Por vezes desvalorizada porque recentemente se tornou numa corrida a 1 pelo título, a Ligue 1 viu a sua credibilidade reforçada pela chegada de duas equipas às quatro melhores da Europa na presente edição da Liga dos Campeões.

A temporada 2020/2021 inicia-se no presente fim de semana e promete emoções fortes e qualidade.

Embora com um candidato ao título tão forte que dificilmente dará oportunidade a surpresas, são várias as equipas que se afiguram como interessantes de seguir. Seja pela qualidade dos seus jogadores, seja pela forma como promovem talento, ou pelas ideias dos seus treinadores que tornam a sua equipa em autênticos colectivos capazes de tornar as fraquezas em força.

Recomendamos, portanto, uma série de equipas a seguir na Ligue 1.

 

Equipas a Seguir:

PSG

A equipa de Tuchel parte naturalmente como a grande favorita ao triunfo final. A expectativa é perceber como mantêm o foco interno, agora que consolidou posição Europeia. Porém, a superioridade individual que agora é sustentada também por um ideal colectivo que todo o grupo cativou, será sempre a suficiente para terminar a temporada de forma gloriosa nas provas internas.

O 4x4x2 do alemão no momento defensivo conta com a participação e altruísmo de Di Maria ou Neymar a fechar o corredor lateral, e transforma-se numa máquina letal de aceleração pós roubo da bola, com a chegada de Mbappé à frente. Em ataque posicional utilizando criatividade de Neymar e Di Maria com a chegada ao último terço no critério e inteligência de Verratti, Draxler ou Sarabia, o PSG é uma máquina trituradora que não encontra paralelo na história recente no futebol francês.

A nova época poderá marcar a estreia de Xavi Simons, jovem holandês de dezassete anos resgatado ao Barcelona. O menino bonito do futebol jovem Europeu poderá ter oportunidade de entrando amiúde, pautar o futebol ofensivo do poderoso PSG

A FIGURA
Neymar – É por agora o maior concorrente ao trono de Messi e Ronaldo. Em rendimento efectivo, desequilibrando entre linhas, criando, finalizando e não menos importante, mostrando-se disponível para o trabalho colectivo também sem bola, Neymar já é de outra galáxia. Figura do PSG e do futebol mundial.

 

Lyon

A tremenda temporada Europeia da equipa de Rudi Garcia não teve correspondência com rendimento interno, muito pela entrada em falso na Ligue 1.
Na nova temporada, consolidados processos do treinador francês, o Lyon deverá afigurar-se como o principal rival da equipa de Paris, embora com poucas hipóteses de traduzir esse epíteto no troféu maior de França.

Partindo de um sistema tático (3x5x2) que vai ganhando seguidores na Europa do futebol, o Lyon alia consistência defensiva em Organização, com capacidade para sair em construção utilizando os três centrais (Marçal desaproveitado no Benfica é uma das figuras, e tem o condão de ligar o jogo desde o centro esquerda) para encontrar os elementos criativos da linha média. Aouar e Bruno Guimarães têm o nível técnico que alimenta os poderosos Ekambi e Deepay na frente de ataque. A extensão do plantel é uma dificuldade maior se comparado com o rival, mas pela organização e qualidade do 11 inicial, o Lyon tem condições para não terminar demasiado afastado do líder.

A FIGURA
Bruno Guimarães – Partirá para a segunda temporada em solo Europeu, depois de ter chegado somente em Janeiro. Nível técnico e cognitivo assombroso, Bruno impacta em momentos e zonas de construção e criação. É o tipo de médio que faz jogar toda uma equipa com a forma perfeita com que sempre entende momentos para que o jogo acelere ou pause. É o elemento que surge por trás da notoriedade dos homens da frente, pela forma como simplifica e desbloqueia situações.

 

Marselha

Embora com menos argumentos que outros rivais, a equipa de André Villas-Boas terminou a temporada num honroso segundo lugar e foi capaz de potenciar uma série de jogadores que até então eram incógnitas em solo Europeu. Com claro destaque para o argentino Dario Benedetto que somou 11 golos na época de estreia na Ligue 1.

O 4x3x3 do técnico luso alia a verticalidade e oportunismo do avançado centro argentino, com a capacidade para pensar o ataque de Payet, que aos trinta e três anos continua a somar desequilíbrios pela forma como trava e acelera os lances, e com a irreverência de Thauvin, um dos talentos mais subvalorizados da Europa do futebol. Jogador capaz de no último passe ou na finalização desmontar todo um jogo. A capacidade coletiva do Olympique, bem patente na forma como toda a equipa interpreta as necessidades próprias de cada momento de jogo, seja defensivo ou ofensivo, tornam o Marselha uma das equipas a seguir na temporada, embora André Villas-Boas necessite de fazer mais um pequeno milagre, tendo em conta os recursos ao seu dispor para continuar a ser o líder de França, ignorando o galáctico PSG.

A FIGURA
Dimitri Payet – Porque foi sempre um jogador de grande recorte técnico e de decisões conscientes, continua aos 33 anos de idade a ser capaz de provocar desequilíbrios nas estruturas adversárias. Somou doze golos na época passada que não ficou sequer concluída, e na presente promete ser a figura maior de todo o ataque. Seja como referência para receber primeiro passe dos contra ataques, definindo assertivamente o sentido do ataque, seja para em espaços curtos encontrar saídas criativas.

 

Lille

Luís Campos, o director desportivo do Lille tem encontrado talentos que se valorizam de forma exponencial de ano para ano, e tal aperitivo torna desde logo o Lille como uma das equipa a seguir em França.

Orientado por Christophe Galtier o 4x2x3x1 da equipa francesa conta com a capacidade de aceleração e progressão de um renascido Renato Sanches que entrou nas contas dos melhores da Liga Francesa da temporada passada, e com a grande atração de nacionalidade canadiana Jonathan David, um médio ofensivo capaz de jogando nas costas do avançado surgir também a finalizar.

Sábado 22 agosto 20h00
Lille vs Rennes
2,20 – 3,10 – 3,35

 

Com um plantel cheio de juventude com potencial, 2021 poderá ser o ano para se perceber onde poderão chegar os jovens Pizzuto, mexicano de dezoito anos que joga na frente da defesa, Timothy Weah, avançado centro norte americano filho do lendário Georghe Weah, nascido an Libéria, e até do angolano de 18 anos, Capita, proveniente do Trofense de Portugal. Mais do que competências coletivas, o Lille, já se sabe, revelará talento.

A FIGURA
Renato Sanches – O português renasceu na temporada passada, encaixando como uma luva no jogo veloz que caracterizou o Lille na segunda parte da temporada. Chegada muito rápida em condução ultrapassando oponentes, Renato tem facilidade em desequilibrar o jogo quando o espaço aumenta. Não sendo um jogador criativo, consegue impactar o jogo nos momentos de Transição, seja na ofensiva pela chegada veloz com ou sem bola, ou na defensiva onde muito rapidamente recupera posição e ajuda a equipa a fechar espaços. 2021 poderá ser o ano de um novo salto na carreira do português.

 

Mónaco

Niko Kovac chegou ao principado com a responsabilidade de voltar a colocar o Mónaco nos lugares cimeiros da Liga Francesa. Vai implementando um sistema com um duplo pivot no meio (4x2x3x1) ofertando aos extremos e ao número dez, possibilidades e responsabilidades de criação ofensiva que alimente o talento de Ben Yedder.

Com a velocidade e verticalidade de Gelson Martins, a pausa e criatividade de Golovin e a destreza motora de Henry Onyekuru, o Mónaco, que conta ainda com Jovetic como opção de enorme qualidade para a frente de ataque, reuniu um lote de jogadores de traços ofensivos capazes de proporcionar bons espetáculos. Até porque nas suas costas surgirá o critério de Cesc Fàbregas.

Domingo 23 agosto 12h00
Mónaco vs Reims
1,86 – 3,40 – 4,05

 

Kovac tem condições e argumentos individuais para voltar a colocar os monegascos na luta pelo topo da tabela e o talento que lhe compõe a frente ofensiva deverá ser o suficiente para promover jogos de grande entretenimento fim de semana após fim de semana.

A FIGURA
Ben Yedder. Não é um clássico número nove, de grande porte físico. Porém, para lá de ser extremamente capaz na ligação que dá ao processo criativo, baixando, sendo referência para receber e associar-se com colegas de frente para o jogo, Ben Yedder é também um ponta de lança de movimentos e intuição. Seja nas diagonais curtas, seja em contra movimentos, ganha espaços na grande área e atira para o golo. Um dos avançados mais interessantes da Liga. Pela qualidade que empresta ao colectivo e porque ainda surge para definir individualmente.