Ainda que campeã, a Juventus que vem de um longo domínio, terminou com apenas um ponto de vantagem sobre o segundo classificado.

Tal pecúlio aliado ao desastre europeu fez cair Maurizio Sarri, e a Velha Senhora hoje é orientada por Andrea Pirlo.

A primeira experiência como treinador do antigo mago transalpino faz aumentar a expectativa se poderá ser esta a temporada de virada em Itália.

O Inter de Antonio Conte, treinador com oferta sempre um padrão tático muito vincado às suas equipas é o principal competidor, todavia para a nova temporada a Série A traz emoção redobrada e promessa de jogos ofensivos.

A bela Atalanta mantém projecto e discutirá cada partida e as equipas de Roma continuam bem apetrechadas.

A rivalidade Lazio-Roma, os dois emblemas da capital italiana ficaram separados apenas por uma lugar na classificação de 2020, terá novos capítulos e Paulo Fonseca contará agora com Pedro Rodríguez: o ex-Chelsea que tornará a equipa romana mais capaz de resolver partidas no ataque.

Mais atrás mas a gerar expectativas o AC Milan do eterno Ibrahimovic que contará também com o português Rafael Leão e a bem organizada estrutura do Napoli configuram-se também como equipas valiosas e capaz de discutir cada partida.

A nova época promete mais do que nunca equilíbrio, competitivade, jogos de grande cariz tático e técnico e espectacularidade.

 

Juventus

A Velha Senhora parte como natural favorita depois de tantas conquistas internas consecutivas, mas a chegada do inexperiente Pirlo poderá trazer dúvidas.

Reforçado com Arthur, médio ex Barcelona de grande nível técnico e criatividade, e com o avançado Dzeko, Pirlo deverá apresentar um modelo que contemple três médios centro, guardando o espaço mais ofensivo da equipa para o interminável Cristiano Ronaldo.

Rabiot, Betancourt, Arthur e ainda Khedira são opções para um sector que aliará capacidade de recuperação a uma grande criatividade e capacidade para descobrir nos espaços ofensivos a execução veloz e assertiva de DyBala e a capacidade finalizadora de Ronaldo.

Há ainda Douglas Costa e dois laterais de grande pendor ofensivo – Danilo e Alex Sandro. Armas individuais de valia indiscutível, suportadas pela também muita segurança e qualidade defensiva de Chiellini e Bonnuci, enquanto De Ligt somará também os seus momentos.

Poderio individual muito elevado que torna a Juventus a grande favorita mesmo que o trabalho do seu treinador seja ainda uma incógnita.

Figura: Cristiano Ronaldo

Mais um beijo numa taça | foto Riccardo Giordano IMAGO

 

Inter Milão

Excelentemente orientado por Antonio Conte, o Inter de Milão manterá a aposta num sistema que lhe garante enorme solidez defensiva, assente no rigor posicional de um trio de defensores – De Vrij, Bastoni, Skriniar e Godín são jogadores de rendimento – enquanto Barella, o internacional italiano que se mostrou a nível elevadíssimo na temporada passada, Vecino e ainda mais Brozovic (o pensador croata) são o suporte criativo a uma dupla de atacantes temível.

Lukaku e Lautaro complementam-se pela qualidade com que se mostram nos diferentes espaços – o argentino é incrível entre linhas sem espaço, criando-o e partindo para finalizar ou assistir; o belga é poderoso a atacar a profundidade e a responder a situações de finalização pós cruzamento.

Um jogo padronizado, bem identificado por todos os seus elementos, de grande rigor defensivo e com avançados capazes de fazer pender qualquer jogo para a equipa de Conte. A expectativa só pode estar elevada.

Figura: Lautaro Martínez

A Lautaro o que é dele | foto Fabrizio Carabelli IMAGO

 

Atalanta

Assegurada permanência do obreiro Gasperini e de Mario Pasalic que estava emprestado pelo Chelsea, e com a chegada do internacional russo Miranchuk, que se torna em mais uma opção de qualidade para a dupla ofensiva, a Atalanta parte para a nova época com mais qualidade, embora tal não signifique necessariamente que possa voltar a exceder as expetativas.

O 3x5x2 com que encantou a Europa deverá ser mantido.

Grande preponderância ofensiva dos centrais que incorporam manobra ofensiva pelos corredores laterais, tornando-se opções para receber até à frente da linha da bola pela mobilidade que a Atalanta apresenta nos corredores laterais, intensidade suprema pela conquista da posse da bola – método defensivo baseado no duelo que permite recuperar mais cedo cada posse, e uma criatividade ímpar de Papu Gomez e Ilicic tornam a Atalanta não apenas uma equipa capaz de voltar a discutir lugares cimeiros, mas sobretudo de voltar a encantar com um jogo rotativo, intenso na procura da recuperação da posse e na constante mobilidade ofensiva que não dando referências à oposição explora espaços ofensivos a preceito.

Mais do que uma possível intromissão na luta pelo título, a Atalanta promete futebol de elevado quilate técnico e atratividade.

Figura: Ilicic

Duvan Zapata e Josip Ilicic gostam de brincar juntos | foto Andrea Staccioli IMAGO

 

Lazio

A equipa romana manterá Simone Inzaghi na sua liderança, e teve um mercado tranquilo. Não viu partir nenhuma peça imprescindível e reforçou-se com Escalante, o médio defensivo argentino que representava o Eibar e que teve uma época valorosa em Espanha.

Manterá a sua identidade tática, partindo de um 3x5x2 que se transforma num sistema a cinco defesas aquando da posse adversária.

Organização defensiva robusta, com grande concentração de jogadores e uma capacidade para transitar de nível elevadíssimo pela criatividade e definição com bola de Luís Alberto, um dos melhores da Série A, e pela chegada rápida de Milinkovic-Savic, e um ponta de lança capaz de balançar as redes adversárias com enorme eficácia – Immobile.

Organização e criatividade nos ataques rápidos configuram a Lazio como um forte candidato a bater o pé aos adversários em cada jogo. Mesmo que tal não signifique a presença na luta pelo título.

Figura: Luis Alberto

Luis Alberto indica o caminho da Lazio | foto Marco Iacobucci IMAGO

 

AS Roma

Paulo Fonseca parte para uma nova temporada mais conhecedor e habilitado para ter impacto na poderosa Série A.

Ao seu apaixonante modelo que procura um jogo de princípios claros de procura de superioridades numéricas, de conquista de espaços entre linhas utilizando apoios frontais e princípio do homem livre e terceiro homem, aliará uma cada vez maior capacidade de adaptação ao jogo adversário em planos estratégicos que preparam minuciosamente rotas ofensivas mas também o fecho do espaço e investidas adversárias.

Alternando o sistema com três centrais, com o 4x4x2 em organização defensiva, a AS Roma conta com a criatividade entre linhas de Mkhitaryan e a capacidade para sair de trás com bola controlada tal como anseia Paulo Fonseca, de Cristante, um médio elegante que já passou pelo futebol português.

Embora valorosa e reforçada com Pedro, o ex Chelsea que promete definir com qualidade no último terço, individualmente a AS Roma está longe de poder discutir o Scudetto, mas a expectativa por bons jogos pela capacidade para criar romana faz aumentar o interesse na equipa do fantástico Paulo Fonseca.

Figura: Pedro Rodríguez

Pedro Rodríguez na altura em que estava no Chelsea e fugia da Roma | foto IMAGO

 

AC Milan

Stefano Pioli tem a árdua tarefa de fazer renascer um Milan que paulatinamente vai resgatando qualidade para dentro da sua equipa.

Sandro Tonali, o herdeiro de Pirlo em Itália é a cabeça de cartaz entre os reforços rossoneros, mas chega também o jovem lateral direito Kalulu, que disputou o último Europeu de Sub19 pela seleção francesa, e o poderoso avançado Brahim Diaz que ainda não se impôs no Real Madrid, também ele um jovem de 21 anos.

Deverá manter o 4x2x3x1, até para continuar a potenciar Bennacer e Késsie, a dupla de médios que surpreendeu a Europa na temporada passada pela sua qualidade em todos os momentos do jogo.

Theo Hernandez, o lateral esquerdo é outra das figuras de proa do Milan. Também ele foi um dos melhores a nível Europeu na sua posição na época passada, mas é em Zlatan que continuam a recair atenções ofensivas de um Milan que com Brahim Diaz e Rafael Leão juntará irreverência, velocidade e desequilíbrio à capacidade finalizado e associativa de Zlatan.

Longe de poder discutir lugar cimeiro, o AC Milan promete, porém, intrometer-se na luta pelo pódio e é mais uma equipa que vai renascendo e promete bons e competitivos jogos, seja a que estádio se desloque.

Figura: Bennacer

Ismael Bennacer gosta de deixar adversários no chão | foto Spada/LaPresse IMAGO