O treinador e analista desportivo, Pedro Bouças, é o especialista residente da Moosh.pt que semanalmente lança a promoção Desafie o Perito. Estas são as suas escolhas para os jogos das Ligas europeias deste fim de semana.

 

Chile vs Peru

Um ponto nas duas primeiras partidas para ambos os conjuntos torna o jogo mais importante de seguir do que o que seria expectável para uma terceira jornada.

O Chile, presença assídua em fases finais surgirá no seu tradicional 4x3x3 de Rivera com Vidal a assumir importante papel no centro do terreno. Forte nos duelos e capaz de recuperar bolas, é também o principal alimentador do talento de Alexis Sanchez.

Do outro lado a selecção de Ricardo Gareca surgirá com muito maiores cuidados defensivos, organizando-se em 4x1x4x1, com Tapia, o valioso médio defensivo a fechar em cobertura os espaços atrás da linha média, esperando momento em que André Carrillo encontre espaço para poder transitar perigosamente.

 

Brasil vs Venezuela

Promessa de um jogo de sentido único. A equipa do português José Peseiro surgirá em São Paulo num 4x3x3 que se transformará previsivelmente num 4x5x1, procurando ao máximo retardar o golo adversário – Contará com Farinez na baliza, guarda redes de elevado quilate – enquanto na frente o pequeno Soteldo assumirá as despesas dos contra ataques.

Do outro lado, um Brasil de Tite embalado por dois triunfos mas que nem por isso deixará de ter a atitude competitiva devida. Neymar, Firmino e Ricarlison são “pesadelos” à solta no último terço, ainda para mais alimentados pela pausa e critério de Coutinho.

Um jogo de ataque contra defesa, de talento contra abnegação.

 

Alemanha vs Ucrânia

Igualadas com seis pontos na classificação, e atrás da Espanha, as equipas de Low e Shevchenko sabem que só a vitória interessará.

Com outros argumentos, o poderio alemão juntará na frente a velocidade estonteante e poder de definição de Gnabry, Timo Werner e Havertz.

Um confronto entre equipas com chegada a três ao último terço, mas previsivelmente com uma selecção alemã à procura de desmontar o bloco baixo ucraniano.

E para isso contará com o critério de Kroos, o “relógio alemão” que com a sua decisão e controlo sobre os tempos do jogo, acelerará a preceito cada momento em que o espaço se abrir.

Do outro lado, uma Ucrânia baixa no campo, mas com dificuldades para suster ímpetos ofensivos. À semelhança do que aconteceu na visita à Espanha.

 

Portugal vs França

Fernando Santos já garantiu jogar em 4x3x3. Danilo e William serão os homens que protegerão a linha defensiva lusa, enquanto Bruno Fernandes o maestro que carregará o ataque até ao talento excitante de João Felix e Diogo Jota.

A ausência de Pepe é baixa importante na equipa portuguesa que terá de se bater com a velocidade de Mbappé e Martial na frente de ataque, alimentandos pela criatividade de Griezmann, enquanto Tolisso, N’Zonzi e Rabiot protegerão a sua linha mais recuada.

Um confronto entre sistemas táticos diferentes, entre equipas letais na sua Transição Ofensiva. A velocidade da frente ofensiva francesa, e o talento e eficácia de Ronaldo prometem deixar marcas num jogo de grande equilíbrio.

 

Suécia vs Croácia

A equipa de Jan Andersen receberá a Croácia no seu habitual 4x4x2. Organização Defensiva compacta, embora sem trabalho de pormenor.

Os suecos contarão com a velocidade de Kulusevski partindo do corredor direito e de Claessen do esquerdo, mas continuam a não ser uma equipa de soluções criativas para chegar e resolver no último terço.

Do outro lado, a Croácia vai experimentando alguma transformação depois de ter sido finalista no último Mundial. Modric surgirá ao lado de Badelj e juntos formam um meio campo que suporta a criatividade de Vlasic, o médio mais ofensivo.

O rigor e concentração táctica contra o maior talento e criatividade croata numa partida cuja matriz tática e diferenças de estilos faz aumentar o interesse. E nenhuma poderá perder sob pena de se ver relegada.

 

Suíça vs Espanha

A equipa de Luis Enrique lidera o grupo mas a derrota no terreno da Ucrânia permitiu aproximação dos oponentes, e na viagem à Suíça terá que vencer para manter liderança.

Contra o 4x4x2 de Petkovic, cuja matriz tática passa sobretudo pela capacidade de Xhaka suster no corredor central jogo ofensivo adversário enquanto na recuperação da bola Shaqiri progredindo e acelerando e Seferovic movimentando-se na profundidade procuram provocar danos na estrutura adversária, a Espanha deverá tomar conta das rédeas da partida pelo seu futebol criterioso e de poucas perdas da posse.

Rodri em cobertura, e a criatividade de Canales e Merino trarão a pausa ao jogo que permite à Espanha instalar-se no meio campo ofensivo e preparar o momento da perda da bola enquanto ainda a tem, garantindo assim uma fluidez de jogo adequada ao seu processo de criação.

Rodrigo Moreno ainda à procura de tempos mais felizes em Leeds será o homem das diagonais curtas à procura de finalização, num jogo de enorme interesse e bom futebol.

 

Itália vs Polónia

A seleção de Mancini precisa obrigatoriamente de vencer para poder chegar à frente. Soma seis pontos contra os sete da Polónia.

Em 4x3x3, contando com o seu tradicional meio campo – Verrati, Jorginho, Barella – capaz de roubar a bola aos adversários e guardá-la por uma infinidade de tempo enquanto espera rupturas dos homens da frente, tem na dupla de centrais de sempre – Bonnuci e Chiellini a fórmula para retirar do jogo o poderoso Lewandowski.

A equipa de Brzeczek surgirá em Itália no seu habitual 4x2x3x1, procurando fechar os caminhos à criação adversária.

Com uma organização defensiva densa e plena de jogadores capazes de se impor nos duelos defensivos, a Polónia traz sempre dificuldades imensas à criação adversária, sendo capaz de ser ultra eficaz no pouco jogo ofensivo que desenvolve, pela presença goleador de Lewandowski.

Promessa de um jogo com uma equipa transalpina a assumir o seu natural favoritismo, mas de grande dificuldade no quebrar de linhas oponentes.

 

Bélgica vs Inglaterra

Um dos desafios mais aguardados da ronda coloca frente a frente não apenas valiosas individualidades, mas um confronto entre sistemas com três defesas centrais.

A Bélgica partirá do seu 3xx4x3 com bola, que oferta todo o corredor lateral aos seus velocistas, enquanto por dentro no espaço de ligação com a zona de finalização De Bruyne poderá ter como parceiro o regressado Hazard.

Um poderio criativo avassalador a alimentar o bom momento de Lukaku.

Do outro lado, também a Inglaterra deverá surgir partindo de um 3x4x3 em momento ofensivo, explorando a velocidade de Rashford, mas aliando ao seu endiabrado avançado, o critério e assertividade do criador Mount e do homem golo que ainda faz jogar a equipa Harry Kane.

Um jogo de muita criação de parte a parte, com individualidades de nível tremendo capazes de dinamitar as estruturas que se tornam densas nos momentos defensivos.

 

País de Gales vs Irlanda

A selecção do País de Gales soma 10 pontos e precisa de vencer para dar o salto para a divisão acima. Do outro lado a Irlanda tem desiludido e lutará até ao fim pela permanência.

Em 3x4x3, a selecção de Ryan Giggs contará com o regresso do “filho pródigo” Gareth Bale.

O agora jogador do Tottenham juntar-se-à a Daniel James, e juntos formarão uma dupla de grande capacidade de desequilíbrio.

Capazes de acelerar em cada transição ofensiva, cada perda de bola da equipa irlandesa orientada por Kenny será um verdadeiro tormento de difícil resolução.

Promessa de um jogo veloz que confirme ascensão da equipa do lendário Giggs.

 

Roménia vs Noruega

A seleção romena, agora orientada pelo ex internacional Radoi sofreu uma perda abrupta de talento e é hoje uma das equipas menos capazes do território Europeu.

O 4x3x3 que apresenta no momento ofensivo nem sempre tem a dinâmica capaz de provocar danos na estrutura adversária. Falta talento e movimento a uma equipa que recebe a no momento bem mais poderosa Noruega.

A equipa de Lagerback soma nove pontos e vai à procura de se estabelecer como vencedor da sua série.

Os noruegueses mantêm o tradicional 4x4x2 nórdico, mas juntam-lhe agora a criatividade e velocidade de execução de Odengaard, um criador de excelência capaz de encontrar o poderio ofensivo de King e sobretudo Haaland, o monstro da frente de ataque da Noruega capaz de em cada movimento aproveitar para balançar as redes adversárias.

E se há quem possa aproveitar os seus movimentos, esse jogador é o criador Odengaard.