Já sabemos — ou pelo menos sabem os mais entusiastas da modalidade — que anos ímpares são ano de mundiais de andebol.

E também sabemos que é logo no começo, uma espécie de Janeiras com a bola na mão.

A edição de 2021 — que se disputa entre hoje e dia 31 de janeiro — dá-nos um ingrediente extra que não saboreávamos há 18 anos: a participação da selecção nacional de andebol.

Egito -8,51,65 vs Chile +8,651,70
Quarta-feira 13 janeiro 17h00

 

Os autodenominados Heróis do Mar, comandados por Paulo Jorge Pereira, apresentam-se no Egito como uma daquelas equipas capazes de criar problemas às melhores selecções do mundo — isso ninguém lhe tira.

E aparece ainda como cabeça de série, num grupo com a Islândia, Marrocos e Argélia, ou seja, as hipóteses de se qualificar nos três primeiros lugares do grupo para a fase seguinte é bastante significativa.

 

Portugal vem de um brilhante 6º lugar na última edição do Campeonato da Europa, numa participação onde derrotou gigantes como a França, a Suécia e perdeu apenas por 2 com a Alemanha, no jogo de atribuição do 5º e 6ª lugar.

E mais recentemente, no grupo de qualificação para o Campeonato de Europa 2022, venceu a Islândia em casa, por 2 golos, tendo sido depois derrotado em Reiquiavique, com a mesma selecção, por 32-23, num jogo que o seleccionador assumiu que o mais importante era que nenhum jogador se lesionasse antes da participação no mundial.

 

De resto, a Islândia já tinha sido pedra no sapato no último Campeonato da Europa, vencendo os portugueses por 3 bolas.

Em suma: vingança preparada.

 

A história recente desta competição não diversifica muito quem, no final, levanta o troféu.

Ainda que em 2019 a Dinamarca tenha conquistado o seu primeiro título, depois de quatro vitórias francesas (2009, 2011, 2015, 2017), intervaladas pelo triunfo espanhol em 2013.

Por isto tudo e não só, a Dinamarca arranca como grande favorita, com uma equipa experiente, fortíssima, com Mikkel Hansen como grande destaque.

 

 

A França tem sentido mais dificuldades nos últimos anos, tendo em conta o aproximar de final de carreira de nomes como Karabatic, Guigou, Omeyer, entre outros, destes três só Guigou marca presença nesta fase final.

É claro que é melhor não descurar a França, nunca se sabe, até porque talento não falta ao seu lote de jovens jogadores.

 

No mesmo grupo da França está a Noruega, finalista vencida do último Campeonato do Mundo, e terceiro classificado no último Europeu.

A Espanha é também uma selecção francamente perigosa, inserida num grupo que não é propriamente o mais fácil: Polónia, Brasil e Tunísia.

 

A Alemanha e a Hungria dividem o grupo com Cabo Verde e Uruguai, enquanto que a também sempre forte Croácia está na mesma fase de Catar, Japão e Angola.

O primeiro jogo da competição dá-se hoje, entre o Egipto e o modesto Chile, jogo que não deve ter grande história, uma vez que os africanos são muito mais fortes que os sul americanos.

 

No entanto, histórias não faltarão neste mundial.

Como a de Portugal, para quem superar o 12º lugar de 2003 — competição disputada no nosso país — não será suficiente.

Portugal tem meios e qualidade para fazer mais e melhor.

O grande objectivo passa pela qualificação para os quartos-de-final, tarefa que não será coisa simples, mas que não deve ser encarada como impossível. Carrega, Portugal.