Uma temporada de ténis pantanosa que termina a vitória de um dos melhores crocodilos presentes no reino animal.

Daniil Medvedev conquistou este domingo o torneio mais importante da sua carreira (o nono torneio ATP conquistado, dos quais três são Masters 1000) depois de bater Dominic Thiem no derradeiro encontro das Nitto ATP Finals.

Termina a época em grande: com dez vitórias consecutivas, provando que quando os astros estão alinhados — quando está pacificado consigo — é dos mais árduos tenistas de ultrapassar.

 

Numa final inédita e, assim sendo, com um vencedor inédito, o russo conquistou outro feito de enorme nomeada: venceu os três melhores tenistas do circuito no meio torneio, algo que não acontecia desde que em Outubro de 2007 o argentino David Nalbandian atingiu tal proeza no caminho para a vitória no Masters 1000 de Madrid.

O que cimenta uma noção que já nos últimos tempos muito havia estado presente: é que o domínio infernal dos Big Three está por um fio.

 

O Big Three domina isto tudo

 

A nova geração já não é assim tão nova e está pronta para o assalto final ao ranking e aos maiores títulos ATP, seja pela via Medvedev, como pela via Thiem, como pela via Zverev, como pela via Tsitsipas, entre tantos outros.

Não é que as lendas que tanto nos deram estejam acabadas, nem por sombras (e aliás Rafa Nadal é possível que continue a ganhar Roland Garros até ao fim dos nossos tempos), mas a ameaça está cada vez mais acentuada.

E como é bom que as cadeiras, de vez a vez, possam mudar.

 

Nesta final, depois de uma meia-final onde o caso esteve muito mal parado, Medvedev apresentou-se forte desde bem cedo.

Venceu o primeiro jogo e obrigou o austríaco a resistir durante dez minutos no seu primeiro jogo de serviço, salvando dois pontos de break pelo caminho.

Ao quinto jogo desse primeiro set, Medvedev que parecia encaminhar-se para mais um jogo em branco (vencia já por 40-0) acabou por perder o serviço e desorientar-se.

 

 

É aliás bastante habitual que Medvedev descarrile como uma concreta montanha-russa de emoções que sempre insiste em ser — ou está muito mal, ou está muito bem. O set point — convertido num passing shot de Thiem com ajuda da tela — chegou ao décimo jogo.

No segundo set já se sabia: uma montanha-russa desce e depois sobe, entrando naquele típico modo louco de começar a bater todas as bolas para cima das linhas como se não tivesse medo de perder.

Aquela clássica esquerda ao longo apareceu e cheia de ousadia. O que não foi muito normal foi ver Dominic Thiem, que se tem apresentado nos últimos tempos a um nível impressionante, desperdiçar um break point de forma chocante ao sétimo jogo do segundo set.

Algo que talvez o tivesse guiado ao triunfo final nestas ATP Finals. Claudicou. E quando se dá esperança ao Crocodilo Daniil o mais provável é que viremos presa.

 

Algo que se veio a confirmar num terceiro set com um alto nível de espectacularidade, também pelo cansaço visível nos dois jogadores, sobretudo em Thiem.

O jogo, como se costuma dizer na gíria futebolística, ficou partido. E o russo soube aproveitá-lo de forma muito inteligente e fria.

A futurologia é uma ciência arriscada, ainda assim sugerimos já que alguém vença Medvedev no início da próxima temporada, para ele não prosseguir com esta série de vitórias. Se assim não for… cautela. Muita cautela. A bola amarela volta a bater em 2021.