As comparações são inevitáveis, não há como não recordar o seu compatriota e um dos grandes do futebol europeu do século XX: Ruud Gullit. Para já, Zirkzee ainda não optou por adensar o seu bigode ao estilo de Gullit e mesmo o cabelo é algo mais curto, mas até as posições dianteiras e a velocidade no drible curto fazem desta uma metáfora obrigatória.

Não queremos, logicamente, enganar o estimado leitor, portanto, convém dizer que são jogadores, ainda assim, diferentes.

Zirkzee, produto das formações do ADO Den Haag e do Feyenoord (comprado pelo Bayern Munique por 150 mil euros, em 2017, para se juntar aos sub-17 dos bávaros), é um jogador mais decisivo quanto mais perto da área se encontra. Basta pensar que nesta época, na equipa secundária do Bayern, tem apenas dois golos marcados em 16 jogos, onde joga sempre como segundo avançado, atrás do avançado ganês Kwasi Wriedt (que tem 17 golos em 25 jogos no terceiro escalão alemão). Portanto, senhores treinadores, não inventem, Zirkzee é 9 e o resto é conversa.

Nas épocas anteriores, nos sub-17 e sub-18 fez 16 e 22 golos, respectivamente, a jogar a 9. Quatro desses golos na segunda época ao serviço da equipa da Baviera foram na UEFA Youth League, um deles ao Benfica, mais precisamente a Celton Biai, num onze onde também jogaram valores como Florentino, Gonçalo Ramos, Nuno Tavares, Nuno Santos, Tiago Gouveia, entre outros.

Mas a razão pela qual apostamos que Joshua Zirkzee vai ser Golden Boy até 2022 tornou-se, durante esta temporada, mais evidente. A lesão que afastou Lewandowski por quatro semanas dos relvados, fez com que Hans-Dieter Flick fosse pescar Zirkzee à equipa secundária para ser o novo 9 da equipa.

Ainda que o seu nome tenha saltado ainda antes, ainda Lewandowski não se tinha lesionado e a prova de que o holandês é um rapaz com gosto pelos grandes momentos é que em apenas oito minutos (um minuto no primeiro jogo com o Friburgo e sete minutos no segundo jogo com o Wolfsburgo) fez dois golos.

Depois disto teve cinco jogos como suplente não utilizado, a seguir jogou três minutos e desta vez sem efeito, e, no jogo seguinte, já com o matador polaco lesionado, foi titular, jogou os 90 minutos e fez um golo e uma assistência na vitória por 0-6 ao Hoffenheim.

Ou seja, quando é chamado à responsabilidade, o jovem prodígio não hesita. Há quem o compare a Van Hooijdonk, o que se percebe, não só – mais uma vez – pelo cabelo, mas pela altura, pelas pernas finas, pela forma cuidada com que toca na bola, pelo remate sempre pronto. Zirzkee é, sem dúvida, um 9 de tremendo futuro no futebol mundial. Que, claro, terá sempre Lewandowski à sua frente no Bayern, mas uma estrela destas não se ofusca por ter obstáculos, pelo contrário, fica à espera do seu momento e quando ele chega, não vacila.

Seja em Munique, seja pela selecção holandesa, seja onde for. Zirkzee é para a vida inteira.