“Deixem-me viver a minha vida, não quero ser um exemplo para ninguém”.

A frase atribuída a Diego Maradona e citada muitas vezes, até pelo jornal argentino, Clarín, que noticiou, em primeira mão, a morte daquele que era, é e será visto como Deus, é um exemplo daquilo que “El Pibe” foi nos seus 60 anos de vida.

Conquistou tudo e todos – na Europa, pelo Nápoles e Barcelona, na América latina, pelo Boca Juniors, no Mundo, pela Argentina – talvez até um lugar divino depois daquela mão eterna diante dos ingleses em 1986.

 

Maradona, um bad boy com 60 años

 

Controverso, sem papas na língua, fugitivo da própria morte, de braço dado com o vício, fiel de Fidel Castro (que morreu no mesmo dia) transformou-se num número 10 só ao alcance dos melhores dos melhores (ou, talvez, mesmo ao alcance de mais ninguém).

 

Está para nascer um ser humano com um pé esquerdo como aquele.

Um astro que respirava o mesmo ar que nós, habitava o mesmo espaço, mas que nem o próprio conseguia explicar porque vivia tanto em conflito, num abismo pela derrota, depois de ter tocado o Olimpo, foi descendo, lentamente ao inferno, como treinador, selecionador e homem.

 

Já agora: caso ainda não tenha aderido à Igreja Maradoniana, que reúne, todos os anos, a 22 de junho, na Páscoa no Rosário (cidade onde nasceu) e a 29 de outubro, vésperas do seu aniversário, ficam aqui mais uns motivos para ir apanhar o primeiro avião para a Argentina, e professar a sua fé.

 

Recordar tempos divinos

A recordação do golo dos golos por parte de Maradona ao jornal Olé.

Diego sabia que tinha jogado a bola com a mão e segredou a Sergio Batista (Checho), seu colega, perguntou-lhe se tinha dado o tal toque. A resposta foi pragmática: “callate la boca, boludo y abrazame”. O mais engraçado é ficar a saber que D10 foi visitar o árbitro, Ali Bin Nasser, daquela partida diante da Inglaterra, que lhe confessou que Diego o tinha enganado. A ele, aos 80 mil espectadores no estádio. E ao mundo inteiro. Genial.

 

Kusturica e o seu ídolo

Já muito se escreveu e filmou sobre esta lenda, mas um dos projectos mais citados nestes últimos dias é o documentário de Emir Kusturica (de 2009) sobre Maradona. Está todo disponível no Youtube e vale a pena mesmo ver. É uma declaração de amor do vencedor de duas Palmas de Ouro perante um dos seus maiores ídolos. Terá as suas falhas, omitirá histórias mais obscuras do passado de Maradona, mas não deixa de ser um pedaço de memória.

O mau feitio criou-lhe, certamente, muitos inimigos. Mas na hora de dizer adeus, todos lhe prestam homenagem, até os maiores rivais. O River Plate fez, até o momento, o tweet da semana. Nada mais a dizer.

 

 

Batalhas campais e amigos de sempre

Para momentos mais quentes, viajamos até 1984 à Copa do Rei, que colocou, frente a frente, Atlético Bilbau e Barcelona (1-0), jogou que contou com a assistência do rei Juan Carlos I. No fim da partida, Maradona e “Chato” Núñez começaram a trocar galhardetes. O resto, foi uma autêntica batalha campal: jogadores cheios de sangue, fotógrafos no campo, enfim, quase digno de novo filme.

 

 

Teve e terá sempre grandes amigos, ou futebolistas sentiram a dor da sua perda, ainda que sejam também eles autênticos génios. É o caso de Pelé, que espera que “um dia possam jogar à bola juntos no céu”. Nos anos 90, foram os dois à televisão trocar uns toques de bola.

 

 

A vida é como uma tômbola, como disse El Pibe. A banda Manu Chao, resolveu dar-lhe vida, ou neste caso, música – musicando até o próprio filme referido anteriormente.

 

 

A frase da semana e do resto dos nossos dias:

“Gracias por haber jugado al fútbol, gracias por haber jugado al fútbol, porque es el deporte que me dio más alegría, más libertad, es como tocar el cielo con las manos. Gracias a la pelota. Sí, pondría una lápida que diga: gracias a la pelota”

Diego Maradona no programa “La Noche del Diez”, onde se entrevistou a ele próprio.

Sugestão:

Deixar Maradona viver o resto da sua vida no além, bem descansado. E, já agora, rever tudo o que ainda não conhece sobre esta lenda.