“O meu amor pelo jogo e a convição de que continuo a conseguir enfrentar o mundo foi contra a realidade de que as coisas nem sempre correm como eu espero. Não sou mais um jovem de 16 anos, que não faz ideia do que é que as lesões nos podem fazer”.

Era assim que Arjen Robben, 35 anos, 12 campeonatos (8 pelo Bayern, dois pelo Chelsea, outro pelo PSV, um pelo Real Madrid e uma Liga dos Campeões pelos bávaros), 96 internacionalizações, tendo sido capitão (mais um campeonato do mundo perdido para a Espanha em 2010) e um pé esquerdo de fazer inveja, dizia adeus a uma grande carreira o ano passado, citado pelo The Guardian.

A previsibilidade criativa do holandês, que trocava de lados e de velocidade num ápice, mesmo com todas as previsões acertadas do defesa que o defrontasse, ficava agora reservada a canais de Youtube ou a livros de história sobre futebol.

Bom, mas como já vimos, o que aconteceu em 2019 nada tem a ver com o que tem acontecido em 2020.

 

 

Pandemia, novo suspeito de ter raptado e morto Maddie McCann, Bruno Lage fora do Benfica. Portanto, não é de estranhar que o holandês, agora com 36 anos, tenha tomado a decisão de levantar a reforma (e deixar de lado as horas e horas a nadar por uma boa causa) e ingressar no clube do coração: o Groninger.

Foi lá que se formou como jogador, passando de amador para profissional com 16 anos, nos idos dos anos 2000.

É um regresso, “por amor”, aos relvados e possivelmente um regresso aos “mergulhos para a piscina”.

Robben e Mohammed Allach festejam uma vitória do Groningen sobre o Fortuna Sittard em 2002 | foto IMAGO

 

Sim, se Robben gosta de nadar para ajudar projectos de caridade, ficou bastante conhecido por encenar autênticas peças de teatro para simular faltas. Conta-se aliás que na Alemanha era conhecido como o “Schwalben-Koning”, que, em português, pode ser traduzido para “o rei dos mergulhos”.

O jornal inglês conta até que Arjen foi amplamente gozado com maior afinco no Mundial de 2014, diante do México. É melhor ver para crer

 

 

Mas obviamente que Robben não pode ser lembrado só por isto. Há quem olhe para ele como um holandês arrogante, outros dizem que é uma jóia de moço, de sorriso fácil na cara e de quinta mudança nas pernas, assim que o árbitro apita para dar início à partida.

É que um jogador que tem direito a uma música especial – depois de dar a vitória ao Bayern na Liga dos Campeões diante do Borussia, o maior rival – não pode ser menos do que amado pelos adeptos.

De volta à família | foto IMAGO

 

Nem todos podem ser repescados aos 36 anos. Aliás, nem todos podem ser assim tão desejados ao ponto do clube reunir imagens do documentário “Last Dance”, de Michael Jordan, só para ter o ídolo de volta.

Pelo menos, parece ter sido isso que o Groninger fez, segundo conta a ESPN.

O mais engraçado é que os responsáveis do clube holandês encontraram-se com Arjen depois de ele se ter retirado dos relvados em maio de 2019. No entanto, essa primeira abordagem não resultou.

 

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Agora sim, porque lá está, 2020: Robben assinou um contrato de um ano para “ajudar o clube”, como afirmou, citado pela BBC.

“Não estabeleci objetivos, isto pode acabar num mês ou durar dois anos”, comentou.

Com este holandês é sempre a jogar no limite: em 2004, Robben curou-se de um cancro nos testículos quando estava no Chelsea. Quem se cura assim de uma maleita destas, pode muito bem jogar até aos 60.

 

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Este regresso, de certa forma, também o transforma no atacante (vá, extremo) com mais longevidade no futebol moderno – se é que já não o era antes de se reformar.

E se Robben conseguiu brilhar – e aguentar-se na segunda onda dos galácticos do Real, passando para o Bayern com muita arte e pinta -, ainda vai a tempo de fazer uma gracinha no campeonato holandês.

O único problema é que não contará com Franck Ribéry. “Estes últimos dez anos teriam sido totalmente diferentes sem o Franck”, afirmou o ano passado ao The Guardian.

Mesmo assim, desde que não conte com lesões – que o retiraram de aproximadamente 160 jogos no Bayern de um total de 307, mais 143 golos e 101 assistências – ainda vai conseguir furar muitas(os) alas.

Por isso, Arjan alas para o Robben, se faz favor.