No seguimento da parceria com o Lateral Esquerdo e a Moosh.pt para o “Desafie o Perito”, avançamos com as escolhas da equipa do Lateral Esquerdo para as jornadas desta semana das várias Ligas europeias.

 

Belenenses vs Sporting 

A cidade do futebol recebe mais um desafio do Belenenses SAD de Petit, o homem que ajudou a equipa de Belém a ultrapassar o sentimento de uma possível despromoção.
Duas equipas que pelas ideias do próprio modelo se encaixarão uma na outra. 3x4x3 com bola, que se transforma em 5x4x1 sem esta aquando da defesa do primeiro terço do campo.

O encaixe tático dá-se logo no início da construção onde ambas as equipas terão três atacantes a sair aos três centrais que assumem a construção.

Estão hoje, quer Sporting quer Belenenses bem mais preparados para fechar espaços no momento defensivo e explorar situações do ganho da bola para acelerar, do que propriamente para assumir o jogo em posse.

Se do ponto de vista táctico se prevê um anular de sistemas e dinâmicas, o jogo tenderá a chegar às proximidades das balizas pelas acções dos desequilibradores. Jovane e Soprar no Sporting, Licá e Marco Matias no Belenenses deverão ser os homens que com espaço trarão emotividade ao jogo.

 

Borussia Dortmund vs Hoffennheim 

Dortmund receberá um confronto que embora de diferentes sistemas, tenha a particularidade de ser entre equipas que formam linha defensiva a cinco na sua organização defensiva. Enquanto o Dortmund enfrentará dois avançados (Bebou e Dabbur), garantindo superioridade numérica na sua última linha a três (Hummels, Piezczek e Zagadou), a equipa forasteira apresentará três médios (destaque para Kramaric) contra os dois do Dortmund (possivelmente Witsel e Emre Çan).

Diferentes espaços em superioridade e inferioridade numérica, que deverão possibilitar à equipa de Lucien Favre sair confortável desde a retaguarda, com os três centrais a assumirem protagonismo, ainda para mais em superioridade numérica.

Da progressão com bola da etapa inicial do processo ofensivo do Dortmund deverá chegar uma toada do jogo totalmente assumida pela equipa da casa, que terá condições para ligar o jogo até ao último terço onde Haaland cada vez mais se mostra assertivo e eficaz em zona de finalização e Hazard e Sancho, quer em velocidade com espaço, quer a definir entre linhas são criadores capazes de aproveitar o balanceamento ofensivo da sua equipa para colocar e criar dificuldades defensivas a um Hoffenheim previsivelmente remetido à sua rectaguarda.

O regresso pós pandemia trouxe um Hoffenheim mais capaz e a intrometer-se na luta por um lugar Europeu, e apesar do favoritismo claro da equipa de Favre, o 3x5x2 dos forasteiros saberá fechar-se defensivamente e sair para o contra ataque aproveitando superioridade no meio, onde primeiro passe que alimenta contra ataque surgirá.

 

Celta Vigo vs Barcelona 

Afundado na classificação, os quatro pontos somados pós paragem tornaram-se uma ajuda importante para que o Celta se distancie dos lugares de despromoção.

Rafinha, Dénis Suarez e Iago Aspas são jogadores de elevado recorte técnico e estará a seu cargo a capacidade para desequilibrar a estrutura “culé”.

Um confronto entre sistemas idênticos (4x3x3), embora a equipa de Quique Sétien se possa apresentar em duas linhas de quatro no momento defensivo, guardando Messi e Suarez para tarefas defensivas de menor dimensão, preparando-os para o jogo ofensivo.

Está menos criativa e depende de forma extraordinária de Leo Messi, o Barcelona. Contudo, o astro argentino continua no último terço a definir seja assistindo, finalizando, ou apenas dando inicio a cada ataque, a um nível estratosférico, capaz de fazer pender a balança para um dos lado, independentemente das dificuldades que os modelos táticos de cada uma das equipas em confronto possam apresentar.

 

Atlético Madrid vs Alavés 

A retoma trouxe diferenças que já eram acentuadas entre as equipas em confronto.

O Atlético galgou lugares na classificação com os sete pontos somados em três jogos, e provou manter rigor e disciplina de um modelo que fecha a sua baliza e que procura posteriormente aproveitar o talento dos seus jogadores mais adiantados para marcar.

João Félix e Diego Costa surgiram em grande plano no reinício, e terão pela frente um Alavés que chega ao Wanda Metropolitano depois de duas derrotas nos dois jogos disputados fora. A copiosa derrota por seis em Vigo deixará marcas que nem a boa organização defensiva em 4x4x2 com o velho conhecido Fejsa a ocupar o espaço central, encarregue de vigiar de perto João Félix, deverá fazer esconder.

Mesmo que com pontuações habitualmente baixas (o triunfo em Osasuna por 5-0 até o desmente), o Atlético reencontrou o caminho das vitórias, e uma vez mais bem alicerçado na boa organização defensiva. Seja em controlo, seja em pressing.

 

Lazio x Fiorentina 

2020 estava a ser marcado pelo regresso da Lazio aos grandes momentos. Cinco vitórias nos últimos seis desafios, aproximaram a equipa de Simone Inzaghi do líder Juventus (um ponto de atraso) e tornaram a equipa romana séria candidata ao scudetto.

O 3x5x2 dos “Biancocelesti” assenta numa cultura organizacional defensiva de elevado quilate. É extremamente complicado chegar a zonas de criação da Lazio, porque as linhas se juntam e garantem concentração defensiva, ao mesmo tempo que respondem rapidamente a variações do corredor por parte do adversário. Fazer golos à Lazio tem sido uma tremenda dificuldade para todos quanto os que defrontam a equipa de Inzaghi, que com bola demonstra tremenda capacidade para definir quer em situações de contra ataque, quer em ataque posicional.

Milinkovic-Savic e sobretudo Luís Alberto têm o condão de progredindo ou em passe provocar desequilíbrios sistemáticos na estrutura adversária e têm tido uma participação determinante na grande época dos avançados Immobile e Correa.

Até à capital romana deslocar-se-à uma Fiorentina bastante longe dos seus períodos mais áureos. Hoje envolvida na luta pela manutenção, embora numa situação aparentemente confortável, deverá surgir no campo da Lázio no seu habitual 4x3x3 que se transforma num 4x1x4x1, fechando caminhos para a sua baliza, num modelo que procura maioritariamente estar bem organizado sem bola, e servir os desequilíbrios dos extremos Ribery e Chiesa, que continuam a saltar com agressividade no momento do ganho da bola.

Promessas de um jogo competitivo, com diferenças de talento evidentes.

 

Milan x Roma 

O AC Milan de Stefano Pioli ainda não desistiu de procurar um lugar com ambições europeias.

Em 4x2x3x1, tem na capacidade para construir de Bennacer e de Franck Késsie um dos seus pontos mais notórios.

As dificuldades que sente para em ataque posicional criar situações de grande perigosidade, que tantas vezes obrigam os “rossonero” a um jogo mais directo encontrará maiores problemas pela ausência forçada de Zlatan Ibrahimovic. O factor casa e a obrigatoriedade de vencer para se aproximar do seu oponente tenderão a levar o Milan a forçar um tipo de jogo – Assumir Posse e Construção pausada – onde não se sente tão confortável.

Chega a Milan a AS Roma de Paulo Fonseca, cada vez mais uma equipa competente em todos os momentos do jogo, e preparada para estrategicamente lidar com os diferentes tipos de opções tomadas pelo rival.

O 4x2x3x1 desdobra-se num 4x4x2 sem bola, que prima não apenas pela grande responsabilidade de todas as linhas – inclusive a ofensiva – em fechar espaços, mas também pelos timings bem percebidos para saltar na pressão, recuperar a posse e atacar.

Com bola, a equipa de Fonseca preocupa-se em criar condições para uma construção limpa, com a particularidade de integrar médio centro sobre o lado exterior de um dos centrais, enquanto projecta lateral, para sair.

Entre linhas, Mkhitaryan pensa e define o jogo, seja com menos espaço ou em situação de procurar rapidamente os homens da frente – Kluivert, Under e Kalinic.

A superioridade tática da AS Roma compensará o factor casa do adversário, num confronto de enorme competitividade. Mesmo que nem sempre se possa esperar espectacularidade nas primeiras aparições do futebol em Itália.

 

Espanyol x Real Madrid 

Opostos que não se atraem. O 4x4x2 do Espanyol defrontará a organização com três médios centro do Real Madrid. E o mesmo é referir que o último classificado receberá o primeiro. O Real iniciou a retoma em grande estilo, batendo os difíceis Valência e Real Sociedad, chegando dessa forma à liderança de La Liga.

Ramos, Varane e Casemiro formam um trio central de grande capacidade nos duelos defensivos, e por isso impõem-se mesmo nem sempre respeitando princípios comuns ou fechando espaços, e perante a menor capacidade criativa e individual do oponente, a baliza de Courtois não deverá passar por sobressaltos. Com Benzema a nível muito elevado quer em criação quer em finalização, mais condições para exacerbar os apoios frontais do seu avançado que encontra de frente os criativos Valverde e Kroos, para posterior lançamento da velocidade dos alas – Rodrygo e Hazard.

A equipa de Zidane retornou às competições com princípios ofensivos bem delineados que lhe permitem chegar de forma velocíssima às balizas adversárias, e cada recuperação da posse termina invariavelmente com desequilíbrios ofensivos que punem os erros adversários.

 

Villarreal x Valência

Pela competitividade e proximidade na tabela – Villarreal tem mais um ponto que o Valência, pelo notório equilíbrio de forças, por dois modelos extremamente parecidos – Ambos partem de um 4x4x2, com grande qualidade organizacional – e por individualidades de grande capacidade, a recepção do Villarreal ao Valência é um dos jogos mais atrativos do fim de semana.

Carlos Bacca, Gerard Moreno, Paco Alcácer e Santi Carzola são os criativos e / ou ofensivos que o submarino amarelo coloca ao serviço do colectivo. O Villarreal propõe-se a dominar o jogo com bola, demonstra argumentos para encostar o adversário à retaguarda e ainda reage bem – pela reactividade defensiva e pelo posicionamento preparatório da perda – aquando da transição defensiva, momento onde o Valência é mais forte.

Com Gonçalo Guedes e Ferrán Torres a partir dos espaços laterais procurando acelerar a cada recuperação enquanto Rodrigo Moreno e Maxi Gomez se movem maioritariamente na procura de zona de finalização, a equipa de Albert Celades não se importará com o domínio territorial do submarino amarelo. Afinal, o seu 4x4x2 em Organização Defensiva tem princípios bem alicerçados que protegem a preceito a baliza de Cillessen, guardião holandês que é um autêntico gigante entre os postes, e se mostra capaz de responder quando a organização da sua equipa facilita.

Promessa de um jogo de nível técnico e tático de elevado calibre, onde o equilíbrio será garantidamente, a nota dominante.

 

Boavista x Santa Clara 

Bem no meio da classificação da Liga NOS, um confronto entre duas equipas que regressaram a somar pontos e a consolidar a sua posição na Liga.

O Boavista de Daniel Ramos surgiu com um futebol bem mais solto de amarras defensivas. Atrativas foram as primeiras aparições da equipa do Bessa, mesmo quando perdeu na recepção ao Moreirense. Saída a três fundamentada no sistema 3x5x1x1, muita procura pelos espaços interiores dentro da organização adversária, onde Alberto Bueno dá o toque de criatividade necessário à criação.

Do lado oposto o Santa Clara bem mais conservador, mas igualmente competente. No tradicional 4x4x2, a equipa de João Henriques prima pela excelente organização defensiva, que lhe permite fechar muitas vezes a sua baliza a zero, enquanto coloca ênfase nas bolas paradas ofensivas para chegar aos golos.

Embora haja Rachid, Thiago Santana, Costinha, Fábio Cardoso, Bueno, Heri e Sauer, o Bessa receberá um confronto de mais competitividade e organização do que propriamente talento, num jogo que deverá consolidar definitivamente posição na Liga NOS.

 

Newcastle x Man City 

Seis pontos consecutivos deram a tranquilidade necessária à equipa de Steve Bruce. O 4x4x1x1 dos “Magpies” estará previsivelmente com linhas bem recuadas e enorme concentração ao redor do centro do jogo, fechando ao máximo caminhos ao City, enquanto procurará explorar o brasileiro Joelinton nas saídas com espaço.

Foi sem supresas que o City se apresentou pós paragem pela pandemia. Em 4x3x3, com os exactos mesmos princípios que desbloqueiam com enorme assertividade as linhas adversárias. Nenhuma equipa a nível Europeu tem tanto trabalho colectivo no momento de organização ofensiva quanto a equipa de Pep Guardiola.

Saída com um Ederson bastante participativo com princípios bem definidos – Médios baixam para trazer adversários e desmontar linhas adversárias, respeitam pressão nas costas e tocam em quem está de frente para procurar acelerações.

Dos argumentos coletivos à capacidade extrema de execução de De Bruyne, Mahrez e Bernardo Silva, o City demonstra jogo e resultados pós pandemia de elevado quilate, e se há quem seja capaz de demonstrar linhas baixas, essas são as equipas de Pep Guardioa.