Há um cometa em queda-livre na Bundesliga: chama-se Schalke 04 e não vence há 11 jogos.

A última vitória foi a 17 de Janeiro, diante do Borussia Mönchengladbach. Que é, de resto, a única somada pela equipa de Gelsenkirchen em 2020 – se excluirmos a eliminação conseguida sobre o Hertha de Berlim, nos oitavos-de-final da DFP Pokal, que resultou de uma vitória apenas atingida aos 115 minutos de jogo.

Se existisse uma classificação da Bundesliga apenas para 2020, o Schalke seria lanterna vermelha a meias com o Paderborn, praticamente condenado à descida depois da humilhação de este domingo (1-6) diante do Dortmund.

Mais: se esquecermos o empate com o Hoffenheim, a 7 de Março – último jogo antes da interrupção do campeonato – o Schalke soma seis derrotas consecutivas. Mas afinal, o que se passa com uma equipa cujo plantel é evidentemente melhor que tantas outras nesta competição?

Domingo 14h30
Alemanha – 1.Bundesliga
Union Berlim vs Schalke
2,45 – 3,05 – 2,85

Desde que a bola voltou a rolar soma quatro derrotas e se a primeira, com o Dortmund, ainda se aceita, as três seguintes – Augsburgo, Fortuna Düsseldorf e Werder Bremen (dois destes jogos em casa) – já parecem demais.

Devido a estes resultados passou de sexto para décimo lugar e a Europa está, desta forma, em profundo risco. Até porque o sétimo lugar – lugar que em teoria assegura a última vaga para a Liga Europa no caso de a DFB Pokal for conquistada pelo Bayern Munique ou pelo Bayer Leverkusen, que neste momento integram os primeiros seis classificados – ocupado pelo Hoffenheim actualmente está já a cinco pontos de distância quando faltam cinco jornadas para o final da Bundesliga.

Bundesliga
1º Bayern 67
2º Dortmund 60
3º Mönchengladbach 56
4º Bayer 56
5º Leipzig 55
6º Wolfsburgo 42
7º Hoffenheim 42

10º Schalke 37

É por isso lógico que se comece a questionar por quanto mais tempo vai durar o reinado do norte-americano – e também alemão – David Wagner. Treinador que chegou no início da época aos Mineiros, depois de três épocas e meias ao serviço do Huddersfield Town, equipa que guiou, com sucesso, à Premier League, tendo promovido a equipa de West Yorkshire e, mais ainda, conseguido que ela permanecesse na piscina dos adultos por mais dois temporadas até sucumbir novamente para a Championship.

 

 

Antes disso, Wagner havia treinado os juniores do Hoffenheim e os sub-23 do Dortmund.

Olhemos então para os alunos desta turma. Na baliza, Nübel, já de saída para o Bayern, é um dos grandes guarda-redes alemães do momento. Na defesa as opções são muitas e bastante consistentes: Salif Sané, Ozan Kabak, Nastasic, Stambouli, Todibo, Juan Miranda, Bastian Oczipka, Jonjoe Kenny.

No meio-campo há estrelas de enorme classe, como o brilhante jovem médio-centro norte-americano Weston McKennie, que só tem 21 anos. Menos dois que, provavelmente, o melhor jogador da do plantel: Suat Serdar, um alemão de origem turca, que também actua no meio-campo e que tem um físico, uma capacidade de construção, de condução, faz quase tudo bem – e a sua recente lesão, no ligamento do joelho, no jogo com o Augsburgo não pode ser desculpa para o que se anda a passar. A estes somam-se Caligiuri, Schopf, Benito Raman, Rabbi Matondo. E na frente os dois austríacos de bastante talento: Gregoritsch e Burgstaller.

 

A Bundesliga tem muita coisa boa (e estes são os seus 10 melhores jogadores)

 

É claro que um plantel profundo nem sempre significa bons resultados, mas há alguma coisa podre no reino do Schalke. Ou como é que se explica que nas primeiras dezanove rondas só tenham sofrido quatro derrotas, duas delas com o Bayern Munique? É lógico que Wagner não deverá ser despedido até ao final da temporada, até porque estamos na recta final da Bundesliga.

Mas certamente há gente que se vai sentar em mesas a pensar o que fazer com o contrato estabelecido 30 de Junho de 2022. O próximo jogo é com o Union Berlim dia 7 de Junho. Segue-se uma complexa recepção ao Bayer Leverkusen, uma deslocação a Frankfurt, mais uma recepção ao Wolfsburgo e a última jornada mais um jogo fora contra a surpresa Friburgo. Não se perspectivam coisas boas. Oxalá estejamos errados.