A 30ª jornada da Liga NOS termina ao Norte, mais precisamente no Minho, em Moreira de Cónegos, onde o Sporting vai tentar alcançar a sua quinta vitória consecutiva para o campeonato. Fácil, certamente, não será.

Do outro lado está uma das equipas mais interessantes do futebol português, que no ano passado fez história ao classificar-se em sexto lugar, em virtude de uma liderança brilhante de Ivo Vieira, que no final da temporada se mudou para os vizinhos do Vitória de Guimarães.

Fazer melhor é praticamente impossível. Num momento em que faltam apenas cinco jogos para o primeiro escalão de futebol profissional português esticar as pernas numas merecidas férias, o Moreirense é nono classificado a já dez pontos do quinto (Famalicão) e a nove do sexto (Rio Ave) — a oito do Guimarães, em sétimo, e com os mesmos pontos que o oitavo (Boavista) e o décimo (Santa Clara), ainda que com um jogo a menos que estes dois adversários directos.

Ainda assim, aquilo que será mais normal será o oitavo lugar — embora ainda defronte hoje o Sporting e o Porto, na 33ª Jornada —, algo que não deixa de ser uma temporada amplamente positiva para os minhotos.

Segunda-feira 6 julho 21h00
Portugal – Primeira Liga
Moreirense vs Sporting
5,30 – 3,70 – 1,62

 

A época começou com Vítor Campelos, ex-adjunto de Toni na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Irão, e que curiosamente já havia passado pelos cónegos enquanto preparador físico, em 2005/06 — desde que é treinador anda-se a alimentar melhor, sem dúvida — levado por José Gomes (actual treinador do Marítimo), com quem já estava antes na União de Leiria. Num tempo em que Jerôme Palatsi ainda jogava e era um dos guarda-redes do Moreirense.

Depois disso, estreou-se como treinador principal na equipa B dos húngaros do Videoton, mais uma vez à boleia de José Gomes, que era o treinador da primeira equipa. E o desafio era enorme, isto porque além do sexto lugar conquistado por Ivo Vieira, era necessário colmatar, de alguma maneira, as saídas de Chiquinho, Arsénio, Loum, Heriberto Tavares, Ivanildo Fernandes, Jhonatan Luiz. Não era coisa pouca.

O brasileiro Mateus Pasinato foi contratado para segurar as redes e revelou-se como uma das revelações do campeonato e um dos melhores jogadores na sua posição. Abdu Conté, vice-campeão europeu sub-19 por Portugal, foi resgatado ao Sporting, onde fez grande parte da formação, e revelou-se um lateral esquerdo intenso e interessante.

Lazar Rosic, ex-Braga, começou como suplente de Steven Vitória, mas a meio da temporada roubou-lhe o lugar e é um dos centrais com valor na Liga NOS. No meio-campo, a chegada dos manos Alex e Filipe Soares fez toda a diferença, sobretudo do mais novo, Filipe, que é, de facto, um dos jogadores mais deste Moreirense.

 

A sua qualidade de passe, à qual se acrescenta a alta rotação por si criada, sempre de olhos postos na baliza ou pronto para solicitar os colegas da frente. Chegou depois de uma bela temporada no Estoril Praia, para onde foi depois de sair da equipa B do Benfica sem deixar grande memória.

Mas Filipe Soares é apenas um jovem de 21 anos (menos oito que o seu irmão), com um belo registo de jogos e golos nas camadas jovens dos encarnados, tendo dividido balneário com Gedson Fernandes, Florentino, Jota, João Félix, Pedro Álvaro, entre tantas outras vedetas que saíram do Seixal, incluindo Nuno Santos, que está no Moreirense este ano, cedido pelas águias.

O estranho foi, quando à 14ª, depois de uma vitória do Belenenses SAD, Vítor Campelos abandona a equipa, com esta no tranquilo 11ª lugar e um registo de 4 vitórias, 5 empates e 5 cinco derrotas. Um mês depois estava no Al Taawon, actual sexto classificado da liga saudita.

 

Entrou para o seu lugar Ricardo Soares, um homem que tão bem conhece a realidade nortenha do nosso futebol, com passagens pelo Aves, Chaves, Vizela, Académica e que tinha começado a temporada no Sporting da Covilhã, que chegou a liderar a tabela até à oitava jornada.

Depois de alguns tropeções pelo caminho, e de jogos com o Porto e o Braga assim que Soares chegou a Moreira de Cónegas, a coisa voltou a endireitar-se, e foram a primeira equipa a ganhar em Barcelos este ano, com um incrível 1-5.

Ao 4-3-3 dinâmico de Ricardo Soares e a esta vida saudável do Moreirense não pode ser alheia o fantástico ano que o ponta-de-lança angolano Fábio Abreu está a realizar. Conta já com 12 golos marcados na Liga NOS (mais dois na Taça de Portugal) e o sucesso que agora obtém é mais do que merecido.

 

Nas camadas jovens jogava em Inglaterra, uma vez que nasceu em terras de sua majestade e com idade júnior veio para o Marítimo. De 2011 a 2017 fez um jogo pela equipa principal, jogando quase sempre na equipa B, em 2015/16, marcando até 19 golos.

Felizmente, foi libertado para jogar no Penafiel, com 12 e 8 golos em 2017/18 e em 2018/19, respectivamente. Agora já leva 14 e o seu faro de golo, a sua velocidade, a forma manhosa como sabe fugir ao fora-de-jogo, fazem de Fábio Abreu, um dos mais entusiasmantes avançados do futebol português.

Dito isto, o Moreirense é um perigo. Em casa só foi derrotado por: FC Porto, Braga, Benfica e Rio Ave. Vejamos qual será a sorte do Sporting.