Sim, Camarote. Pode parecer arrogância nossa, mas o nome tem uma justificação: é o lugar nos estádios onde é possível observar tudo, sem ser chateado por aquele adepto que manda perdigotos para cima de nós, ou que nos quer abraçar intensamente.

E aqui, ao contrário do que é habitual, não paga balúrdios para se sentar connosco. Só não oferecemos canapés. É o que é. Aqui vamos destacar histórias de jogadores, momentos fora (de qualquer caixa) e dar sugestões culturais.

 

Marx Lenine (de volta à Rússia)

Comecemos então pelo jogador brasileiro do momento: Marx Lênin dos Santos Gonçalves. Sim, leu bem. Não se assustem, liberais, que o proletariado ainda não está de volta, nem “O Capital” vai ter uma nova edição.

O antigo atleta do Flamengo acaba de ser contratado pelos russos do Akron Togliatti, da segunda divisão, e entrou para a história por ser dos poucos jogadores que faz jus à história, indo para o país de onde vêm as pessoas que inspiraram o seu nome.

Nasceu em Volta Redonda, começou por jogar futsal e já chegou a ser chamado para a seleção brasileira sub-15. Agora vai para o outro lado do mundo.

Poder-se-ia achar que Marx Lênin só se chama assim por ter crescido no seio de uma família comunista, mas não. A razão é outra: é uma homenagem ao pai, António Marques, que morreu em 2016.

Faz sentido (?). De Marques para Marx, ok, já o Lênin, “veio por uma questão de estilo”.

Felizmente que a mãe não decidiu inspirar-se em nenhum dos grandes vultos da literatura russa: Nabokov, Dostoévski, por exemplo, não seria coisa fácil para anunciar pelo speaker (isto se o Akron Togliatti chegasse às competições europeias, claro).

Felizmente que, por cá, ainda não houve nenhum atleta a chamar-se Marcelo Caetano Salazar “por questões de estilo”.

 

Deus dardo nozes a quem é português

Da Rússia vamos até à Alemanha onde não, não houve ninguém a apelidar o filho de Himmler ou Hitler, mas houve um português que acaba de se sagrar campeão europeu (no European Tour) de dardos.

José de Sousa bateu o número um mundial, o holandês Michael van Gerwen, por 8-4. É conhecido por “Special One” por ser o único atleta de Portugal na elite deste desporto.

O ano passado, já se tinha tornado no primeiro português a vencer uma prova no circuito mundial de dardos.

Parabéns, José. Só nunca o vou convidar para festas de crianças com balões.

 

 

Afinal, havia Cech

Petr Cech terminou a carreira em 2019.

Um ponto final numa história checa de sucesso, principalmente a actuar pelo Chelsea – e depois pelo Arsenal.

Pois bem, só que afinal ainda há mais uma página para escrever: é que o antigo guarda-redes dos blues voltou a ser inscrito na Premier League. Dizem que é uma medida preventiva.

Parece só que queriam prevenir o checo de continuar a jogar hóquei em patins. Não acredita? Ora veja:

 

 

 

A frase da semana:

“Nem sei o que estou aqui a fazer”

A frase é de Jorge Jesus, que teve de se deslocar ao tribunal por causa do julgamento do hacker Rui Pinto.

Se Sócrates (o filósofo, atenção) só sabia o que nada sabia, o nosso pensador português nem sabe o que fazer. Um homem sempre cheio de certezas também tem os seus momentos de dúvida.

 

Cobra Kai, porque todos precisamos de ser mais sensei

Sim, terminamos com uma sugestão de uma série da Netflix para descontrair, mas que mesmo assim é sobre desporto.

Esta comédia de acção inspirada no Karate Kid (34 anos depois do primeiro filme) vai ter já uma terceira temporada, mas só em janeiro de 2021.

Assim, nos intervalos dos jogos em barda que vêm aí nos próximos tempos, pode ir vendo uns episódios. Não se inspire é muito, que acaba a partir a mobília lá de casa.