Em Paris, há sempre ambiente para um novo amor. Ou umas pazes, se assim preferirmos.

Em 2019, quando vivia aquele momento de forma diabólico, que o fez marcar presença em 6 finais ATP entre julho e outubro (vencendo metade das mesmas), Daniil Medvedev foi surpreendido por Jeremy Chardy na segunda-ronda.

Não se entendeu muito bem a derrota. E uma semana volvida, nas ATP Nitto Finals, saiu derrotado dos três jogos realizados. Foi um final de época meio agridoce para o russo.

 

Ontem, disse a Paris que cá-se-fazem-cá-se-pagam.

Venceu Sacha Zverev em três sets (5-7, 6-4 e 6-1) na sua primeira final do ano e naquilo que se pode considerar uma vitória algo inesperado, sobretudo pelo nível de jogo elevadíssimo que o alemão praticou esta semana na capital francesa, vencendo Rafa Nadal nas meias-finais em dois sets sem espinhas nem escamas.

 

 

Já o russo, teve de transpirar para ser superior a Milos Raonic.

E não deixará de ser uma espécie de alívio, provavelmente saboroso, para Medvedev, depois de um ano fraquinho, cujo melhor resultado estabeleceu em Flushing Meadows, sucumbindo a Dominic Thiem nas meias-finais, austríaco que viria a levantar o troféu.

Mas ainda em outubro teve uma derrota que muito o deve ter afectado, com Reilly Opelka, em São Petersburgo, ao segundo jogo no torneio. E no ATP 500 de Viena, perdeu em sets directos com o sul-africano Kevin Anderson nos quartos-de-final.

 

O embalo para aquilo que pode ser uma forte candidatura ao último e especial torneio da temporada — as Nitto ATP Finals, que decorrem em Londres na próxima semana — começou de forma difícil.

O primeiro set foi dominado por Zverev, que se apresentou implacavelmente, com ritmo de bola, a falhar pouco.

O duelo entre os dois pernas longas começou a virar de rumo no terceiro jogo do segundo set, um jogo que durou 15 minutos e onde Zverev acabou por conseguir segurar o seu serviço.

Mas foi aí que o tenista nascido em Moscovo começou a mostrar outro tipo de soluções, a variar muito mais o jogo, a cansar o alemão, sem medo de disputar pontos mais longos.

Ao nono jogo do segundo set quebrou finalmente o serviço, confirmou a conquista do segundo set e daí até ao final do encontro foi ver Medvedev fazer o que bem lhe apetecia, perante um Sacha Zverev desligado, que parecia estar mais interessado em ir descansar e, possivelmente, focar-se naquilo que seria a sua segunda vitória das ATP Finals; se conseguir replicar o que fez com Rafael Nadal em Londres, a coisa parece bem encaminhada.

Mas todos sabemos como é perigoso este Daniil Medvedev quando está confiante. Até ao lavar dos cestos é ténis.