O crescimento do Braga nos anos mais recentes, coroado com a conquista da Taça da Liga na temporada passada, é uma evidência.

E a muito bem trabalhada equipa de Carlos Carvalhal desloca-se agora a Alvalade numa espécie de prova de fogo para perceber se está ou não dentro da luta pelo título maior em Portugal.

Um confronto de matriz tática apaixonante, entre dois modelos híbridos. Modificam-se na passagem do processo defensivo para o ofensivo.

 

O Sporting parte de um 5x4x1, que deixa os alas da linha média mais adiantados na primeira fase para acertar pressão sobre centrais adversários, e transforma-se rapidamente num 3x4x3 em momento ofensivo, com Porro e Nuno Mendes a saltarem em toda a profundidade do campo, ficando Palhinha em cobertura a um meio que permite adiantar de João Mário para zonas mais próximas de criação onde Pote e Nuno Santos definem com qualidade para os movimentos inteligentes de TT.

Do outro lado, o sistema de três centrais de Carvalhal só é visto no momento ofensivo. Esgaio projecta-se pelo corredor direito funcionando como um extremo, enquanto à esquerda Sequeira fica para integrar linha de três centrais, surgindo Iuri a fazer toda a ala ofensiva.

Na frente Paulinho é o homem do momento, o melhor avançado do futebol português e conta ainda com a presença próxima de Ricardo Horta, um avançado temível pela sua eficácia e eficiência técnica.

Se há equipa que poderá surpreender em Alvalade, mesmo não tendo o favoritismo, essa é a equipa de Carvalhal. Pela qualidade técnica dos seus intervenientes, pela panóplia de movimentos que exploram costas de uma linha de três verde, onde Neto demonstra dificuldades constantes, e pela capacidade para sair da pressão de Al Musrati.

Alvalade receberá um confronto tático excepcional entre a cada vez maior maturidade tática do Braga, e uns leõezinhos seguros e astutos, que não terão problemas em jogar o que o jogo lhes pedir. Mesmo que em determinados momentos baixem metros e esperem o momento certo para que um roubo de Palhinha possa acelerar o jogo em Transição, momento onde o Sporting é temível, e o Braga se expõe ficando com apenas três defesas para cobrir espaços largos.

Um jogo de excelência para abrir 2021 num teste à liderança da equipa de Rúben Amorim.