A parceria entre o Lateral Esquerdo e a Moosh.pt para o “Desafie o Perito” continua e esta semana avançamos com as escolhas da equipa do LE para as próximas jornadas das várias Ligas europeias.

 

Chelsea vs Watford 

Lampard é uma das surpresas na Europa na presente temporada. Do modelo de jogo, à aposta no talento, independentemente da idade, transformou o Chelsea numa equipa de grande competência e irreverência. O trio de meio campo “blue” alia capacidade de recuperação altíssima de Kanté com o posicionamento e saída para o ataque do menino Gilmour, que sustentam o aparecimento da criatividade de Mason Mount. Willian e Pulisic surgiram em bom plano para a parte terminal da temporada e com Giroud formam o trio ofensivo do 4x3x3 de Lampard, que cada vez mais tem uma equipa equilibrada e preparada para desequilibrar.

Do outro lado, o Watford de Nigel Pearson entrou em falso no reinicio e o seu 4x2x3x1 no momento defensivo não encontra com bola nem a dinâmica em termos de mobilidade, nem o desequilíbrio individual necessário para uma temporada segura na Premier League.

Em Londres passará demasiado tempo sem bola, e enfrentar a capacidade dos médios “blues” para encontrar os seus atacantes entre linhas e a partir daí acelerar o jogo será uma dificuldade ainda maior.

 

Man United vs Bournemouth 

A perseguir a entrada na Liga dos Campeões, a equipa de Solskjaer cresceu imenso no período pré paragem e chegou ao pós também preparado para ter rendimento.

O Bournemouth chegará a Old Trafford no seu habitual 4x5x1 preparado para baixar linhas e acantonar-se à frente da sua grande área fechando espaços. Dificilmente assumirá por demasiado tempo a bola em ataque posicional, e com isso coarctará também as possibilidades de contra atacar a um United que tem nas suas saídas a explorar a velocidade de Martial e James, com a chegada de Bruno Fernandes em cobertura, o seu ponto mais forte ofensivamente.

Embora também altere sistema por motivos estratégicos, deverá surgir em 4x2x3x1 a equipa de Solskjaer.

Com Pogba de regresso o United ganha maior dimensão, não apenas nos momentos de transição, mas também em organização seja com bola, seja sem esta, o francês recupera e alimenta a preceito a linha ofensiva onde Martial e Bruno Fernandes surgem preparados para o último passe ou finalização, e mesmo com menos espaço, as qualidades individuais podem fazer a diferença.

 

Wolverhampton vs Arsenal 

Promessa de um jogo de enorme competitividade naquela que será a última oportunidade para o Arsenal não perder o comboio da Liga dos Campeões.

O Arsenal de Arteta deverá manter o sistema a três centrais e três homens na frente utilizado na vitória em Sheffield para a FA Cup como forma de encaixar no sistema de Nuno.

Uma partida que oporá dois estilos opostos de atacar. O Wolves que é uma das mais letais equipas a sair em contra ataque, beneficiando do nível fantástico de Traoré, Jota e Raul Jimenez no momento de acelerar receberá um Arsenal mais interessado em guardar a bola e atacar de forma posicional e organizada, procurando encontrar espaços onde nem sempre os há.

Será, portanto, uma partida onde a maior posse dos “gunners” estará longe de significar maior ascendente ou maior proximidade de encontrar a vitória, mas antes algo natural em função da forma como ambas as equipas se propõem a ganhar jogos.

 

Granada vs Valência 

Jogo entre equipas próximas na classificação, com sentimentos díspares. O Granada caminha seguro e uma vitória permitirá alcançar o rival na tabela. Do outro lado, o Valencia é uma das grandes desilusões da temporada em Espanha. A equipa de Celades está muito próximo de perder o comboio da Europa.

Em comum, o facto de ambas terem entrado de forma negativa no período pós paragem. Vários maus resultados e um estado anímico condizente, numa partida em que as dificuldades do Granada em assumir o jogo com bola e controlar os contra ataques adversários, poderá fazer a diferença.

O Valência tem nas suas saídas rápidas conduzidas por Gonçalo Guedes ou Ferrán Torres, e nas rupturas de Rodrigo e Maxi Gomez o ponto mais fulcral do seu jogo. Dois conjuntos organizados defensivamente e com pouca criatividade em ataque posicional, que tenderão a fazer cair o resultado para quem aproveitar de melhor forma os momentos em que o espaço se abre, e aí a equipa forasteira tem armas de outro calibre.

 

Benfica vs Boavista 

O Estádio da Luz recebe um Benfica numa crise sem precedentes nos tempos mais recentes, mas desta feita com nova liderança técnica e com o regresso de Rúben Dias, previsivelmente no lugar de Ferro, preparado para com Jardel formar uma dupla com menos erros defensivos e que possa estancar as situações de perigo adversárias.

Embora seja uma incógnita a forma como se apresentará a equipa encarnada, não é de descurar que a perda praticamente definitiva da Liga, acabe por libertar emocionalmente uma equipa que se encontra completamente à deriva, e esse reduzir da pressão poderá servir para trazer as melhores características de Weigl e Chiquinho, jogadores responsáveis por dar sentido à circulação encarnada perante um Boavista de Daniel Ramos que surgiu em grande nível pós paragem.

De cara “lavada” a equipa do Bessa é hoje capaz de assumir o jogo em posse, procurar incessantemente o homem livre nas costas da pressão adversária, chegando com bola bem “redonda” ao último terço, enquanto sem bola mantem organização densa, fortalecida por uma linha de cinco atrás.

Promessa de um jogo de grande competitividade táctica, emocional e técnica.

 

Southampton vs Man City 

O regresso do Man City tem sido avassalador. Por mais gente que os adversários concentrem atrás da linha da bola, a equipa de Pep tem na sua dinâmica em ataque posicional condições para desequilibrar as estruturas adversárias.

De Bruyne voltou em grande nível e coordena cada ataque encontrando as combinações dos colegas em espaços curtos, que terminam demasiadas vezes com sucessivos lances de perigo. O cerco com bola à estrutura adversária permite ao City também controlar o momento da perda e recuperar rapidamente a posse.

Do outro lado, o Southampton do austríaco Ralph Hasenhuttl regressou em grande nível à Premier League. O 4x4x2 da equipa da casa tem a organização defensiva como momento de maior competência, enquanto espera por uma definição de Oriol Romeu que encontre o goleador Danny Ings.

A dificuldade maior para quem enfrenta a equipa de Pep prende-se com a distância a que os seus jogadores jogam da baliza de Ederson. Incapaz de empurrar o City para trás, dificilmente se aproveita os melhores traços de Ings.

 

Villarreal vs Barcelona 

Treze pontos em quinze jogos é o registo do Villarreal de Javier Caleja. 4x4x2 com linhas extremamente bem definidas, controlo do espaço defensivo, e aproveitamento ofensivo quer em organização quer em transição dos traços de Paco Alcacer – Extraordinário na forma como decide – de Gerrrard Moreno, e do veterano, mas sempre capaz de definir na chegada ao último terço, Santi Carzola.

Num momento de grande dificuldade para a equipa de Setién que vê o Barcelona perder o comboio do primeiro lugar, e a equipa desunir-se, a deslocação ao terreno do Submarino Amarelo, trará um confronto de grande qualidade, onde os erros pouco habituais mas que por ora vão acontecendo da dupla Umtiti e Piqué poderão ter consequências graves.

O desligar de Messi e Suarez na ligação ao treinador e ao colectivo será sempre um factor a ter em conta no desenrolar do jogo, pese embora individualmente e na forma como se associam, serem sempre um factor de desequilíbrio do jogo e do resultado no útlimo terço. E no caso de Messi, em qualquer terço do relvado, até.

 

Nápoles vs Roma 

Apenas a três pontos da Roma que ocupa o quinto lugar, a equipa de Gennaro Gattuso vive um grande momento.

Depois da conquista da Taça de Itália, o pleno de vitórias na Série A. 4x4x2 bem montado defensivamente, os bravos napolitanos são a imagem do seu treinador. Muita disponibilidade para as tarefas sem bola, muito voluntarismo e entreajuda, que em cima da organização tornam extremamente complicado fazer golos à equipa napolitana, que tem em Fábian Ruiz um médio de nível categórico. Defende e ataca sempre com a mesma rotação e faz chegar a bola em boas condições nos ataques rápidos aos jogadores que na frente desequilibram – Mertens, Insigne e Callejón.

Do outro lado uma Roma em dificuldades individuais, mas com a organização de excelência habitual nas equipa de Paulo Fonseca. Trabalhada para ter a bola, deverá mesmo fora de portas, assumir as rédeas da partida, encontrando na saída para o ataque de Cristante que abre sobre o lado esquerdo do central canhoto possibilidade para desorganizar estrutura adversária que sai com apenas dois avançados à saída a três da AS Roma.

Apesar da saída e chegada a zonas mais adiantadas, a ausência de quem desequilibre de forma sistemática – Mkhitharyan e Kluivert aparecem a espaços – aliada à boa organização rival, trará dificuldades a uma Roma, que não pode perder sob pena de perder a vantagem que leva.

 

FC Porto vs Belenenses 

A queda do Benfica permitiu o estabilizar emocional da equipa de Sérgio Conceição. O grande vigor físico bem patente em toda a linha defensiva e nas opções para o meio permitem ao Porto vencer duelos e manter a baliza de Marchesin mais protegida. Danilo e Uribe formaram a dupla de médios na capital do móvel, mas o Dragão deverá presenciar o regresso de Oliveira à posição seis do modelo de Sérgio Conceição. O médio luso é o responsável pelas variações de corredor que procuram Alex Telles e Manafá, na expectativa de que no 1×1 façam a diferença antes de alimentar a zona de finalização.

Não é um Porto criativo, ou até eficaz em ataque posicional, mas traz argumentos em cada bola parada pelos traços dos seus jogadores e pela criatividade do seu treinador, que mais nenhuma equipa em Portugal sequer se aproxima.

O Belenenses de Petit tem sido uma das equipas mais interessantes no regresso do futebol a Portugal. Pressionante, procura recuperar rápido a posse pela forma como condiciona oponentes, e percebe com clareza timing de voltar a baixar e organizar-se controlando e fechando espaços.

Com Licá e Marco Matias na frente, é perigoso sobretudo nos momentos de Transição em que o campo se abre e os movimentos e velocidade dos seus jogadores mais adiantados fazem a diferença.

No Dragão defrontar-se-à um Porto que caminha para o título contra um Belenenses organizado e letal nas saídas ofensivas.

 

Athletic Bilbau vs Real Madrid 

O San Mamés configura-se como um dos mais duros testes à liderança do Real de Zidane.

A equipa de Garitano vem numa boa senda e almeja ainda uma presença europeia na temporada vindoura. O tradicional espirito guerreiro basco que se expressa no cumprimento das tarefas defensivas, encontra no momento seguinte, aquele em que recupera a bola por pressão sob o adversário, a velocidade de Iñaki Williams e a definição de Iker Muniain e de Raúl García.

Organizado e com talento na frente, o Bilbao será um obstáculo de elevada dificuldade a um Real Madrid que só sabe vencer pós paragem pela pandemia.

Zidane continua a organizar o Real no tradicional 4x3x3 e é na capacidade para vencer duelos de Sérgio Ramos, Varane e Casemiro que a equipa “blanca” mantem a sua baliza longe de problemas. Chegará ao San Mames como a melhor defesa da Europa, não tendo sequer trabalho de pormenor evidente em qualquer dos momentos defensivos.

O regresso de Hazard traz um Real ainda mais perigoso no momento de sair em Transição Ofensiva. Benzema dá o critério e o apoio para a saída e o belga acelera de forma imparavel seja em condução ou apenas esperando receber na frente as solicitações do avançado francês ou de Kroos.

O reaparecimento de Isco trouxe para o conjunto de Zidane novamente um pouco de arte e criatividade que nem sempre o Real soube expressar nos tempos mais recentes, e a possibilidade de recorrer à velocidade e talento de Vinicius e Rodrygo quando o jogo abrir e os brasileiros mais espaço tiverem para as suas cavalgadas, é uma vantagem real para os últimos minutos da partida.