade para descobrir oportunidades onde elas não existiam, tudo se conjugava e fazia do senegalês um jogador temível.

Salta depois para a Premier League, onde, ao serviço do Newcastle, Cissé só a espaços foi aquilo que parecia ser.

 

 

Mudou-se para o norte de Inglaterra com mais uma transferência que decorreu no mercado de inverno. De janeiro a maio de 2012, Papiss Cissé marcou 13 golos na Premier League, ficando nos dez melhores marcadores de um campeonato onde só esteve metade do tempo.

A meias com o compatriota Demba Ba formava uma dupla que muita água fez correr pela barba dos defesas centrais do campeonato inglês. Esse é, de longe, o melhor Newcastle dos últimos anos, tendo terminado num fantástico quinto lugar, com Alan Pardew a liderar as hostes. Jonás Gutiérrez, Ben Arfa, Tim Krul, Coloccini, Santon, Cabaye, Tioté eram outros membros importantes da dinâmica do treinador inglês.

 

Mas nada do que é bom dura para sempre e Papiss foi perdendo estatuto, tal como Newcastle também foi perdendo fulgor.

Em 2016, viria a rumar à China, onde esteve por quase três temporadas, onde deve ter preenchido significativamente a sua conta bancária e decidido então que já chegava.

 

Veio para o Alanyaspor, onde, logo no primeiro ano, fez 16 golos na Süper Lig e atingiu o último lugar do pódio dos melhores marcadores atrás de Muriqui e de Diagne.

Actualmente, leva 22 golos e está a dois tentos de distância daquele que tem sido, durante esta temporada, um dos jogadores com mais qualidade a jogar na Turquia: Alexander Sørloth.

 

 

No jogo de domingo, em que o Trabzonspor perdeu por 3-4 diante do Konyaspor — fazendo com que o Basaksehir tenha, pela primeira vez na sua história erguido o título de campeão —, o norueguês marcou dois golos, recuperando assim a dianteira dos melhores marcadores, que estava na posse de Cissé.

 

A isto acrescente-se que antes da paragem forçada nos campeonatos, o senegalês estava já há 8 jogos sem marcar.

Desde que as competições regressaram já introduziu por nove vezes a bola dentro das redes — incluindo um hattrick para a Taça da Turquia.

Colega de equipa de Marafona, Baiano e Djalma, Cissé em muito contribuiu para uma brilhante temporada do Alanyaspor, que já garantiu o sexto lugar e pode ainda atingir o quinto lugar, agora ocupado pelo Galatasaray com mais um ponto.

Apesar de já não ser possível chegar às competições europeias, à equipa de Erol Bulut já ninguém retira a excelente imagem agora alcançada. O mesmo se pode dizer de Papiss Cissé, que aos 35 anos — sim, já não é nenhum miúdo e isso merecer ser sublinhado — parece ter reencontrado a felicidade do golo. Tanto, que até já se fala numa possível transferência para o Besiktas. Que continue a marcar.