No início de junho de 2019 o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, anunciou a contratação de Jesus.

Renato Gaúcho, treinador do Grémio reagiu de pronto: “Jorge Jesus tem 65 anos e só treinou em Portugal. Eu ganhei 6 títulos em 3 anos”.

Passados oito meses o treinador português conquitava o 5.º título pela equipa do Rio de Janeiro.

 

 

As piadas correm rápido. O Flamengo desde que Jesus chegou conquistou mais títulos (5) do que sofreu derrotas (4).

O êxito foi tão grande no outro lado do Atlântico que deste lado Marcelo Rebelo de Sousa não resistiu a ir na onda e a condecorar o antigo treinador do Benfica e do Sporting (e de mais outros 10 clubes deade que em 1990 começou no Amora).

Em dezembro, o Presidente da República colocava a Ordem do Infante D. Henrique no pescoço do Jorge Fernando Pinheiro de Jesus. Aos 65 anos a glória era finalmente devidamente condecorada.

 

O jornalista apaixonado por Jesus

 

O antigo futebolista do Sporting (começou em Alvalade em 1973 e passaria por mais 11 “clubes de forma discreta) fazia no campo enquanto treinador o que nunca tinha conseguido fazer enquanto atleta.

Marcelo justificou a honra com o “prestígio que o seu trabalho como treinador granjeou, bem como a Portugal”.

Falava das conquistas do Brasileirão e da Taça Libertadores.

Na altura, Jesus decidiu mostrar que estava atento nas aulas de história.

«É com orgulho que recebo esta condecoração. Sei o significado dela, sei bem quem é o Infante D. Henrique, porque todos os dias “no Brasil tinha de atravessar a Avenida Infante D. Henrique. Até no Brasil, antes de ser condecorado, já havia uma aproximação com ele. Portugal e o Brasil são dois países irmãos. Ao longo destes sete meses percebi isso, não tenho dúvidas que são dois países ligados pela história. Não fui eu e a minha equipa técnica a descobri o Brasil, foi Pedro Álvares Cabral em 1500. Não fomos nós a dar a independência ao Brasil, foi D. Pedro em 1822. Mas fomos nós que, a 23 e 24 de novembro, conquistámos dois títulos no Brasil, também vamos ficar na história, mas de uma forma diferente»

Antes, em novembro, já tinha sido agraciado com o título de cidadão honorário do Rio de Janeiro.

A iniciativa partiu do ex-atleta do clube e atual vereador da cidade, Felipe Michel. E flamenguista, claro: “Mister, querido carioca, não deixe a gente não. Este povo precisa ainda muito do senhor. Você tem ainda muito para nos ensinar.”

Foi o que fez. Jesus não se ficaria por aqui. Depois de ser muito falada a sua saída do Flamengo, o português decidiu ficar. E vencer mais 3 troféus:

  • a Supertaça do Brasil, com uma vitória 3-0 sobre o Athlético Paranaense
  • a Taça Guanabara com um triunfo na final sobre o Boavista RJ por 2-1
  • e a Supertaça Sul-americana, batendo o Independiente del Valle (2-2 e 3-0)

 

 

Festa e mais festa. Pelo meio ficou a final perdida do Mundial de Clubes para o Liverpool, 1-0. Mas nem isso deixou o técnico afectado.

«No mundo, não há um clube como o Flamengo. Mas para sermos o número 1 do mundo, temos que conquistar mais Libertadores, mais Supercopas, mais Recopas, mais Copas do Brasil… tudo mais. E aí seremos o número 1. Ainda não somos, mas caminhamos para isso»