Desde 1987 que a Real Sociedad não ganhava um troféu.

Este fim-de-semana, diante do Athletic Bilbau, o enguiço quebrou-se por 1-0.

A festa foi muita, mas ninguém estava preparado para o que Imanol Alguacil, treinador da equipa, ex-jogador e ex-treinador da formação da Real, tinha para dizer ao mundo.

Durante a conferência de imprensa, o técnico decidiu vestir a camisola, envergar o cachecol e entoar um dos hinos, como um verdadeiro adepto.

É de levar às lágrimas.

 

 

O mais curioso é que Imanol não é o único dentro da estrutura do Sociedad que já fez parte do clube. O diretor desportivo, Roberto Olabe, também foi jogador e ex-treinador de formação.

Aliás, quem marcou o golo da vitória nesse jogo diante do Bilbao foi Mikel Oyarzabal… jogador da formação.

 

 

É como se escrevia no twiter: «As vitórias não valem todas o mesmo».

Os festejos da equipa de San Sebastián foram sendo feitos ao longo da região, com Imanol sempre a contribuir, esquecendo a ética profissional – o que quer que isso seja nestes momentos – e juntando-se aos adeptos nas cantorias.

E fez tudo isto a partir de sua casa.

 

 

O técnico de 49 anos, nascido na cidade de Orio, província de Gipuzkoa, só conhece mesmo este clube, tendo chegado à equipa principal em 2018/2019 e passando pela B, como treinador adjunto.

Conseguiu superar a marca dos 100 jogos na La Liga, ainda que não tenha jogado muito.

Ainda assinou pelo Vilarreal – tal como outros emblemas, já no final da sua carreira – mas voltaria a casa pouco tempo depois.

Confessou há uns tempos, em entrevista, que o seu objetivo nem era treinar a equipa principal.

“Nunca imaginei, tudo isto é uma consequência e fruto do trabalho”, contou, citado pelo El Desmarque.

Dizem os adversários que trata toda a gente com respeito – até os árbitros.

Veremos se o mantém quando voltar a defrontar a equipa que derrotou na Copa del Rey, esta quarta-feira.

 

A Real Sociedad está num merecido sétimo lugar, a morder os calcanhares dos lugares europeus.

Chegou a ser líder o campeonato no final de 2020, e Carlos Xavier, antigo colega de Imanol – que andou por lá nos anos 90 -, dizia, nessa altura, ao Expresso que a equipa liderada pelo antigo companheiro andava “equilibrada, muito serena e muito personalizada em campo”.

 

As paragens tiraram qualidade e rendimento, mas não ao ponto de destruir tudo o que já tinha sido feito.

O mais engraçado é perceber que na altura em que o jogador português jogou na Real, havia uma ideia semelhante a que está a ser aplicada por Ruben Amorim: puxar os miúdos com os mais velhos a ajudar: Imanol era desses miúdos.

“O Imanol muitas vezes a lateral direito, era muito batalhador, muito guerreiro, não era fino tecnicamente, mas era um vaivém que era impressionante”, disse.

Na Real, hoje em dia, o actual técnico tenta fazer o mesmo com as camadas mais jovens.

Agora, Imanol já não é jogador mas sim o terceiro técnico do clube a ganhar um troféu.

Como conseguiu montar uma equipa – depois de uma estrondosa derrota por 6-1 diante do Barcelona – para ganhar o tal título, ninguém sabe.

 

 

E o que poderá fazer esta equipa do que resta a La Liga também não. Talvez gostasse de estar em campo — andou por lá quase dez anos. Para já, fica com treinador até 2023, a ajudar miúdos como ele a tentar marcar a sua história no clube.